CADERNO 2

Paróquias também curam o corpo dos fiéis

          Cerca 600 pessoas são atendidas diariamente por médicos e odontólogos e outros profissionais da saúde que trabalham em consultórios e ambulatórios que funcionam em diversas paróquias da Arquidiocese de Belém. Os beneficiados são pessoas que não têm condições de enfrentar filas quilométricas que começam a se formar de madrugada em frente aos postos de saúde e que não garantem uma consulta imediata. Muitas vezes o doente somente será examinado meses após penar em filas.

          Sensibilizados com essa via-crúcis diária do seu rebanho, além da assistência espiritual dada aos enfermos, muitos párocos resolveram montar ambulatórios que oferecem atendimento gratuito ou cobrando taxas mínimas, que oscilam entre R$ 5 e R$ 20, às comunidades carentes da cidade. Paróquias chegam a fazer convênio com clínicas e hospitais para atender fiéis carentes.

          Solidários aos sacerdotes e a seus irmãos, médicos, odontólogos, enfermeiros e outros profissionais da saúde destinam parte de seu tempo para trabalhar voluntariamente atendendo necessitados, exercitando a solidariedade e ajudando a construir o Reino de Deus. Os serviços ambulatoriais e laboratoriais oferecidos nas comunidades são de qualidade. Clínica-geral, pediatria, ginecologia, dermatologia e tratamento dentário são os mais procurados.

          O ambulatório da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, na Cidade Velha, funciona de segunda a sexta, nos turnos da manhã e tarde. Lá, em média, são consultadas 50 pessoas por dia. ?Nosso ambulatório foi criado há quatro anos e foi fundado devido a necessidade de muitas pessoas que não conseguiam um atendimento médico. A paróquia está situada entre a Cidade Velha e Jurunas, onde muitas pessoas são carentes de assistência?, diz o auxiliar administrativo paroquial Aírton Pacheco.

          As consultas no ambulatório da Conceição custam R$ 13, que são destinados apenas à manutenção do centro na compra de remédios e material clínico, como luvas descartáveis e seringas. ?Esse trabalho é uma forma de ajudar o próximo que sofre. Precisamos cuidar da saúde do espírito, mas também do corpo, para que o ser humano esteja bem, por completo?, afirma Aírton.

          O Serviço Social da Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré, por meio do programa ?Recreação, Inclusão e Socialização?, desde 2001, assiste 40 ex-pedintes, que esmolavam nas escadarias da Basílica de Nazaré. Além do acompanhamento psicológico, social, familiar e profissional, os beneficiados recebem atendimento médico. Em parceria com a Pastoral da Solidariedade, o Serviço Social encaminha, de acordo com a demanda, os pacientes aos ambulatórios das comunidades paroquiais São José e Santo Antônio Maria Zaccaria, que dispõem de especialidades como dermatologia, clínica-geral, ginecologia, pediatria e odontologia. ?Para a Igreja, esse trabalho é muito importante, porque devemos cuidar da pessoa em todas as suas necessidades?, resume a assistente social Mônica Demachki.

          Ela informa que as 40 ex-pedintes recebem toda a assistência gratuitamente e que os dois ambulatórios da Paróquia de Nazaré são excelentes. ?Além do atendimento médico, elas recebem o carinho e atenção dos profissionais?. Às terças e sextas, os assistidos também participam de sessões de massoterapia e reflexologia.

          E a Paróquia de São Judas Tadeu, na Condor, possui um ambulatório há mais de 40 anos, que atende todo o bairro. As consultas para clínica-médica, odontologia e ginecologia custam R$ 15. Exames laboratoriais, como de fezes e urina, também são feitos a taxas mínimas. Entretanto, as pessoas mais carentes não pagam nada, assegura a administradora Santana Sarraf. Cerca de 30 pessoas, por dia, são atendidas de segunda a sexta. Moradores de outras áreas como Jurunas, Cremação Guamá e a população ribeirinha, que chega nos portos localizados na Avenida Bernardo Sayão, também são atendidos na São Judas. ?A Igreja também quer cuidar dos enfermos, como se fosse o próprio Cristo na figura dos irmãos. Enfrentar a fila do SUS (Sistema Único de Saúde) é uma tortura para pessoas que, muitas vezes, vivem no limite de suas forças?, diz Santana. ?A gente só lamenta não poder atender a todos?, finaliza.

 

Pastoral da Saúde
Remédios e orações

          A Pastoral da Saúde é um dos setores da Pastoral Social da Arquidiocese de Belém, que tenta suprir as carências da grande parte da população. A saúde é uma das maiores necessidades do povo paraense que em grande maioria vive em péssimas condições de vida, com falta de saneamento básico ou alimentação de qualidade.

          A Pastoral da Saúde propõe medidas alternativas para tratamento de enfermidades, como a medicina homeopática, promovendo também momentos de oração em que as pessoas recebem esperança de cura, através do Evangelho e dos ensinamentos de Cristo.

          Através dos núcleos setoriais de pastorais, a pastoral trabalha orientando pessoas carentes a como ter uma vida saudável. A PS indica tratamentos e receita remédios naturais para os doentes que procuram a ajuda da Igreja para se tratar por falta de alternativa. A realidade é que os postos de saúde públicos estão cada vez menos acessíveis e os remédios cada vez mais caros. Pessoas que procuram a medicina alternativa, podem ser atendidas na sede da pastoral, todas as manhãs, de 8h às 12h.

