CADERNO 2
Eleitores católicos têm o compromisso de escolherem candidatos com ética cristã
Neste domingo, os eleitores paraenses vão às urnas escolher seus governantes municipais. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), além de não indicar candidatos ou partidos políticos, aconselha que os eleitores votem com consciência em busca de uma democracia verdadeira. Na Arquidiocese de Belém, a luta pela ética na política ganhou reforço com a inauguração do Comitê Estadual contra a Corrupção Eleitoral.
O Comitê foi lançado oficialmente no dia 2 de setembro, na sede do Regional Norte II da CNBB. Estiveram presentes o secretário geral da Ordem dos Advogados do Brasil, Edilson de Oliveira Dantas; a presidente da Comissão de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Mary Cohen; o ouvidor geral da OAB, Paulo Barradas; a representante do Centro de Estudos e Defesa do Negro (Cedenpa), Nilma Bentes; a representante da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Pará (Adufpa); e o representante da Arquidiocese de Belém, Jamesson Nascimento.
O coordenador do plantão disque-denúncia, Toni Vilhena, explica que a idéia da criação do comitê surgiu durante as últimas eleições, a partir da aprovação da Lei 9840. ?Esta lei foi aprovada em 1999. É de iniciativa popular, com mobilização de todo o Brasil através de várias entidades, associações e movimentos sociais. Nós conseguimos mais de um milhão de assinaturas e festejamos o fato de ser a única lei de iniciativa popular que temos no país?, disse o coordenador.
Toni afirma que a partir da aprovação da Lei 9840 houve uma procura para a formação de comitês, em todo o país, que supervisionassem as eleições, e encaminhassem denúncias de corrupção eleitoral ao Ministério Público. Assim, o comitê tem por principal objetivo combater a ?compra de votos?, ato que é proibido pelo artigo 41 do Código Eleitoral.
Houve uma primeira experiência em 2000 que foi muito boa com participação de muitos movimentos na procura pela ética na política. Hoje nosso comitê é formado por várias entidades, como a Arquidiocese de Belém, Igreja Metodista, Centro de Estudos e Defesa do Negro no Pará (Cedenpa), Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SPDDH), Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Pará e Ministério Publico Estadual?.
O Comitê funciona na sede do Regional Norte II da CNBB, e tem como principal papel receber denúncias, apurar os fatos e encaminhá-los ao Ministério Público. Toni Vilhena avisa que as pessoas que procurarem denunciar os casos de corrupção devem estar cientes de que o trabalho do comitê é apenas de dar subsídios de como encaminhar casos de denúncias de corrupção eleitoral, como reunir provas e formalizar a denúncia para ser encaminhada ao Ministério Público.
Após as eleições o trabalho do comitê continua funcionando 24 horas, recebendo denúncias através do telefone: 0800-7074507. ?Qualquer denúncia como promessas de emprego, troca de voto por qualquer material ou dinheiro fica caracterizado como infração?, avisa Toni Vilhena.
Votar bem é um passo decisivo para a vida da população
Os eleitores católicos estão de olhos voltados para a boa escolha dos candidatos ao governo municipal. A dona de casa Marina Batista, 45, que freqüenta a Capela de Lourdes, observa a importância de se votar com compromisso e também da necessidade de se escolher um representante que tenha uma vida pautada na ética cristã.
Votar bem é dar um passo decisivo para a nossa vida. É preciso saber escolher e, se possível, conhecer um pouco do candidato do seu trabalho e ver realmente se ele pode fazer alguma coisa por nossa sociedade?, disse Marina que defende o posicionamento da Igreja de não indicar candidatos. ?Acho que o voto deve ser compromisso de cada um, de acordo com sua consciência?.
Já a estudante Sandra Nazaré Silva, 30, acha que seria melhor uma indicação da Igreja, ou mesmo um debate mais direto sobre o melhor candidato a ser eleito. ?Muitas pessoas não tem seu candidato definido e acabam votando em qualquer um. Acho que se a Igreja indicasse alguém seria mais confiável, saberíamos da sua vida como cristão e teríamos a esperança de estar escolhendo um bom representante para nós?, conclui Sandra.
Thiago Freitas, 18, também acredita que falta mais debate nas igrejas sobre o perfil dos melhores candidatos. ?Muitas paróquia preferem agir como se não houvesse um momento importante de decisão. É claro que o voto deve ser pessoal, mas a orientação deve ser dada por pessoas esclarecidas para o nosso povo?. A estudante Joselene Santana, sugere a criação de fóruns de debate nas paróquias especialmente ?para orientar os jovens que estão votando pela primeira vez e precisam saber que é uma responsabilidade de todos?, completa.
