DATA DE PUBLICAÇÃO: 01/03/2017
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Comissão Justiça e Paz leva carta aberta à população de Belém

 
Recentemente a sociedade foi sacudida pelo assassinato de policiais que provocou, com claro motivo de retaliação por parte de grupos de extermínio, a execução de dezenas de supostos bandidos.
 
Profunda tristeza, dor e indignação invadem o coração toda vez que vidas são ceifadas pela violência que infelizmente marca o nosso quotidiano! Entretanto, o discurso “bandido bom é bandido morto” tem se tornado tão freqüente ao ponto de, lamentavelmente, já fazer parte do imaginário popular!
 
Estamos voltando ao tempo do “olho por olho, dente por dente". O que infelizmente vivemos hoje pode ser traduzido para a máxima: “uma vida por uma vida!”, ou, pior ainda, “muitas vidas por uma vida”! A perda do valor desse dom fundamental, dado por Deus, traz de volta a barbárie a entranhar-se nas relações de uma sociedade doente!
 
Não se exigem, com igual indignação, de um Estado omisso, políticas sociais inclusivas e universais, educação de qualidade, centros esportivos para juventude e praças nas periferias, que poderiam abrir novas perspectivas a gerações inteiras de crianças e jovens! Hoje e no futuro!
 
Demonizam-se os “direitos humanos” porque “defendem bandido”, quando, na verdade, primam pela defesa da vida e da dignidade humana, sempre que vitimadas pela injustiça e pelo abuso do poder, da força e do dinheiro.
 
Precisamos redescobrir e reafirmar a força transformadora de Jesus com seu Evangelho! Vividos no anúncio e testemunho de um mundo novo! 
 
Precisamos redescobrir e reafirmar as forças, também transformadoras, que, pautadas no Cristianismo ou em outras religiões ou humanismos, sonham por um mundo de Justiça, Paz e Harmonia universal. Forças que hoje mais do que nunca precisam assumir conjuntamente o desafio de ser uma voz diferente, se contrapondo à predominância de uma visão distorcida dos rumos a serem trilhados. O desafio é gigantesco. E é de todos.
 
Construção de escolas e saneamento básico, em contraposição à construção de mais presídios. E se temos presídios, que eles sejam de humanização e resgate da dignidade perdida, em contraposição aos presídios-depósitos, cheios de seres brutalizados. Estímulo e expansão das políticas de penas alternativas com benefício para a comunidade, como contraponto a uma política centrada quase que exclusivamente no aprisionamento.
 
Rigoroso combate à impunidade em todas as dimensões, marcado pela competência e trabalho de inteligência no sistema de segurança pública. Integração entre as polícias, militar e judiciária, na superação de todo tipo de competição e corporativismo. Combate efetivo aos grupos de extermínio, justiceiros fardados ou não, que teimam em decidir quem vive ou quem morre nas periferias das cidades. 
 
Agilidade nos processos judiciais, diminuindo decididamente o índice alarmante de prisões provisórias no sistema penitenciário. Precisamos ser pautados pelo conceito de punição pedagógica, eliminando de vez o rastro da vingança ou do mero castigo.
 
E, finalmente, orçamento público que demonstre de fato o quanto as políticas sociais estejam sendo privilegiadas.
 
Os dramas complexos da sociedade exigem, pelas mulheres e homens de boa vontade, religiosos ou não, compromisso concreto de participação, pensamento crítico, interesse coletivo e discussões pautadas no diálogo e no respeito. 
 
Precisamos falar e ouvir. Fazer com que a voz dos que têm menos oportunidades possa ser escutada, para, finalmente, incorporarmos e vivermos na plenitude a Cultura da Paz. 
 
Belém, fevereiro de 2017  
Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Belém.
 
 
 

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