ARQUIDIOCESE

Profissionais da saúde investem em formação
Simpósio organizado pela associação médica católica proporciona troca de experiências

          Voluntária da Pastoral da Criança, Ruth Rodrigues participou, no final de semana passado, do IV Simpósio Católico dos Profissionais de Saúde, promoção da Associação Médica Católica. Ela trabalha como voluntária no Centro de Pastoral da paróquia de Santo Inácio de Loyola e avaliou o simpósio como um evento importante para a sua formação.

          Para mim, que trabalho na área da saúde, é uma nova forma de ver com podemos atender o paciente cada vez melhor, e como podemos ajudar cada vez mais o nosso próximo através do nosso trabalho?, avaliou Ruth destacando as reflexões sobre a ética cristã como um dos pontos mais importantes dos assuntos discutidos. ?A ética tem que ser mantida acima de tudo, caso contrário você não é um cristão autêntico, se você não pratica e não faz o seu dia a dia como uma pessoa cristã. É como viver num mundo que não condiz com a sua realidade?, compara.

          Na sexta, 24, primeiro dia da realização do simpósio, houve visita da imagem de Nossa Senhora de Nazaré, com bênção de padre Luciano Cimam. O sacerdote presidiu celebração eucarística marcando a abertura do encontro.

          De acordo com o cirurgião vascular Sérgio Coutinho Dias, o simpósio é muito importante porque propicia às pessoas trocarem suas experiências de vida no exercício da profissão. ?É também uma forma de tornar essas pessoas espiritualmente mais fortificadas para enfrentar as dificuldades com muita fé, e que isso nos leve para um caminho melhor e faça com que cada profissional de saúde reflita sobre os seus atos, em especial a maneira como está conduzindo a sua vida, em relação aos irmãos que estão mais próximos. Precisamos conseguir um nível de espiritualidade que faça com que haja um respeito maior pelo irmão, e assim vamos melhorar a vida para todos?.

          A clínica geral Isabel Bernardes, uma das coordenadoras do simpósio, explica que a Associação Médica Católica é um grupo de profissionais da área da saúde que completará oito anos em outubro, e que se reúne toda semana na Capela de Lourdes sob orientação de padre Luciano Cimam.

          É um grupo de reflexão sobre a Bíblia, pois temos muitas dúvidas e muita sede da Palavra de Deus. O trabalho começou com um grupo formado apenas por médicos, mas sentiu-se a necessidade de dar abertura para todos os profissionais da área da saúde?, explicou a médica.

          Isabel afirma ainda que há quatro anos nascia a idéia de realizar um simpósio para reunir todos os profissionais católicos da aérea da saúde, até mesmo aqueles que não faziam parte do grupo de reflexão. ?Então surgiu esta idéia, e a participação a cada ano é surpreendente. A procura é cada vez maior?, comemora.

          Este ano, durante os dois dias de simpósio foram arrecadados alimentos não-perecíveis que serão doados a comunidades carentes da área do Icuí-Guajará, onde já há atendimento médico para a população com ambulatório médico e odontológico. Os alimentos serão entregues na próxima semana.

          Na abertura do simpósio deste ano, a bênção com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré (foto Luiz Estumano).

 

Amizade é remédio eficaz para os males da velhice

          No Dia do Idoso, 27 de setembro, a Voz de Nazaré conversou com duas grandes amigas que se conheceram há 72 anos. Brígida Souza, 102 anos, e Aurora Alão, 92, mantêm o mesmo carinho e afeto de quando se conheceram, na década de 30. Histórias engraçadas, outras mais tristes, momentos de alegria e companheirismo fazem parte da memória das amigas.

          Brígida mora no Abrigo Pão de Santo Antônio e Aurora com o filho mais velho, Amaury Alão. Os endereços diferentes e as dificuldades de locomoção não impedem os constantes encontros para colocar a conversa em dia, passear e reviver as lembranças de um tempo em que o respeito ao próximo e amizade eram coisas levadas a sério, segundo a afirmação de Brígida, que faz aniversário no próximo dia 8. ?Vamos fazer uma grande festa, com direito a missa em ação de graças e almoço festivo?, adianta Aurora.

          As duas se conheceram quando a família de Aurora se mudou para a Rua Aristides Lobo, Comércio, em 1932. Brígida já morava no bairro e os pais da amiga, que tinha 20 anos na época, compraram uma casa em frente à dela. Então, ocasionalmente conversavam na frente das casas e foi surgindo uma forte amizade. ?Mas no início o pai dela (Aurora) não gostava muito da nossa amizade, porque ela era ?novinha? e eu,com 30 anos, já casada, era mais madura. Então nos encontrávamos às escondidas para ficar conversando?, relata Brígida. ?Mas depois, ele foi simpatizando comigo e percebeu que a nossa amizade vinha do coração. Hoje, criamos raiz?.

          Elas contam que o sentimento se intensificou quando Brígida ficou viúva 11 dias antes de Aurora se casar, em 1935. Como ela não teve filhos, sentiu-se sozinha e Aurora a acolheu em sua casa. ?Passei dias lá, a ajudei com o casamento e a nossa amizade fortaleceu-se bastante. Até hoje me sinto muito amparada por essa amiga, que é irmã, mãe e companheira?, afirma Brígida.

          Aurora lembra que na juventude elas freqüentavam cinemas, passavam os domingos nos clubes da cidade e viajavam. O costume de fazerem sempre as mesmas coisas continuou ao longo dos anos. Em 1997, as amigas, acompanhada pelos filhos de Aurora, foram a Portugal para comemorar o aniversário de 95 anos de Brígida. ?Foi um dos momentos mais marcantes da nossa amizade. Passeamos bastante, conhecemos muitos lugares bonitos. Visitamos o Santuário de Fátima e o local, onde Dom Fuas Roupinho foi salvo pela intercessão de Nossa Senhora de Nazaré (segundo registros históricos, o fidalgo teria pedido à Virgem que o livrasse de um abismo, sendo primeiro milagre intercedido por Nossa Senhora de Nazaré)?, conta Aurora. ?Foram dias muito felizes em minha vida?, complementa Brígida.

          As idosas também se lembram de momentos difíceis, como uma grave enfermidade que Aurora sofreu, com apenas 28 anos. ?Fui internada às pressas e pedi para Brígida cuidar dos meus filhos (Amaury e Arlete) que eram pequenos. Eu não sabia se voltaria a vê-los?, recorda-se emocionada Aurora. A amiga tomou cuidou das crianças e fez promessa a Nossa Senhora de Nazaré. ?Disse à Santa que se ela se curasse, eu iria levar os filhos dela ao Círio vestidos de anjo. Uma semana antes da procissão, Aurora se curou e pagamos a promessa?, lembra Brígida.

          O tempo passou e as duas continuam firmes no sentimento. ?Se a gente não brigou até hoje, depois de velho é que a gente não vai acabar com esse sentimento?, brinca Brígida. Aurora afirmam que ?não se faz amizades como antigamente?. Para ela, os pais não conseguem educar os filhos, para que vivam com intensidade os sentimentos e valores. ?A vida mudou muito e as amizades são efêmeras?, diz. ?Amizade verdadeira é que nem a nossa?, resume a amiga.


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