          Segundo a irmã Hélia de Jesus, coordenadora arquidiocesana da Pastoral da Saúde, assistir aos doentes não é somente uma forma de ajudar pessoas carentes pela opção que a Igreja Católica fez em assistir os necessitados e tentar suprir suas principais carências, mas também uma forma de fazer com que essas pessoas permaneçam na fé cristã e não duvidem em momento algum do amor de Deus. ?Seguimos os ensinamentos de Jesus. Antes de pregar, Cristo dava pão aos famintos e água aos sedentos. Ele também curava os doentes. Não adianta levar a Palavra de Deus a pessoas famintas ou enfermas, é como plantar em solos inférteis?, explica irmã Hélia.

          Os medicamentos naturais receitados pela Pastoral da Saúde, são fabricados pela própria equipe que também orienta e evangeliza os doentes. Os remédios são vendidos a preços simbólicos. A pomada de creolina, por exemplo, custa R$ 2, sendo o remédio mais barato. Medicamentos como xaropes para asma, são os de maior custo, no máximo R$ 7. De acordo com a coordenadora arquidiocesana, é impossível distribuir gratuitamente os remédios. ?Nós não recebemos doações ou ajuda financeira, a matéria-prima que usamos para fabricar os medicamentos só pode ser adquirida com o lucro da venda dos remédios?, diz.

          Serviço: A sede da Pastoral da Saúde da Arquidiocese de Belém fica na rua Marquês de Herval, 126, entre as ruas Antônio Baena e Curuzu. Mais informações 266-6436.

 

Na Paróquia do Bom Remédio, medicina alternativa cura pacientes

          A Paróquia de Nossa Senhora do Bom Remédio oferece à população carente aos comunitários do Conjunto Satélite, e até mesmo a comunidades vinculadas a outras paróquias, serviços de assistência médica e hospitalar. Seu projeto mais antigo é o de Medicina Alternativa. A partir do último dia 25, a paróquia também passou a oferecer atendimento ambulatorial aos necessitados.

          O projeto de Medicina Alternativa da Pastoral da Saúde consiste em tratamento homeopático com remédios naturais e ervas medicinais. Há dez anos, às segundas-feiras, pela tarde, e todas as manhãs das quartas e sextas-feiras, a equipe da pastoral atende as pessoas no Centro de Saúde Paroquial para fazer o diagnóstico e receitar medicamentos. Os próprios integrantes da pastoral fabricam os remédios, que são vendidos a preços simbólicos.

          Segundo Fernando Souza, coordenador da Pastoral da Saúde há 3 anos, os medicamentos mais baratos custam R$ 2, que são as pomadas e os xaropes. Remédios engarrafados, como mel de abelha, são os mais caros, custando R$ 5.

          De acordo com Fernando, os medicamentos não são gratuitos devido a necessidade de se ter um retorno financeiro da comunidade para poder adquirir a matéria-prima utilizada na produção dos homeopáticos. O projeto também precisa de infra-estrutura adequada para a manutenção do laboratório, onde são confeccionados os remédios. ?Através do lucro com a venda dos medicamentos e de doações de paroquianos, nós caminhamos devagar rumo as melhorias?, afirma o coordenador.

          Além da orientação para uma vida mais saudável, a evangelização também é um serviço que o projeto oferece.

          Além da doença do corpo, existe a doença do espírito. Na maioria das vezes, é por meio do nosso serviço e da Palavra de Deus que as pessoas encontram a cura, seja do corpo ou da alma?, ressalta Fernando Souza. Cerca de 15 pessoas procuram a paróquia por dia. ?Nós atendemos qualquer pessoa. Aqueles que Jesus nos encaminha?, diz Fernando. Durante as celebrações realizadas na igreja matriz, várias pessoas já deram testemunhos de cura alcançada por meio de orações e dos remédios naturais da Pastoral da Saúde.

          Iniciativa - A Paróquia do Bom Remédio, em parceria com profissionais da Universidade Federal do Pará (UFPA), com a Pastoral da Saúde e com a Pastoral da Criança, ambas setoriais, realizaram, no último dia 25, o primeiro dia de atendimento clínico-hospitalar aos comunitários do Conjunto Satélite. Esse foi o momento inaugural de um projeto que, segundo Irlandina Souza, coordenadora da Pastoral da Criança há 5 anos, vai se estender durante muito tempo. Clínica geral, pediatria, nutrição, geriatria e fonoaudiologia são algumas das especialidades oferecidas pelo projeto.

          Os médicos são só os instrumentos. Quem realmente realiza as curas, é Deus?, afirma Irlandina. Os médicos e estagiários do Hospital Bettina Ferro de Souza da UFPA concordaram em atender, gratuitamente, cerca de 80 pessoas residentes no Conjunto Satélite que se cadastraram no projeto. Os encontros serão realizados todos os sábados, das 8h às 12h, na paróquia, e as especialidades oferecidas pela pastoral são o atendimento materno-infantil, geriátrico e o direcionado a saúde da mulher. As mães moradoras também podem participar de cursos ministrados por nutricionistas da UFPA que ensinam a melhor forma de aproveitar alimentos, plantar hortas comunitárias e manipular frutas e verduras. Novas turmas serão formadas todos os semestres com 25 vagas. As aulas são realizadas às quintas-feiras, das 15h às 18h, no Centro de Saúde Paroquial.


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