PJ se prepara para festejar o dia 31 de outubro
A Pastoral da Juventude (PJ) da Arquidiocese de Belém promoveu, no período de 27 a 30 de setembro, as Oficinas de Preparação ao Dia Nacional da Juventude 2004 (DNJ) o próximo dia 31 de outubro. O objetivo foi capacitar jovens, assessores e educadores para realizarem as atividades do DNJ, um projeto nacional da Pastoral nacional, em paróquias, escolas e comunidades. O Auditório do Centro Arquidiocesano de Pastoral, na Cúria Metropolitana de Belém, foi onde foram realizados os cursos que contaram com a participação de cerca de três jovens por cada paróquia da grande Belém, além da juventude integrante de entidades não-governamentais como a Universidade Popular (Unipop), o Fórum da Amazônia Oriental (FAO) e a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese).
O DNJ é um ato público realizado anualmente pala Igreja Católica no mês de outubro. A coordenação do evento é feita pala Pastoral da Juventude, com a intenção de mobilizar os jovens em geral a discutirem temas relacionados ao exercício de direitos e a cidadania, buscando soluções que possam suprir as muitas necessidades desse segmento da população. Segundo Camila Brito, secretária da PJ Arquidiocesana, ?o objetivo é acordar a juventude que ainda não conhece os seus direitos e valores e engaja-las na luta social?.
Pelo quarto ano consecutivo, o DNJ propõe a discussão do tema ?Políticas Públicas para a Juventude?, sob o lema ?Agente quer valer nosso Suor?. A PJ de Belém, realizou, pela primeira vez, a nível arquidiocesano, as Oficinas, que tiveram como eixo principal de debate a questão do emprego. A grande massa de desempregados do Brasil é formada por jovens na faixa etária entre 16 a 25 anos. Os integrantes da PJ da Arquidiocese, que ministraram os cursos essa semana, procuraram discutir medidas para reclamar às autoridades a implantação de políticas públicas consistentes para a juventude paraense.
Através de eventos como este, nós queremos mostrar aos jovens que a PJ não é apenas um movimento católico, mas também um movimento que se preocupa com a realidade social e com mudanças que possam melhorar a sociedade. A diferença é que fazemos tudo isso sob uma ótica cristã e pastoral?, afirma Camila Brito. Além de jovens das diversas paróquias de Belém, a juventude de entidades como a Unipop, o FAO e a Cese também participaram das Oficinas. No período de 20 a 26 de setembro, esse grupo também participou junto da Campanha Primavera para a Vida, promovida pela Cese, que este ano, propôs o tema ?Juventude e Paz?.
O período de cursos teve início na noite da última segunda-feira, 27, com uma mesa redonda que discutiu o tema da Campanha Primavera para a Vida. Durante a semana, as oficinas aconteceram no horário de 19 às 21h30. No convite aos jovens, a equipe arquidiocesana da PJ explica ?temos a missão de anunciar a todos os jovens a Boa Notícia que Deus nos confiou. A primeira tarefa é capacitar a juventude. O anúncio da Boa Nova precisa ser feito de modo alegre, envolvendo o máximo de pessoas da comunidade. O sucesso do DNJ depende de sua preparação, divulgação e participação democrática da juventude brasileira?.
Panorama ? Somar
Eleições municipais
Retificação - Na última edição, minha coluna saiu sem o título e o meu artigo ?Como estamos comemorando o Mês da Bíblia? foi publicado como se fosse de autoria do Pe. Giovanni Martoccia. Lamentamos o equívoco e pedimos perdão ao padre (que não tenho o prazer de conhecer) por ter assinado o que não escreveu.
Nada mais teria a escrever no jornal da nossa Arquidiocese, depois das declarações dos nossos Bispos, à qual sou obediente. Mas pediram a minha opinião e vou atender.
Sempre fui de opinião que a Igreja como Instituição deve ficar à parte - afastada - da política partidária. Apoiar qualquer candidato significaria apoiar o seu partido. E o que fazer, quando esses partidos não são fiéis aos seus programas e mudam até de filosofia?
Eu, desde muito jovem, sempre fui um adepto e ardoroso defensor da doutrina social da Igreja. Militante da Ação Católica, e estudioso da ?Rerum Novarum?, sempre acompanhei o pronunciamento dos Papas, até a Encíclica de João Paulo II sobre o Trabalho Humano (Laborem Exercens), na comemoração do 90° aniversário da carta do Papa Leão XIII, em maio de 1981. Não podemos esquecer muitos outros pronunciamento dos nossos inspirados Pontífices, sobre o comportamento do leigo católico, entre os quais destaco a Exortação Apostólica ?Familiaris Consórcio? - A Missão da Família Cristã - de 1982. A Encíclica ?Sollicitudo Rei Socialis? - Solicitude Social - de 1988, 20° aniversário da ?Populorum Progressio? do Papa Paulo VI. A exortação ?Christifideles Laici? sobre a Vocação e Missão dos Leigos, de 1989.
