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Alegria de ser católico -
Ações para apontar o ?eleito? do Senhor
João Carlos Pereira
Como estamos em dia de eleição e vamos decidir quem vai ser Prefeito de Belém e quem vai para a Câmara, o jeito é votar bem. Mas passando este momento, é bom não deixar para mais tarde a reflexão sobre aqueles que o Senhor deverá eleger, ou seja nós, que desejamos a companhia do criador. Os eleitos de Deus precisam estar atentos, porque, neste caso, o Eleitor é apenas um e não há segundo turno.
Os eleitos do Senhor devem ser todos aqueles que, minimamente, fazem a Sua vontade. Escrevo ?minimamente? e fico pensando no muito que poderia ser feito e que, sabe Deus por quais motivos, não foi. Imagino uma larga possibilidade de ações que ficou no limbo, à espera de realização, e que lá permaneceu apenas nessa pobre condição: a de possibilidade. Fizemos o mínimo para conseguir a eleição e aí? Será que os pesos que usamos para valorar (e, quem sabe, tentar valorizar) nossas ações são os mesmos do Senhor. Não preciso nem instalar o pano da dúvida, porque sei que o Senhor e nós usamos medidas completamente diferentes. Ele tem a receita do amor e da justiça. Nós, a da oportunidade.
Gosto de pensar na vida eterna, porque ela me sugere uma imensa possibilidade de aprendizado. Não creio que passaremos para o outro lado para ficar na boa vida, numa rede, desfrutando das delícias dos campos do Senhor. Como ninguém sabe como é do lado de lá da existência, imagino, apoiado nas palavras de Jesus de que as coisas são ?assim na Terra, como Céu?, que lá também deve haver muito para fazer. Não sei se há televisão, jornal ou rádio. Tampouco imagino se lá haja construção civil ou universidades; sequer penso na hipótese de haver hospitais, bibliotecas e mercados. Mas alguma coisa deve haver para que esse mundo de gente que, diariamente, parte do mundo em direção à luz possa fazer.
As possibilidades de ação que acabo de mencionar são mero exercício de ficção. Não estou preocupado com o que terei para fazer ou para não fazer, quando fechar para sempre os meus olhos já um tanto fatigados. Importa, isto sim, o agora. O que devo fazer, agora, para merecer o voto e ser eleito do Senhor? Imagino que, em primeiro lugar, preciso estar sintonizado com Ele. Como entender e tentar praticar o amor, se não me ligo nEle? Como tentar fazer sua vontade, se nem li os livros que Ele escreveu e que contêm, tim-tim-por-tim-tim, todo os seus ensinamentos e todas as suas vontades? Sem conhecer, já dizia o sábio Leonardo da Vinci, não se pode amar. Por isso, em primeiríssimo lugar, é preciso saber quem é o Pai e o que Ele deseja.
Depois, nesta busca para ser ?eleito?, é preciso fazer o bem. Antes que se confunda fazer o bem com dar um real na porta da Igreja, ao final da missa, é melhor esquecer essa prática que, muitas vezes é incentivo à malandragem. A caridade é, numa visão bem mais larga, a aceitação do outro. Aceitar tem tudo a ver com compreender, com entender, com perdoar e, ato contínuo, com amar. Seguem-se, naturalmente, os gestos da mão amiga, do abraço fraterno, da ajuda silenciosa, do amparo verdadeiro e redentor. No evangelho está escrito de forma tão clara, que ninguém, em juízo perfeito, poderá dizer que não viu ou que não entendeu, porque Jesus usava muito as parábolas. Ele disse claramente que era na pele do pobre que Ele morava. Na necessidade do que estava preso ou doente (e esperava uma visita), do que tinha fome (e aguardava por um prato de comida) e do que estava nu e implorava um cobertor.
Esta é a plataforma ?eleitoral? do Senhor. Não são promessas, mas propostas - e nem tão pesadas assim - para que possamos cumprir, ao longo dos 40, 50, 60 o seja lá quantos mais anos forem que o Criador nos tenha concedido para experimentar a vida e aprender a viver.
Para ser ?eleito? do senhor é preciso apenas ser fiel ao que Ele ensinou. Não há necessidade de outra coisa. E esse tipo de voto, tão diferente do que vamos depositar neste domingo, na urna eletrônica, produzido pela ação da mídia sobre o eleitor, é conquistado apenas com o coração.
( jcparis@orm.com.br)
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