CADERNO 2

São Miguel mobiliza católicos na Cremação

          Setembro foi um mês especial para os 6 mil participantes da Paróquia de São Miguel Arcanjo, na Cremação. A programação em louvor ao patrono, que no calendário litúrgico é celebrado no dia 29 de setembro, iniciou-se no dia 1º , com peregrinação nas casas. Mais de 300 famílias foram visitadas por 50 imagens do ?príncipe das milícias celestes?. Após o encerramento da peregrinação (dia 15), celebrações festivas foram realizadas na matriz.

          A festividade corre dentro do sentido do anúncio do querigma e do envio missionário?, explica padre Stélio Girão, pároco há cinco anos. ?É também a renovação de toda a nossa equipe de Catequese e de Evangelização para o anúncio do Evangelho em todo o nosso bairro?.

          Na visão do sacerdote, a missa que reuniu cerca de 200 idosos e enfermos foi o momento mais bonito da festa, às 9h do dia 25. A Paróquia encarregou-se de transportar os participantes que, antes de retornarem às casas, desfrutaram de café da manhã gratuito.

          São Miguel, para nós, representa o anúncio de Deus, que é nosso Pai?, esclarece padre Stélio Girão. ?Devemos lutar contra o mal, para vencermos e ficarmos na Glória de Deus?.

          Ainda de acordo com o pároco, a palavra ?arcanjo? quer dizer ?primeiro anjo?. Outros seres celestes que recebem o mesmo título são os santos Rafael e Gabriel.

          Retratos paroquiais - São Miguel conta com atendimento psicológico (voltado à melhoria da auto-estima dos paroquianos, como promoção de festas, exercícios físicos, aulas de danças, etc.), sociológico e filantrópico (distribuição de sopa). Uma das metas de 2005 é a realização de retiros para pessoas da terceira idade fora de Belém. Mas a atividade paroquial que recebe mais atenção é a Catequese, com turmas para várias idades (de 4 a mais de 60 anos).

          No domingo, dia 26, as crianças participaram de uma romaria própria. ?Colocar no coração das crianças a importância de São Miguel é algo de vital importância?, diz diácono Antônio Moura. ?Ele é o defensor dos que sofrem perseguição, é aquele que nos defende no combate e nos leva a lutar contra o mal. Se nós colacarmos isso na cabeça de nossas crianças, que elas devem sempre lutar contra o mal, livrando-se de toda a maldade, nós teremos no futuro homens cristãos, tementes a Deus, com amor no coração.?

          Com tema ?Com São Miguel, a Jesus Fonte de vida?, a festividade contou ainda com terços da alvorada, rezados sempre ao ar livre ao amanhecer, carreatas, romarias missionárias e novenas. O destaque foi a 1ª Corrida de São Miguel. Participaram 60 atletas, alguns oriundos de outros estados. Para o encerramento, na quarta-feira, dia 29, após o fechamento desta edição da Voz de Nazaré, estavam programados missa presidida por Dom Vicente Zico, procissão luminosa e show pirotécnico.

 

Continuam reforma na Igreja de Santa Ana

          A secular igreja de Sant?Ana da Campina passará pela segunda etapa de reforma neste mês de outubro. A primeira etapa foi concluída em agosto e uma equipe técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizou uma fiscalização na obra. Até agora já foram feitas 30 prospecções estruturais, 40 pictóricas e recuperação do telhado, reboco externo e da cobertura da cúpula, de acordo com a idéia concebida pelo italiano Antônio Giuseppe Landi, arquiteto autor do projeto da igreja.

          A restauração do templo começou em dezembro do ano passado. A segunda etapa, que está prevista para iniciar neste mês de outubro, deve recuperar as esculturas e reconstituir molduras e pisos. A cúpula da igreja estava coberta com lâminas metálicas. No projeto de Landi, a cúpula era trabalhada com telhas germânicas em cerâmica no formato de escamas de peixe.

          O material enferrujado foi retirado, colocada argamassa e chapa de alumínio para receber as telhas germânicas. Esse processo vai impedir a penetração da água das chuvas, responsáveis pelas infiltrações e goteiras que ameaçavam a estrutura do templo.

          O superintendente regional do Iphan, Cristóvão Duarte, afirmou que na segunda etapa haverá intervenção no altar-mor, na gruta de Lourdes e no paravento - pórtico de madeira na entrada do templo. O anexo à esquerda da igreja, construído na década de 1970, onde ficam alojamentos dos padres, será demolido. Já o anexo à direta, que serve à secretaria, ganhará uma solução mais adequada que interfira menos no patrimônio histórico.

          A igreja de Santana da Campina foi construída em 1762 com grande empenho e participação do italiano Landi. Devido à escassez de recursos, somente 20 anos depois foi inaugurada. Desde a inauguração, a igreja apresentou problemas estruturais e passou por inúmeras reformas. Em 1840, foram inseridas as duas torres laterais. De 1851 a 1855 passou por uma grande reforma. Em 1893, foi acrescentado pavimento em mármore e altar, o assoalho foi substituído por mosaicos e a capela-mor pintada. Em 1902, foi sagrado o altar-mor e, três anos depois, inaugurada a Gruta de Lourdes.

          Em 1947, foram cavados quatro nichos nas paredes das capelas laterais e o sepulcro para imagem do Senhor Morto. Constam ainda da historiografia do templo outras intervenções realizadas no decorrer dos séculos XIX e XX, como a pintura marmorizada, o revestimento do piso da nave, sacristia e capelas laterais com ladrilho hidráulico e o volume anexo à esquerda, que abriga os aposentos dos padres. Conforme pesquisas do Iphan, supõe-se que o volume anexo direito que abriga o consistório e a secretaria também seja extemporâneo.


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