CADERNO 2

Bispo fala da importância de se buscar a santidade na festa de Santa Teresinha

          No bairro de Águas Lindas, a paróquia de Santa Teresinha, iniciou no último sábado, 25, a festividade da sua padroeira. Na abertura foi celebrada missa, às 19h, pelo bispo Dom Carlos Verzeletti, que falou durante sua homilia da necessidade de se buscar sempre a santidade.

          Logo no início da celebração ele fez um convite para que toda a assembléia rezasse pelas comunidades, famílias, jovens, idosos e todas as pessoas que querem viver a sua fé seguindo o exemplo de Santa Teresinha. ?Quando contemplamos os santos é para nos animar na santidade. De todas as coisas que fazemos, no nosso dia a dia, a mais importante é buscar é a santidade?, ensinou Dom Carlos lembrando que o caminho de santificação de cada cristão inicia no dia do Batismo quando se recebe a Santíssima Trindade.

          Dom Carlos lembrou ainda que é preciso procurar a santificação desde cedo, assim como Santa Teresinha que desde pequena ?buscou a santidade?.

          Antes da missa celebrada por Dom Carlos foi realizada procissão com imagem de Santa Teresinha, saindo da comunidade de Jesus de Nazaré, em direção à igreja matriz. Em todas as noites da festividade foram realizadas celebrações eucarísticas, às 19h, sempre antecedidas pela oração da novena. Após as celebrações os paroquianos participaram de programação cultural com venda de comidas e atrações musicais.

          Ontem, 30, um momento especial na paróquia foi a celebração de casamentos comunitários. Amanhã, 2 de outubro, acontece a missa dos enfermos, às 8h30, organizada pelos ministros extraordinários da Eucaristia.

          A festividade termina com a procissão luminosa saindo da comunidade de São João Bosco, até a igreja matriz. Após a chegada dos fiéis, Dom Vicente Zico presidirá solene celebração eucarística, às 19h.

          O pároco da igreja de Santa Teresinha, padre Francisco Red, está com boas expectativas para a evangelização durante a festividade. ?Espero a conscientização do povo para se aproximar mais da Igreja, pois estamos vivendo um período de muito ceticismo da parte do povo que se afasta por qualquer motivo, estamos precisando conquistar esta gente?, analisa padre Red.

          O sacerdote lembra que Águas Lindas é um bairro formado a partir de áreas de ocupação, portanto apresenta uma religiosidade mista. ?Parece que os moradores são sedentos de algo que não encontram, por isso há muitas seitas e outras igrejas?, observa. Ele destaca ainda que, apesar da paróquia de Santa Teresinha estar sempre lotada durante as celebrações, às vezes o povo parece muito superficial. ?Querem ir à missa mas não assumem nenhum compromisso?, conclui.

          Padre Francisco Red acredita que não há melhor padroeira para a comunidade que Santa Teresinha. ?Águas Lindas precisa muito de uma santa como Santa Teresinha, pois ela sempre tem nos ensinado a ser fiel nas pequenas coisas. E, por todas as coisas que ocorrem neste bairro, é necessário que tenhamos bastante fé começando pelas pequenas coisas?, ensina o pároco.

          Ele afirma que um caminho para ter fé é ?viver a solidariedade entre os irmãos?. ?Sentimos agora, neste período de preparação para a festa, a necessidade de trabalharmos em conjunto para abrilhantar a glória de Deus em nossa festa. Está todo mundo empenhado, mas o sentido do Evangelho mesmo é viver este empenho da fidelidade nas pequenas coisas?, completa.

          Padre Red explica que não foi escolhido um tema específico para a festividade, justamente para que as pessoas deixem Deus agir nas vidas a partir do exemplo de vida e fidelidade de Santa Teresinha.

          Para homenagear esta santa a paróquia realiza a programação festiva até amanhã, dia 2 de outubro. Em preparação para a festividade foi realizada uma semana de evangelização com visitas nas casas, reza das novenas e terços.

 

No Jurunas, 70 anos de fé com Santa Teresinha

          A Paróquia de Santa Teresinha do Menino Jesus está festejando a padroeira com uma intensa programação litúrgica. ?Com Santa Teresinha, 70 anos de fé, vida e esperança? é o tema deste ano em preparação para o septuagésimo aniversário paroquial, que será comemorado em 12 de janeiro do próximo ano.

