Depois de denúncias de Dom Azcona, deputados querem analisar outras fontes
Uma rede organizada, coordenando um bem sucedido esquema de exploração e abuso de crianças e adolescentes no Arquipélago do Marajó e outros municípios paraenses. Este foi o quadro mostrado mais uma vez pelo Bispo Dom Luiz Azcona, da Prelazia do Marajó, só que desta vez à CPI instalada na Assembléia Legislativa.
Foto: Ivan Cardoso
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| DENÚNCIA - Para Bispo, situação no Marajó é grave |
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Em seu depoimento prestado na CPI no último dia 14, o sacerdote entregou um relatório contendo fotos, gravações de vídeo, documentos oficiais, estatísticas de entidades sociais, nomes de parlamentares, empresários e de outras autoridades, envolvidos em denúncias da existência de abuso, exploração sexual de crianças e menores no Estado, além de uma relação de locais públicos e privados onde ocorrem essas situações. Tudo está sob a guarda da comissão em sigilo.
Para Dom Azcona é grave a situação pois é reflexo direto da ausência do poder público na região. “Somos terra de ninguém, não temos um só barco da Marinha controlando a entrada e saída, lá existe biopirataria, tráfico de armas, saída de drogas, de mulheres para o exterior e não temos a presença do Estado para enfrentar os narcotraficantes”, disse. Na ocasião o Bispo prelado destacou especificamente ocorrências nos municípios do Marajó, em particular, Breves e Portel, mas citou também fatos ocorridos em Belém, Santarém, Cametá, Abaetetuba e Altamira. Ainda segundo Dom Azcona essa exploração acontece à luz do dia, sob as vistas de autoridades, em salas de aulas, em ruas e em locais públicos.
Agora a CPI já começou a analisar o material entregue pelo sacerdote. Além desses documentos outros estão chegando à comissão por meio de entidades como a Sociedade Paraense de Direitos Humanos e Emaús. Os integrantes da CPI também irão pedir cópias de todos os processos referentes à questão que hoje tramitam na Justiça Estadual. Depois do bispo do Marajó, serão ouvidas pela comissão no dia 3 de fevereiro, a delegada Socorro Maciel, da Divisão de Atendimento a Criança e Adolescente (Data) e a coordenadora do programa estadual Pró-Paz, Eugênia Fonseca. De acordo com o deputado Carlos Bordalo, que propôs a instalação da comissão na Alepa, foi pedido à Polícia Civil um relatório dos boletins de ocorrência dos últimos três anos ligados à questão, mas como esse documento pode demorar para chegar às mãos dos parlamentares, a representante da Data foi convidada a prestar informações à comissão. “Estamos fazendo um trabalho de análise. A CPI precisa ter direcionamento para ter um resultado”, disse o deputado. A CPI também irá analisar dados contidos no relatório feito pela Câmara Municipal de Belém em 2005. |