FUNDAÇÃO NAZARÉ
Programa inspira fórum permanente de debates

Um fórum permanente de debates foi criado na Escola Estadual Justo Chermont, na Pedreira, como resultado prático do programa Mundo Jovem, da TV Nazaré. Transmitido ao vivo no último dia 24, a atração teve como tema ?Rede da Cidadania?. O sociólogo Raimundo Renato Fonseca, o filósofo Dersu Pereira e as professoras de História Ida Clara Nogueira e Elisa Vasconcelos esclareceram dúvidas dos estudantes durante o programa.
A música-tema deste Mundo Jovem foi ?Girassol?, da banda carioca Cidade Negra. Os músicos da Kizuera do Brasil deram o tom do programa . O repórter Marcos Valério fez entrevistas e enquetes com os alunos e mostrou também trabalhos e projetos da instituição.
Textos de Danielle Viana, Jade Oliveira e Maria de Fátima Lima foram os ganhadores do tradicional concurso de redações, promovido toda semana pela produção do programa.
A diretora do Justo Chermont Graça Rodrigues credita à criação do fórum formado por professores e alunos à TV Nazaré, que criou um espaço em sua grade de programação que valoriza e abre espaço para nossas instituições públicas de ensino mostrar o talento de seus alunos. ?Desde os primeiros contatos da Márcia (Márcia Bragança, pedagoga que produz o Mundo Jovem, com a irmã Carmem Silva, também pedagoga) começamos a pensar em uma forma de trabalhar melhor a cidadania no colégio. Criamos uma comissão de professores e alunos, a qual chamamos de ?fórum? e agora vamos trabalhar sobre esse e outros temas continuamente?, afirma.
O fórum do Justo Chermont reuniu-se pela primeira vez no dia 23 de setembro e os participantes já traçaram algumas metas, como o reforço das aulas preparatórias para o Vestibular 2005. ?Os alunos e professores acharam que será preciso investirmos mais nos vestibulandos da escola, então pretendemos aumentar a carga horária desses alunos que vão se submeter ao processo seletivo?, diz a diretora. O fórum vai se reunir uma vez por mês para discutir temas de interesse da escola e da comunidade em geral. ?É uma forma de incitarmos a busca da cidadania?, justifica Graça.
Para o representante de turma Ismael Ribeiro, 22, aluno do 1º Ano, os estudantes precisam valorizar mais a escola. ?Aqui é um local onde temos acesso à educação. Só através dela podemos ser cidadãos comprometidos com o próprio bem-estar e de todos?, opina. O jovem, ao lado da professora de Biologia Odaléia Reis, está buscando projetos junto a entidades e organizações para a melhoria do Justo Chermont. Há cerca de um mês, eles conseguiram uma parceria com a Universidade da Amazônia. ?É um projeto que visa à promoção da paz e cidadania, por meio de palestras na escola?, informa Odaléia.
Por conta das eleições 2004, o programa Mundo Jovem de hoje, 10 de outubro, não será exibido, porque muitas escolas públicas estão sendo preparadas para abrigar a seções eleitorais. O programa volta a ser exibido ao vivo no próximo dia 8, da Escola Estadual Augusto Olímpio, em Canudos, das 10h às 12h, com a apresentação de Mário Tito Almeida.
Estudantes do Justo Chermont usam a arte para expor problemas sociais e falar de cidadania (foto Luiz Estumano).
Redações premiadas
Cidadania é um processo que começou nos primórdios da humanidade, não é algo pronto, acabado. A cidadania se efetiva num processo de conhecimento e conquista dos direitos humanos.
Inúmeros são os direitos que deveriam ser naturais de todo ser humano: o direito à vida, à igualdade, à educação gratuita etc..., independentemente de cor, sexo, religião ou nacionalidade.
Ser cidadão significa ser nascido ou naturalizado num país e estar sujeito a direitos e deveres desse mesmo país. Cidadão é, pois, aquele que está capacitado a participar da vida em sociedade.
Infelizmente no Brasil e no mundo nem sempre os direitos humanos são respeitados, ao contrário, são diariamente violados.
A escravidão dos negros pelos portugueses é um exemplo claro dessa realidade. Os negros eram vistos como objetos, propriedade dos patrões. Não possuíam direitos, identidade, nacionalidade, apenas deveres. Eram impossibilitados de adquirir instrução, pois a escolha lhes eram proibidas, eram impedidos de participar das decisões políticas, pois não possuíam o direito ao voto, não podiam sequer opinar pela própria vida, pois esta também não lhes pertencia.
Ao longo da história brasileira, as promessas de se efetivar a cidadania nunca cessaram e sempre estiveram presentes, nos inúmeros discursos dos diversos líderes políticos brasileiros, sem, no entanto, vivermos na prática o cumprimento dessa cidadania.
A educação é uma condição indispensável para a efetivação da cidadania, pois através da educação podemos nos tornar cidadãos conscientes dos nossos direitos e deveres. Estamos novamente envolvidos num momento de participar ativamente do direito de, como cidadãos brasileiros, decidirmos, em parte, as pessoas que se responsabilizarão em zelar pela cidadania em nosso estado, por isso, temos que estar conscientes quando votarmos.
Danielle da Silva Viana, turma:1ª A
A cidadania é muito importante na vida de todo ser humano, porque ela é uma forma de viver bem, de organizar e de construir um mundo melhor. Primeiro, temos que ter princípios básicos, ou seja, procurar conhecer melhor nossos direitos humanos, a nossa responsabilidade pessoal, o nosso compromisso social na realização do nosso objetivo.
Ser um cidadão é ser uma pessoa que tem consciência de seus direitos e deveres; é ser um indivíduo que participa diariamente de todas as questões referentes à sociedade. É também aquele que se preocupa com uma população inteira, com o bem-estar de cada um.
Existem várias formas de cidadania, como: a cidadania ativa, que existe para que o indivíduo exija instituições, mediações sociais de lutas, como: movimentos sociais, sindicais e populares e na sua definição de instituições permanentes para a expressão política.
Existe a cidadania passiva que é aquela que é outorgada pelo Estado, com a idéia moral da tutela e do favor. Também existe a cidadania da participação: é o envolvimento efetivo do indivíduo nos destinos, nos rumos e no poder de decisão daqueles problemas que poderão interferir na vida de cada um de nós.
O indivíduo sozinho não pode sobreviver, necessita agrupar-se, organizar-se, pois somente organizado com consciência de direitos e obrigações pode o ser humano exercer sua cidadania e participar das formas de poder?.
Maria de Fátima de Souza Lima, turma 2ªA.
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