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Uma virtude brasilar
Monsenhor Aderson Neder
Há uma palavra de Jesus, conservada no Evangelho de Lucas (17, 10), que de um certo modo fere nossa mentalidade de supervalorização que, muitas vezes, fazemos de nós mesmos: ?Quando tiverdes cumprido todas as ordens, dizei: Somos servos inúteis, fizemos apenas o que devíamos fazer?. Pe. Edson Damian, da Fraternidade Sacerdotal, no seu belo retiro pregado aos nossos bispos, em Itaici, assim comenta: ?O que esperamos de nosso Mestre e Senhor é a graça da gratuidade benfazeja, isto é, depois de termos feito tudo o que deveríamos fazer, consideramo-nos como ?simples servos? ?. Essa afirmação do Mestre é a maior lição de humildade que Ele dá aos seus seguidores, mas também da gratuidade como Deus nos trata. Santa Teresinha dizia: ?Tudo é graça!?. Ora, se tudo recebemos de graça, porque também não fazermos tudo na gratuidade.
A humildade é virtude basilar, exigida para quem quer ser cristão, inclusive como operário de Deus. O Pe. Bernard Hëring, em seu livro ?Mensageiros da Alegria?, escreve: ?A humildade é o melhor modo de ?plantar? o Reino de Deus?. Essa referência à planta se deve ao comentário sobre o que diz o apóstolo Paulo em 1 Cor 3, 6-9: ?Não o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas sim Deus que dá o crescimento. O que planta e o que rega são iguais e cada um receberá a sua recompensa conforme o seu trabalho. Nós outros, porém, somos meros cooperadores de Deus?. Concluímos que a humildade é o despojamento total do nosso ?eu?, para colocar o Senhor no lugar dele. No entanto, o próprio Jesus nos deu um radical exemplo de humildade, descrito pelo Apóstolo na carta aos Filipenses (2, 6-8): ?Ele tinha a condição divina e não considerou o ser igual a Deus como algo a que se apegar ciosamente. Mas esvaziou-se a Si mesmo e assumiu a condição de servo, tomando a semelhança humana. E, achado em figura de homem, humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz!?. Por isso, o próprio Filho de Deus nos disse: ?Aprendei de Mim porque sou manso e humilde de coração? (Mt 11, 29).
Charles de Foucauld, convertido, sentiu-se encantado com a obscuridade de Jesus em sua vida oculta em Nazaré, colocando-a como alicerce de toda a sua espiritualidade própria e da que deixou para todos os que somos seus seguidores. A Eucaristia, como expressão permanente da humildade, tocou-lhe profundamente o coração. Daí o valor que ele dá e nos transmite da adoração eucarística diária. Por outro lado, o orgulho é um dos piores impedimentos para alguém crescer no Amor do Senhor e, conseqüentemente, na vida cristã. O Pe. Gaston Courtois afirma: ?O orgulho impermeabiliza a alma, porque nada há de mais perigoso do que se iludir?. E o apóstolo Paulo já tinha dito coisa parecida: ?Quem pensa ser alguma coisa, quando não é nada, ilude-se a si mesmo?. (Gal 6, 3). O orgulho igualmente atrapalha o relacionamento humano, porque alguns, pelos bens que possuem, sejam materiais ou culturais, julgam-se melhores do que os outros. Quando existe o orgulho não pode haver encontro entre pessoas. Numa comparação bem realista, constatamos que só as baixadas se encontram, não os cumes... A construção do Reino também sofre abalo e até desequilíbrio, pois o orgulho quebra a unidade, base essencial dele, conforme desejo do próprio Senhor Jesus, quando rezou: ?Pai, que todos sejam um, como nós somos um!? (Jo 17, 21).
Também na pastoral e no apostolado o orgulho é prejudicial. Ele enrijece o instrumento humano e não permite a Deus manejá-lo com liberdade. Só a humildade o torna disponível à ação do Espírito Santo e abre maior espaço para Ele agir. Entre minhas anotações, encontrei uma sábia afirmativa de um autor antigo, mestre da mais alta espiritualidade, o Pe. Chevrier: ?Quanto mais nos apagarmos, maior lugar deixaremos a Deus?. Por isso, João Batista afirmou em relação a Jesus: ?É preciso que ele cresça e que eu diminua? ( Jo 3, 30).
Se aceitarmos uma das primeiras afirmações do papa João Paulo II, no início de seu pontificado, na carta aos sacerdotes, na Quinta-feira Santa - ?É preciso converter-se todos os dias!? -, um dos esforços maiores que devemos fazer é aceitarmos a nossa pequenez, a nossa fraqueza, a nossa dependência total de Deus, para nos lançarmos arrojadamente à missão pastoral, sabendo que nossa condição não é a de senhores ou de donos, seja lá de que for, mas simplesmente a de servos e de empregados e reconhecermos, na sinceridade do coração, que somos inúteis, mesmo quando nos esforçamos por fazer bem-feito o que nos foi confiado, pois o resto, tudo o mais, só depende de Deus.
