“A felicidade é um direito de todos os filhos e filhas de Deus, mas são exatamente os filhos e filhas de Deus que optam por não experimentá-la. ”

RICARDO QUARESMA ricardo_pai@yahoo.com.br
As férias estão acabando e junto com o fim das férias vem o ânimo ou desânimo de quem vai ter que enfrentar tudo de novo por mais doze meses. Parece uma tarefa difícil quando o amor não faz parte deste processo de luta natural pela tão debatida e explorada felicidade, tema que está na capa de mais da metade dos livros de auto-ajuda. Este tema faz parte da vida de adolescentes e adultos em todos os cantos do planeta, pois o homem perdeu seu senso de direção por não saber antes de olhar para frente, primeiramente olhar para cima, esta atitude é questionada por alguns que insistem em orientar seus alunos e pacientes a olharem para trás, no intuito de resolvermos aquilo que já passou. Uma proposta surreal, pois não temos a capacidade de administrar corretamente nem o presente quanto mais o passado. Olhar para cima com toda a certeza é um gesto de extrema inteligência, até porque não vemos este gesto em quase ninguém, por vivermos num mundo onde o foco está totalmente voltado para os brinquedinhos eletrônicos que simulam a convivência de forma insipiente, gerando o hábito de olharmos para frente e para baixo, jamais para cima ou para os lados, estigmatizando o homem moderno como um ser indiferente a dor do próximo, principalmente por não saber definir e reconhecer o próximo, que Jesus nos apresentou como algo muito maior, Jesus nos fez chamar e tratar o próximo como irmão, filhos e filhas do mesmo Pai.
Por incrível que pareça esta realidade não é inerente à vida urbana (capital), conversando com meus amigos que trabalham no interior do Estado, percebi que a vida no campo (interior) sofrera modificações. Hoje com o advento da globalização da tecnologia, o caboclo não quer ser reconhecido como tal, ele tem sotaque de paulista, comportamento de executivo que reclama de stress e marca consulta com o psicólogo no município vizinho e ainda leva sua família para este debate inacreditável. Percebemos jovens que se vestem como cantores internacionais, comportam-se como celebridades, imitando tudo o que há de mais indigesto no mundo da desvalorização do ser humano, no mundo da fama. Não falo só pelo que ouvi, já morei no interior e vi coisas ainda piores, vi discriminação para com os moradores das colônias que eram reconhecidos pela alcunha de “colonos”, isso mesmo, os irmãos do interior discriminavam quem morava um pouco mais distante que eles, inaceitável.
Isso tudo mostra que a falta de amor e felicidade não são uma questão geográfica e sim uma questão espiritual, de um mundo que opta em viver sem Deus, em não olhar para cima, talvez por medo de não ver nada, por ter perdido a inocência necessária para observar o sobrenatural, por ter perdido a condição de filho, não por castigo e sim por escolha. Vivemos com uma geração sem sonhos, sem representatividade, sem prazer, o contrário do que vemos e ouvimos nos meios de comunicação, a felicidade não se compra e não está reservada para alguns, a felicidade é um direito de todos os filhos e filhas de Deus, mas são exatamente os filhos e filhas de Deus que optam por não experimentá-la.
Acredito que a vida de fé sem doutrina seja exatamente o motivo de todos os nossos sofrimentos, pois vivemos ajoelhados, mais querendo emoldurar um Deus conforme as nossas vontades e principalmente, um Deus que atenda as nossas necessidades. Se eu pudesse fazer um pedido a todos os meus irmãos e irmãs de fé, eu pediria, reconheçam a nossa Igreja, rica em doutrina, a única detentora da Verdade de Cristo por completo. Assim experimentaríamos a felicidade por completo e sustentaríamos uns aos outros nesta luta contra o pecado, mais se ainda assim você quiser olhar para frente, que a sua frente esteja o altar da sua paróquia e sobre ele estejam expostos o Corpo e o Sangue de nosso senhor Jesus Cristo.
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