"Uma fé desse quilate Deus sustenta e ampara com a própria força divina que nada do que é humano pode vencer ou modificar"

MOSENHOR ADERSON NEDER neder@arquidiocesedebelem.com.br
A fé é tão importante para nós, cristãos, que se pode dizer que ela tem e deve ter de fato uma forte conotação de absoluto. Não podemos simplesmente relativizá-la, como se fosse um algo mais em nossa vida, mas que não necessitaria de tanta atenção, nem de tanto cuidado. Ao contrário, ela deve estar em primeiro lugar, seja em nossas preocupações, seja em nosso planejamento vital, afinal, em tudo o que faz parte da nossa vida.
Os mártires cristãos, de todos os tempos, nos deixaram exemplos os mais edificantes e que demonstram realmente que a fé estava ocupando em suas vidas o primeiro lugar que lhe pertence e do qual não deve ser alijada. Ao contrário, por causa dela eles arriscavam a própria vida e a entre-gavam com uma coragem que deixava admirados os que os viam morrer para não renegá-la. Eles agiam assim porque a fé, de certo modo, faz parte do nosso amor pelo Senhor Jesus, pelo qual fa-zemos a nossa opção vivencial. Por isso, é bom repetir, nada pode estar acima dela e até a vida, com toda a sua preciosidade, deve ser entregue quando houver o perigo de perdê-la. Acontece que Deus, a quem ela está inteiramente ligada, quando nos sacrificamos por ela, inclusive a própria vida, Ele no-la restitui ainda de um modo superior. No caso dos mártires, por exemplo, eles oferecem a própria vida pelo martírio, mas o Senhor os recompensa com a posse imediata e gloriosa do céu. Neste, é uma vida superior que eles recebem ou a vida eterna feliz que não mais pode ser perdida.
Outro aspecto que devemos considerar, em relação à fé, é o porquê que existiram e infeliz-mente ainda existem perseguições a uma pessoa de fé firme e inabalável, condenando-a até à morte se persistir na perseverança e não aceitar de modo algum renegá-la. Quem realiza essas perseguições sabe que ela é o maior baluarte de uma pessoa convicta e que não teme arriscar tudo para conservá-la. Foi esse proceder impoluto, porque convicto, que fez o número maior de santos na Igreja de Jesus, muitos deles de idade jovem ou mesmo infantil, levados pelo belo exemplo de outras pessoas, como seus pais ou mesmos seus catequistas.
O absoluto da fé é o galardão do fiel cristão e a prova maior de que sua adesão a Cristo não foi um simples ato de entusiasmo de momento, mas o sinal maior de uma convicção no caminho de salvação que abraçou. Quase que diríamos que é mais que uma virtude, pois é capaz de tudo para não a perder e nem dela se desfazer. Uma fé desse quilate Deus sustenta e ampara com a própria força divina que nada do que é humano pode vencer ou modificar.
Com uma fé dessa têmpera, todo cristão mártir é um candidato ao céu. Mesmo que tivesse algo ainda a ser penitenciado, para ele não há purgatório, pois tudo é perdoado na entrega da vida pelo martírio. A própria Igreja, ainda neste mundo, reconhece sua heroicidade, o que favorece até mesmo o seu reconhecimento oficial de uma legítima santidade e sua decorrente canonização. |