ARTE, CULTURA E LAZER
Paulinas comemora sucesso editorial na VIII Feira Pan-Amazônica do Livro
A Editora Paulinas, uma das maiores editoras católicas de Belém, ocupou o estande de número 37 na VIII Feira Pan-Amazônica do Livro. Um dos maiores eventos do mercado no Brasil, a Feira, encerrada no último domingo, 26, foi visitada por quase 300 mil pessoas, movimentando cerca de R$ 7,2 milhões. A Paulinas Livraria vendeu 2 mil do total de 3 mil títulos que levou para serem expostos durante o evento. Para a irmã Elizete Moura, uma das responsáveis pela atuação da Editora na Feira, o faturamento e a quantidade de visitantes superaram todas as expectativas dos organizadores do estande da Paulinas.
Segundo irmã Elizete, com a participação da Editora Paulinas na VIII Feira Pan-Amazônica do Livro foi possível divulgar o nome da Livraria para os leitores que ainda não a conheciam e aumentar a credibilidade que a Editora já possuía com seu público fiel. ?Com o tema ?Os 20 anos da presença da Paulinas no Brasil?, a intenção da Editora foi divulgar e fortalecer a missão de valorizar e propiciar a formação da pessoa humana de forma integral?, afirmou irmã Elizete. O público que geralmente freqüenta a Livraria no centro comercial de Belém também visitou o estande montado na Feira. ?Pessoas que alegavam não visitar a Paulinas pela distância, também puderam visitar a nossa loja e conferir os nossos produtos?.
De acordo com a organizadora do estande, depois da Feira do livro, o público de leitores fiéis da Editora Paulinas duplicou. ?O nosso faturamento não foi apenas com o lucro das vendas, mas também com a quantidade de pessoas que passaram a conhecer a existência da livraria?, explica a irmã Elizete. De qualquer forma, o lucro deste ano foi superior ao do ano anterior. Irmã Elizete não divulgou números, mas afirmou que mais da metade dos livros levados para o estande foi vendida. Dos 3 mil títulos, com temas bíblicos, relacionados com a família e com a saúde, recursos pedagógicos e até obras de auto-ajuda, apenas mil voltaram ao estoque da loja.
A felicidade desses ótimos resultados tidos com a participação da Editora Paulinas na Feira do Livro, conforme irmã Elizete, não está no faturamento financeiro, mas na quantidade de pessoas que passaram a conhecer Jesus Cristo por intermédio das obras expostas. ?Nesta semana que passou, a Paulinas Livraria pôde mostrar ao povo a sua missão de anunciar o Evangelho, além de demonstrar a sua atuação como uma Editora que se mostra comprometida com a vida de cada um?, diz irmã Elizete.
Durante a VIII Feira Pan-Amazônica do Livro, a Editora Paulinas não fez nenhum lançamento, mas o público pôde encontrar, todos os dias, uma diversidade de obras com a garantia editorial da Paulinas com até 20% de desconto. Outra novidade foi uma programação especialmente direcionada a crianças que participaram de contação de histórias e encenações. Para a irmã Elizete Moura, despertar o gosto pela leitura ainda na infância é de fundamental importância para os meninos e meninas de hoje se tornarem cidadãos melhores e conhecedores do mundo no futuro.
Quase 300 mil pessoas gastaram R$ 7,2 milhões na Feira
No oitavo ano de realização da Feira Pan-Amazônica do Livro, houve a confirmação do fato de o evento já ser um dos mais importantes do mercado livreiro em todo o país. Alcançando o patamar de maior evento cultural do Estado, os dez dias de programação contaram com a presença de vários escritores de renome, paraenses ou visitantes. A inclusão social e a valorização da cultura regional foram alguns dos objetivos do Governo do Estado, o responsável pela realização do evento que recebeu 297 mil visitantes e movimentou cerca R$ 7,2 milhões.
A Feira trouxe muitas novidades esse ano, começando pelo espaço onde foi realizada. O Hangar, antigo Parque da Aeronáutica de Belém, foi transformado no novo Centro de Convenções da Amazônia, que, no futuro, abrigará inúmeros outros eventos culturais. A arena de shows ?Arte Celpa?, que apresentou artistas locais em quase todas as noites, foi uma das principais atrações. Nilson Chaves, Lucinha Bastos, Beatles Forever, Marco Monteiro e o grupo do Arraial do Pavulagem foram alguns que marcaram presença na arena da Celpa, animando o público da Feira.
A TV e a Rádio Cultura também foi uma grande atração ao montar estúdios móveis e transmitir, ao vivo, programas produzidos na Feira. A TV Nazaré também esteve presente no evento fazendo intensa cobertura dos acontecimentos e transmitindo, ao vivo, todos os shows realizados na arena do ?Arte Celpa?. Escritores como o quadrinista Maurício de Souza e o autor Zuenir Ventura participaram do já tradicional bate-papo no espaço Café com Letras. As escritoras paraenses Linda Ribeiro e Ana Miranda, além de muitos outros autores locais, não deixaram de participar também dos bate-papos.