Missionários trabalham duro durante período da Festa de São Francisco
A Paróquia de São Francisco de Assis, no Tapanã, está realizando a festividade do padroeiro em clima de fraternidade, missionariedade e conversão. ?Vamos com Francisco ao encontro de Jesus, fonte de amor e de paz? é o tema da festa que louva o ?protetor dos pobres?.
A programação litúrgica deste ano é intensa. Os festejos iniciaram no dia 24, com missa presidida pelo bispo auxiliar de Belém, Dom Carlos Verzeletti. Sacerdotes convidados de diversas paróquias celebram a Eucaristia nos dias de festa. Hoje, primeiro de outubro, os padres da Região Episcopal São João Batista vão presidir missa às 19h30. Amanhã, haverá casamento comunitário e no domingo, 3, o arcebispo metropolitano, Dom Vicente Zico, estará no Tapanã para presidir a Santa Missa, com transmissão ao vivo da TV Nazaré, às 7h. A festividade encerra no dia padroeiro, 4, com procissão, que sai da comunidade São Geraldo Magella, às 19h. Em seguida, o vigário-episcopal da região São João Batista, padre Irineu Roman, celebrará o encerramento das homenagens, com missa e a ?Bênção dos Pães?.
Apesar do tempo de chuvas e de um lamaçal que se formou na rua, onde a matriz está localizada, por conta das obras de pavimentação iniciadas pela Prefeitura Municipal, em setembro, a participação dos devotos é satisfatória. Segundo o pároco padre Henrique Leconte, a festividade deste ano enfatiza o carisma missionário do padroeiro, que lutou pelo bem-estar dos pobres e marginalizados de sua época. ?Não podemos pensar em São Francisco como um santo sonhador, que andava com passarinhos nos ombros e passava o dia correndo pelos campos de flores. Ele foi um homem que se converteu à Palavra de Deus e decidiu amar radicalmente o Evangelho indo ao encontro de Jesus na figura dos pobres e doentes, tendo que enfrentar a família e a própria Igreja, que, depois, ajudando a dar uma vida nova à Ela?, diz o padre.
O sacerdote afirma que a proposta da festividade é fortalecer o espírito comunitário e trabalhar pelo fim das mazelas sociais no bairro, como a violência e a falta de infra-estrutura básica. ?Por isso, o tema propõe a paz e o amor em Cristo. A palavra ?vamos? mostra a dinâmica missionária de nosso padroeiro. Francisco é modelo de ouvir e pôr em prática os ensinamentos de Cristo. Precisamos requerer mais cidadania ao nosso povo?, opina.
Contente com os festejos, padre Henrique informa que após a festividade, a paróquia no Tapanã vai retomar o trabalho de Santas Missões Populares, nas onze comunidades. ?Temos que aproveitar o clima de festividade para levar a Palavra de Deus de um modo simples, para que as pessoas tenham gosto de ler a Palavra de Deus e ouvir a mensagem de Cristo?, diz.
Capuchinhos benzem animais e saem em procissão
A paróquia de São Francisco de Assis, dos frades Capuchinhos localizada em São Brás, promove até a próxima segunda-feira, 4, a festividade de São Francisco. Os devotos estão refletindo sobre o tema: ?Com Francisco, buscamos o caminho a verdade e a vida?, tema escolhido para estar em unidade com as diretrizes da Igreja e com o desejo dos bispos da Arquidiocese de Belém.
Na segunda, 4, logo pela manhã, às 7h, haverá missa pela solenidade de São Francisco de Assis. Após a missa será dada a bênção dos animais, quando os devotos podem levar os animais de estimação para serem abençoados. Às 18h, será celebrada solene missa presidida pelo arcebispo Dom Vicente Zico. Ao final da celebração os fiéis saem em procissão luminosa pelas ruas próximas a paróquia.
O pároco, Frei Luis Giudici, preside todos os dias celebrações eucarísticas às 19h. Durante a homilia proferida na missa da última segunda, 27, ele destacou a importância de, assim como São Francisco de Assis, cada cristão valorizar cada vez mais a Palavra de Deus através da leitura e meditação das Sagradas Escrituras. ?De São Francisco de Assis queremos aprender um pouco mais do seu amor à Igreja, a evangelização e a Jesus, Filho de Deus Altíssimo?, disse frei Luis.
No período de 11 a 25 de setembro foram realizadas peregrinações com a imagem de São Francisco nas comunidades paroquiais. No dia 25, na comunidade de Santa Isabel da Hungria houve exposição do Santíssimo Sacramento e adoração Eucarística, às 18h. Logo em seguida, por volta das 19h, foi realizada solene procissão até a igreja matriz da paróquia. Durante toda esta semana os devotos podem participar da adoração Eucarística, às 18h, seguida da celebração da Santa Missa e oração da novena.
A devota Miriam Santana, 54, está participando de todos os dias da programação e acredita que com a oração na paróquia, em unidade com os outros fiéis é a melhor forma de estar em harmonia com a Igreja e com os ensinamentos de Cristo.
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