Material extremamente valioso e importante para o leigo consciente que quer viver de acordo com a sua Fé e a orientação da sua Igreja.
Infelizmente, não nos podemos aprofundar em tão grande manancial de conceitos valiosíssimos, frente à vulgaridade dos conceitos e promessas ocas das campanhas eleitoreiras em que a tônica geral é tentar subir sobre os defeitos dos outros.
É com tristeza que dificilmente encontramos um parlamentar, mesmo na área federal, que tenha conhecimento dos documentos a que acima me referi. O que dizer dessa legião de postulantes a representantes do povo ao legislativo municipal que se apresenta diariamente na televisão sem oferecer algo consistente? A maioria não conhece nada nem de leis civis.
Muito teríamos a escrever, mas, vamos resumir, lembrando que a responsabilidade é nossa: do eleitor. E essa responsabilidade é maior para o eleitor católico. A responsabilidade de saber escolher.
Vamos atender ao pedido dos oportunistas ou comprometidos com sistemas políticos ligados à corrupção? Ou vamos procurar analisar o comportamento do nosso candidato na sua condição familiar, no seu engajamento na nossa Igreja? Conhecem esses candidatos algum dos documentos acima ou um dos muitos documentos da CNBB, que deixei de relacionar para não esticar demais o assunto?
Indicam as pesquisas publicadas nos jornais diários que o candidato a prefeito que se apresenta como ?evangélico? está com pouco mais de 2%. Isto evidencia que não está sendo apoiado por todas as Igrejas protestantes. A quem estará sendo dedicado esse apoio?
É o nosso candidato a favor dos preceitos da Igreja, hoje tão ultrajados?
Tem o nosso candidato comportamento digno ou participa de falcatruas? Mais uma vez a responsabilidade é nossa. É o velho ?slogan?: ?Cada povo tem o governo que merece?. Reclamar depois não resolve. Portanto, é melhor procurar escolher antes.
Como eleitor católico tenho que saber escolher um candidato que esteja de acordo e que viva em conformidade com os meus precitos de fé.
Nazaré dos Paraenses
Hugo Antônio Ferrari
Nossa Senhora de Nazaré, padroeira dos paraenses, foi escolhida por Deus para ser a mãe de Jesus, o Salvador do mundo. Será que nós já conseguimos compreender o verdadeiro sentido desse grande e extraordinário mistério? Por sermos humanos, temos dificuldade de entender as coisas de Deus! no entanto, a salvação veio por intermédio de uma mulher que já nasceu santa, em cujo ser estava estampado o ?símbolo da pureza? de seu ventre para abrigar o Filho de Deus. Nossa Senhora - exemplo de amor e fé -, quer nos dizer que sem esses dons a nossa existência perde totalmente o sentido. Nunca foi tão necessário exercitar o amor e a fé para podermos suplantar os desafios cotidianos que nos afligem dentro de um mundo cada vez mais levado pelo ódio, pelo rancor, pela intolerância, pela ganância, pelo fanatismo, pelo oportunismo, pela corrupção, pelo aborto criminoso, pelas drogas, pela fome, pela miséria, pelo desamor, provando o quanto o amor e a fé fazem falta a humanidade. Se tivermos fé, o reino de Deus estará mais perto de nós! Nossa Senhora existe para fazer esse elo de ligação entre o céu e a terra. Essa também deverá ser a missão de todas as mães, de todos os pais: encaminhar seus filhos pelos caminhos que nos levam a plena felicidade. E nós, paraenses, temos permitido que Nossa Senhora nos conduza pelos caminhos da salvação, ou estamos nos desviando por atalhos enganosos onde perderemos a nossa alma? Não adianta somente prestarmos nossa homenagem a Virgem de Nazaré por ocasião do Círio que a todos encanta e comove, se não existir compromisso sincero com a prática do amor e da fé, cuja fonte reside no coração imaculado de Maria. Por que não buscar esse amor essa fé, cujo prêmio será a nossa morada definitiva ao lado de Deus.
Nossa Senhora de Nazaré, tu és, igualmente, a padroeira e rainha desta imensa Amazônia, atualmente tão explorada irracionalmente, deixando teus ribeirinhos, teus índios - seus habitantes naturais - preocupados com o tamanho da destruição inconseqüente e perversa que parece incontrolável. Salva Nossa Senhora esta Amazônia tão linda, tão rica, tão pródiga, tão exótica, tão exuberante, que inspirou o Cônego Ápio Campos ao compor o hino do ?Congresso Eucarístico Nacional? realizado em Belém.
Façamos de mais um Círio - expressão de fé e religiosidade sem precedentes -, a certeza de que Nossa Senhora estará sempre conosco esperando o nosso ?sim?, a fim de consolidar o nosso amor a Virgem Santa não apenas em solo paraense através das ruas e avenidas da nossa querida Belém, mas por toda eternidade no paraíso.
Feliz Círio a todos!
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