O número de visitantes superou em cerca de 15% o registrado no ano passado. Os 125 estandes montados no local, em média, comercializaram 480 mil livros. 75 expositores também lucraram com a venda de produtos como vídeos, CDs ou outros de caráter cultural. O dia de maior movimentação foi 24 de setembro, quando mais de 100 mil estudantes visitaram o evento.
A oitava versão da Feira trouxe várias novidades, começando pelo próprio local onde foi sediada. O Hangar, antigo Parque da Aeronáutica, será o futuro Centro de Convenções da Amazônia, onde muitos outros eventos culturais serão realizados. Muitos lançamentos de livros e exposições aconteceram durantes o evento. A Mostra Pan-Amazônica de Cinema e Teatro foram outras inovações.
O estande das Paulinas teve um movimento maior do que no ano passado. 2 mil títulos foram vendidos. I (Foto Luiz Estumano)
Festival reúne bandas do interior em Vigia
No último final de semana, dias 25 e 26, foi realizado o I Festival de Bandas do Nordeste Paraense, no município de Vigia. A apresentação da Banda Sinfônica, regida pelo maestro norte-americano Martin Bergee, encerrou no domingo o Festival. A execução do concerto de encerramento foi dividido para três regentes, além de Martin Bergee, que está em Vigia pela segunda vez especialmente para atividades musicais, também regeram o programa os maestros Benjamim Melo e José Valle.
O Festival foi realizado num palco armado na lateral da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, para apresentação de 120 jovens músicos selecionados entre os que integram 16 bandas de 11 municípios do nordeste paraense. Uma das peças, ?Lamento?, de Pixinguinha, contou com a participação especial da soprano Vânia Melo, integrante do Coral Municipal.
A abertura do evento aconteceu na última quinta-feira, 23, com presença de um público de mais de 5 mil pessoas. De acordo com a coordenação do evento esta média de público foi mantida durante os três dias de apresentações. O I Festival de Bandas do Nordeste Paraense foi promovido pelo Governo do Estado, por meio da Fundação Carlos Gomes e Coordenadoria de Comunicação Social do Governo (CCS).
A realização do Festival de Bandas do Nordeste Paraense faz parte da programação do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em Vigia. O festival é uma evolução de dois eventos anteriores também sediados na cidade, reunindo bandas do interior do Estado.
O objetivo desta programação é mostrar ao público o trabalho de resgate e estímulo à criação de bandas no interior do Estado. O sucesso do evento já rendeu um desdobramento importante e no próximo ano, o Governo do Pará realiza em Belém, um festival estadual de bandas, que será organizado pelas instituições que promoveram o I Festival do Nordeste.
Participaram do festival as seguintes bandas: ?31 de Agosto?, ?Banda União Vigiense? e ?Banda 25 de Dezembro? (Vigia); ?Banda Rodrigues dos Santos? e ?Banda Milícia Odivelense? (São Caetano de Odivelas); ?Clube Musical Prof. Luiz Gama? e ?Clube Musical Lira Nova? (Colares); ?Banda Municipal de Santo Antônio do Tauá? e ?Banda Leandro Leal? (Santo Antônio do Tauá); ?Banda Municipal de Salinópolis? (Salinópolis); ?Banda Municipal de Santarém Novo? (Santarém Novo); ?Banda Mestre Odilon? (Castanhal); ?Banda Santa Cecília? (Marapanim); ?Banda Daniel Nascimento? e ?Banda de Música Emanuel? (Paragominas), e ?Banda Novos Talentos? (Dom Eliseu).
CINEMA
A fonte da juventude
Pedro Veriano
Em 1948, a Republic Pictures, estúdio considerado ?pobre? da milionária Hollywood, produziu uma aventura passada na Amazônia, mais precisamente no município de Óbidos, aqui no Pará, em que membros de uma expedição formada por botânicos procuravam uma flor silvestre que tinha a faculdade de rejuvenescer os tecidos humanos. Quem financiava a busca era uma americana milionária (interpretada pela atriz Vera Ralston, mulher do dono da firma, Herbert J. Yates), aparentemente jovem mas escondendo os seus quase 100 anos de idade. Ela tomava um chá das pétalas da flor. Como a matéria-prima estava começando a faltar, ela pretendia buscar mais sem dizer aos seus acompanhantes do maravilhoso efeito que a planta fazia em seu corpo.
O filme chamava-se ?Tentação Selvagem? (Angel of the Amazon). Além de Ralston estavam no elenco atores conhecidos como George Brent, Fortunio Buonanova (o intérprete do professor de piano da mulher do Cidadão Kane), Brian Aherne e Constance Bennett.
Este ?Anaconda 2? que ainda está sendo exibido por aqui trata praticamente do mesmo assunto. A flor de agora mantém vivas as células do corpo. Vale dizer que representa um passaporte para a eternidade - desde que a pessoa tome chás de suas corolas regularmente.
