DATA DE PUBLICAÇÃO: 25/06/2020
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Conversa com meu povo: Tu és Pedro!

Foto: Luiz Estumano.
 
Festa de São Pedro! Festa grande em tantas partes de nosso país, ainda que celebrada de forma mais sóbria nos tempos que correm. Para a Igreja, é sempre festa, pois, ao lado de São Paulo, Simão Pedro estava na origem de tudo, por graça e misericórdia do Senhor Jesus. Os dois nos asseguram, com sua vida, pregação e testemunho, a apostolicidade da Igreja, que proclama: “Creio na Igreja una, santa católica e apostólica”.
 
Queremos voltar os olhos para o ministério de Pedro. Simão, depois chamado Pedro, e Pedro vem de Pedra, Cefas, foi escolhido pelo Senhor para estar à frente do que chamamos “Colégio Apostólico”. “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. Humanamente, talvez não fosse o mais perfeito, mas foi o escolhido! Mistérios insondáveis da misericórdia divina! Simão, Pescador, Pecador, Pedra, Rocha, Pedro! 
 
De fato, tudo indica que aquele pescador profissional, apresentado a Jesus por seu irmão André, tinha um gênio difícil. Certamente foi um homem de poucas palavras e muito trabalho, pele curtida pelo sol e pelo vento! Pescadores profissionais saíam para a labuta ao cair da tarde, depois uma noite de trabalho, redes na praia pela manhã, para vender o seu peixe, descansar um pouco e seguir de novo para o trabalho. Muitos calos e poucas letras! Revelou-se frágil na confiança em seu Mestre, mas o Senhor o ergueu pelas mãos mais vezes do que o Evangelho pode ter contado. Sabendo-se pecador, depois de ter lançado as redes, apostando justamente tudo na Palavra de Jesus, quer até que o Senhor dele se afaste, diante da pesca milagrosa, mas ali mesmo é feito pescador de homens. Espontâneo no amor, durante a ceia promete fidelidade irrestrita a Jesus, para negá-lo poucas horas depois, mas o Senhor lhe faz uma promessa: “Simão, Simão! Satanás pediu permissão para peneirar-vos, como se faz com o trigo. Eu, porém, orei por ti, para que tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc 22,31-32). 
 
Da ceia ao Jardim das Oliveiras, sono, coragem, ousadia para cortar a orelha de uma pessoa. Era um homem primário em suas reações! Mais adiante, o mesmo amor se transformou em lágrimas copiosas de arrependimento, após a negação. Exceto João, Pedro e os outros fugiram ou se esconderam, temerosos diante da possível perseguição que previam. Imagino que se recolheram, talvez na mesma sala “do andar de cima”, onde depois viriam a receber Jesus Ressuscitado. Mas estavam juntos, e a primeira comunidade se vislumbrava, com aqueles fundamentos limitados, mas muito amados pelo Senhor.
 
E vem a Ressurreição. Ainda que João estivesse aos pés da Cruz, quando correm ao Sepulcro, o discípulo amado espera que chegue Pedro, a testemunha qualificada. As provas da Ressurreição são o sepulcro vazio e a aparição a Simão Pedro! Uma voragem de experiências do Ressuscitado! Madalena, as outras mulheres, os discípulos de Emaús, as aparições no Cenáculo, o sopro do Espírito infundido sobre eles. E a magnífica experiência à margem do lago de Genesaré. Simão Pedro resolve pescar, mas pescaria sem a presença de Jesus dá em nada! Sua nudez parece revelar sua história, mas o reconhecimento feito por João o faz lançar-se na água, correndo ao encontro do Ressuscitado. Aquele que era carpinteiro de profissão já havia preparado peixe e pão para os pescadores! E a pesca foi extraordinária. A refeição agora é diferente. E impressiona-me o fato de que só ali, à margem do Lago, aparece um diálogo de Jesus com a testemunha qualificada, Simão Pedro. Três vezes deve proclamar o amor, para ver confirmada sua missão de apascentar o rebanho, mas com a força da primeira palavra do chamado: “Segue-me”.
 
A Igreja apostólica se refere continuamente a Pedro, seu nome vem na frente dos outros. De verdade, ele se tornou pedra, rocha firme! Dali em diante, é em torno dele que a missão se organiza, e Simão Pedro se consolidará, de tal forma corajoso, para ir, depois de alguns anos, para Roma. Por caminhos diversos, também Paulo estaria lá. Os dois “congregaram a única família de Cristo e, unidos pela coroa do martírio, recebem hoje, por toda a terra, igual veneração” (Prefácio da Solenidade de São Pedro e São Paulo).
 
Quando chegou seu tempo de apresentar-se diante do Senhor, crucificado como o seu Mestre, mas de cabeça para baixo, como reza uma tradição, foi sucedido por homens que a Providência Divina escolheu. Um grande milagre é que Deus tem sempre alguém escolhido para suceder a Pedro, como uma “carta na manga” que se revela através da mediação humana nos homens chamados a eleger o Papa. E hoje nos orgulhamos santamente com o Sucessor de Pedro, Bispo de Roma, o Papa Francisco. O dia de São Pedro é também o dia do Papa, ocasião para colocarmos em prática o que sempre nos pede: “Rezem por mim!”
 
Quem é o Papa? Idoso ou jovem, chegado de lugares distantes ou não, de qualquer nacionalidade, ao sucessor de Pedro cabe nossa adesão filial e nossa confiança. Não acolher o Papa afasta as pessoas da Igreja Católica. Ele é o ponto de unidade, para o qual deve convergir nossa vontade e nossa inteligência. Se acompanharmos a história dos Papas, será possível identificar em tantos deles falhas humanas no testemunho e no serviço. Entretanto, qualquer pessoa pode verificar que nenhum deles, repito, nenhum deles, ensinou o erro. De verdade, as portas do inferno nunca prevaleceram e nunca prevalecerão contra a Igreja.
 
Esta reflexão trouxe-me a lembrança a Marcha Pontifícia, cujo texto desejo transcrever para motivar-nos à celebração da festa de São Pedro e o Dia do Papa:
 
“Ó Roma eterna, dos mártires, dos santos, Ó Roma eterna, acolhe os nossos cantos! Glória no alto ao Deus de majestade, paz sobre a terra, justiça e caridade! A ti corremos, angélico pastor, em ti nós vemos o doce Redentor. A voz de Pedro na tua o mundo escuta, conforto e escudo de quem combate e luta. Não vencerão as forças do inferno, mas a verdade, o doce amor fraterno! Salve, salve Roma! É eterna a tua história, cantam-nos tua glória monumentos e altares! Roma dos apóstolos, mãe e mestra da verdade, Roma, toda a cristandade, o mundo espera em ti! Salve, salve Roma! o teu sol não tem poente, vence, refulgente, todo erro e todo mal! Salve, Santo Padre, vivas tanto mais que Pedro! Desça, qual mel do rochedo, a bênção paternal!”
 
 



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