"Basta um olhar mais atento para perceber-se a desorganização existente,muitos usam a cidade como se não houvessem leis e códigos de postura."

ADENAUER GÓES adenauergoes@gmail.com
Não é difícil imaginar Francisco Caldeira Castelo Branco chegando a 12 de janeiro de 1616 e escolhendo aquela ponta mais elevada de margem, toda ela coberta por farta floresta e de onde entendeu, poderia melhor defender esta região dos invasores. A partir de então parte desta floresta começou a ser derrubada, inicialmente para construir o Forte do Presépio, logo seguido da Igreja, vindo então a abertura das primeiras ruas quando a locomoção era feita a pé ou a cavalo,com pessoas transportadas em redes ou cadeiras, por escravos. Descendo um pouco desta parte elevada, existia um igarapé chamado Piri, o qual os escritores que perpetuaram esses tempos de antigamente dizem ia até onde hoje está o Pólo Joalheiro, onde haveria um comedio de peixe boi, eram indiscutivelmente outros tempos, com a natureza em sua plenitude exibindo a pujança do DNA ambiental, ainda sem a contaminação trazida pelo progresso do homem branco.
De lá para cá quanta coisa mudou, a cidade cresceu de forma desordenada, sem respeitar critérios que permitissem uma integração e interação melhor entre o homem e a natureza. Porque este caminho não pode ser feito de forma mais organizada? Será que a cultura inserida no DNA dos homens brancos desde o inicio, até os dias atuais sempre foi tão predadora, desprovida de compromissos de urbanidade e de futuro?
O fato concreto é que poderíamos ter uma situação bem melhor do que a que temos. A Belém dos sonhos poderia ter tudo que tem de bom hoje, sem muitas das mazelas produzidas e reproduzidas até os dias atuais. De certa forma podemos dizer que a Amazônia aceitou Belém de braços abertos para ser sua metrópole, sua população no entanto necessita corresponder e comportar-se a altura.
No imaginário das pessoas que não conhecem de perto esta região, a Amazônia ainda representa uma região indomável, que resiste ao modernismo e que rechaça as tentativas de domesticação, na realidade não se trata de lutar contra a natureza, pois o conhecimento nos mostra que é equivocado este procedimento, cabe ao homem usar a inteligência e encontrar a forma equilibrada de viver em sintonia, o que sobre muitos aspectos ainda não aconteceu. Basta um olhar mais atento para perceber-se a desorganização existente, muitos usam a cidade como se não houvessem leis e códigos de postura.
A Belém da Amazônia e de Nazaré pode firmar-se e fortalecer-se como a grande referência positiva da convivência do homem com a natureza e com ele mesmo, basta evoluirmos na civilização harmoniosa e de respeito mútuo com o semelhante no presente e no futuro. É utopia?Pode até ser, mas o caminho é este.
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