A Igreja dedica os 30 dias de agosto a uma profunda meditação sobre o chamado de Deus na vida de cada pessoa
Falar em vocação nos dias atuais não é uma tarefa fácil. Quem faz uso da frase "Agosto, mês do desgosto", provavelmente não faz ideia do significado que esses 30 dias tem para a Igreja. Muito longe daquele que é atribuído pelas crendices, agosto lembra aos cristãos da importância das vocações. Do latim "vocare", que significa "chamar", é o chamado para a vida em Cristo que a Igreja no Brasil reflete durante todo o mês.
À luz dos documentos da Igreja, que ensinam que toda pessoa é vocação, durante o Mês Vocacional, como também é conhecido agosto, a proposta da Igreja é oferecer de imediato aos cristãos a compreensão de um chamado e de uma missão a cumprir.
Como explica o padre Evaristo Debiasi, mestre em teologia dogmática pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, e apresentador do programa "A Igreja pelo Mundo", o mês não somente celebra as vocações, mas quer despertá-las em todas as pessoas.
"Somos todos missionários na essência de nosso ser. Cada pessoa, onde quer que se encontre, tem uma missão a viver e a cumprir. Neste mês, somos convidados a pensar sobre que valor damos à nossa vida e à vida de todos. Sem dúvida, faz muito sentido refletir sobre como cada um vive em família, na comunidade, na Igreja e em sua missão específica no mundo. Todos são necessários", afirma.
Já é tradição no Brasil a motivação dos meses temáticos em comunhão com o calendário litúrgico: mês de Maria (maio), do Sagrado Coração (junho), das vocações (agosto), da Bíblia (setembro) e assim por diante.
A tradição, que foi surgindo aos poucos, cada vez mais, reforça a importância desses temas para que eles se tornem conhecidos e possam ser refletidos pela sociedade. Esse é o caso de agosto, que teve sua origem logo após o Concílio Vaticano II, em 1961.
Com o objetivo de despertar a consciência das comunidades para a corresponsabilidade num período de crise das vocações de especial consagração, Dom Aloísio Lorscheider, então bispo de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, instituiu uma comissão para criar um diretório vocacional para a diocese. Em 1970, surgia a primeira experiência do mês vocacional no Brasil. A iniciativa deu certo e, em 1981, a Assembleia Geral da CNBB instituiu o mês de agosto como mês vocacional para todo o Brasil.
LINHA DO TEMPO
1970 - Na diocese de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, Dom Aloísio Lorscheiter institui uma comissão para elaborar um Diretório de Pastoral Vocacional;
1971 - É instituído em Santo Ângelo o mês de outubro como mês vocacional;
1973 - O Mês Vocacional passa a ser celebrado em agosto;
1974 - Quase todas as dioceses do Rio Grande do Sul e outras em outros regionais começam a celebrar o mês vocacional;
1980 - O 5° Encontro Nacional de Pastoral Vocacional em Brasília (DF), que propõe duas celebrações: do mês vocacional e dos anos vocacionais diocesanos;
1981 - Durante a 19ª Assembleia Geral da CNBB, os bispos aprovam o documento "Vida e Ministério do Presbítero - Pastoral Vocacional". (Doc. 20 da CNBB). E o mês vocacional em nível nacional.
Fonte: www.sav.org.br |