Uma diferença capital entre os dois filmes: no primeiro a procura da juventude eterna corria por conta de quem não aceitava a velhice. Não era bem a imortalidade ou a transferência do dia da morte, mas a vaidade de permanecer com juventude e beleza.
No segundo filme reina a ambição. Quem paga os custos de uma viagem à Malásia, reduto do vegetal miraculoso, é uma multinacional de produtos farmacêuticos. Ela pensa nos bilhões de dólares que arrecadará com a venda de pílulas que impeçam a morte celular, afinal a constante que leva o corpo ao envelhecimento. Por isso nas horas de perigo em meio caminho ao reduto da flor, um executivo prefere arriscar a vida a voltar de mãos abanando. E nesse rumo o filme chega às raias do absurdo, oferecendo tudo aquilo que era de praxe nos antigos seriados e produções B: situações de suspense, obstáculos cada vez maiores e absoluto non sense (com pouca dose de humor).
Quando se vendia em quilos esse tipo de cinema a metodologia de estudo da arte cinematográfica era relativamente pobre. Os intelectuais ligados à crítica e aos cineclubes alijavam qualquer produto que não fosse realizado por autores considerados pessoais e inteligentes. Cinema adulto era produto de elite. O divertissement era lixo. Mesmo que muitos cineastas mais tarde considerados autores viessem desse lixo, exercitando-se com as historias estúpidas de mocinhos valentes e vilões caricatos.
Hoje a visão mais ampla do assunto acolhe a bobagem de outrora até como referência social de um período histórico. E há os que vêem na ingenuidade das fitas B um quadro feliz de um tempo: o período em que não se falava tanto em assaltos, em drogas, em terrorismo.
Anaconda 2? foi feito para dar lucro. Não deu tanto quanto o ?Anaconda 1?, ambientado na Amazônia (e de um ridículo extremo). Mas apresentou-se artesanalmente mais interessante e com uma proposta temática que exala motivo para se falar do filme depois da sessão. Noutras palavras: mais do que o consumo imediato de um saco de pipocas.
No fim da história, obviamente, ninguém consegue a flor da juventude e os malvados desaparecem no abismo que provocam. Chega a ser exibido até mesmo um beijo final, marca registrada do cinema antigo, uma espécie de pano de fundo do letreiro the end.
Pretensioso é outro filme em cartaz: ?O Enviado? (Godsend/EUA, 2003). Aqui se toca no delicado problema da clonagem humana. Um casal perde o único filho logo depois que festeja o seu 8° aniversário de nascimento. Em meio ao desespero aceita a clonagem sabendo que a mãe não poderá gerar outro bebê. O que não se explica é como o médico que resolve fazer a operação colhe células do menino para reproduzi-las. Há uma conversa muito rápida de que este teria tido acesso ao parto da senhora e de lá retirado células-tronco do cordão umbilical da criança. Mesmo assim a história começa ?furando?. Daí em diante surge um absurdo maior: o cientista que faz a clonagem é outro pai que perdeu filho e na hora da seleção genética impregna genes que podem gerar caracteres deste seu descendente. Quer dizer: o garoto que vai nascer é um misto do irmão com um desconhecido reconhecidamente mau.
A clonagem, pelo que se sabe até hoje através de exemplos animais como a ovelha Dolly, produz a multiplicação celular a partir de uma célula original de idade marcada. A Dolly nasceu velha (pois partiu de uma ovelha-mãe adulta). Jogando isto para o enredo do filme, seria mais interessante mostrar um menino que envelhece rapidamente, ainda mais quando passa da idade da célula que o originou. Mas os roteiristas preferiram jogar o assunto para o terror corriqueiro. Um monstrinho começa a matar gente. E termina como um outro menino malvado de cinema: o do filme ?A Profecia?, tido como um demônio encarnado. A alternativa de pensar que a célula inicial para a clonagem veio do cordão umbilical também não convence - e ainda mais quando se tenta manipular genes antes da formação embrionária, sabendo-se que um ?doador? morreu carbonizado em um incêndio que ele mesmo provocou.
Mas o problema maior, que o filme tenta jogar como um aviso moral, é a questão ética e religiosa do procedimento. Primeiro a prática condenada pela Igreja de se manipular células vivas com o objetivo de gerar uma criança. Depois a questão da alma, concluindo que a criatura que nasce de seu próprio corpo não tem obrigatoriamente o mesmo espírito. Os gêmeos univitelinos são independentes. Todas as religiões que acreditam na imortalidade da alma repudiam a idéia de que clonar é renascer.
O filme dirigido por Nick Hamm de uma história original do roteirista Marc Bomback, é mais um sensacionalismo irresponsável. E mau cinema. Até no uso de acordes na trilha sonora para assustar o espectador. Coisa de mau gosto que Robert De Niro aceitou fazer sabe lá às custas de quanto para as suas necessidades imediatas. ( veriano@supridados.com.br)
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