          Hoje, às 20h, o arcebispo metropolitano Dom Vicente Zico presidirá missa solene, realizando a tradicional ?Bênção das Rosas?, como sinal de espiritualidade teresiana. No domingo, 26, o bispo auxiliar Dom Carlos Verzeletti esteve no Jurunas para falar das virtudes da santa. A festividade encerra amanhã, 2. Os enfermos das comunidades receberão bênção especial em celebração especial, às 8h. À noite, os devotos vão sair em procissão pelas ruas do bairro, após a missa das 18h.

          De acordo com o pároco, monsenhor Marcelino Ferreira, os paroquianos vivem dias de felicidade e paz. ?A festa da padroeira está sendo vivida com fraternidade e a expectativa de completarmos os 70 anos de vida paroquial. Estamos dando um brilho especial à festividade?, afirmou.

          Em março deste ano, Dom Vicente abriu o Ano Jubilar na paróquia e até janeiro de 2005, os católicos vão refletir sobre a história da Igreja no bairro. ?A festividade está sendo o ponto do alto das comemorações. As pessoas estão assumindo o compromisso de participação, nos atos litúrgicos e serviço pela Igreja?, disse.

          Na quarta-feira, 29, a paróquia participou de uma missa especial para as famílias. ?Não podemos celebrar Santa Teresinha sem falar de família. Ela é filha de pais bastante cristãos e incentivou as famílias na descoberta de Cristo. A família é prioridade para a Igreja e por isso fazemos essa celebração especial?, justificou monsenhor Marcelino. Para reforçar o clima familiar na festividade, ontem, a Paróquia Santa Luzia, também localizada no Jurunas, organizou uma celebração litúrgica na ?paróquia-irmã?, presidida pelo pároco padre Romeu Ferreira. Dezenas de paroquianos da Santa Luzia participaram da missa.

          Monsenhor Marcelino explica o tema da festividade. Segundo ele, a reflexão sobre a ?fé? suscita nos paroquianos o compromisso eclesial, através do Batismo. ?E essa reflexão nos ajuda a valorizar os 70 anos da paróquia?, resume. Já a ?vida?, continua o sacerdote, ?é dada por Deus, mas também somos responsáveis pela nossa e pela dos outros para que façamos dela sinal de compromisso de batizados?. E a ?esperança?, para o monsenhor, é necessária para que o ser humano ?enfrente os obstáculos da vida?. ?O mundo está marcado por contravalores. A sociedade está associada à cultura da morte e individualismo e Santa Teresinha nos mostra caminhos de amor e esperança para olharmos para o futuro e não desanimar?, finaliza.

 

Uma mente sadia
Psicóloga Lúcia Abreu

          O que significa saúde mental? E quem, de fato, é sadio mentalmente? No século passado, ninguém falava de saúde mental ou maturidade psíquica: de 1945 em diante este era apenas um discurso isolado; mas atualmente muita gente discute esse tema e se interessa por ele. No entanto, como nem sempre a abertura para aquilo que é atual e popular caminha junto com uma compreensão clara, é sempre necessário refletir sobre o que esperamos exatamente de uma sanidade mental ou maturidade psíquica.

          São inúmeras as posições da psicologia sobre este conceito. Para Freud, ser sadio mentalmente significava duas coisas: amar e trabalhar. Alfred Adler, psicólogo austríaco, acrescentava, além do amor e do trabalho, a capacidade de se socializar com os próprios semelhantes. Outro grande nome da psicologia, Victor Frankl, via o sofrimento em lugar da socialização, ou seja, além de amar e trabalhar concebia a capacidade que o homem tem de saber sofrer.

          Após anos de prática psicoterápica eu constatei que a saúde mental consiste em sermos, ao mesmo tempo, capazes de amar, sofrer e nos socializar. Para parecer uma tentativa de compromisso entre as posições que citei antes. Mas tudo que constatei não é definição teórica: é conseqüência das mudanças benéficas que se desenvolveram nos pacientes como resultado de uma psicoterapia adequada.

          Poderíamos agrupá-las em tre tópicos: 1. Confiança em si mesmo. 2. Crescente capacidade de opor-se à angústia. 3. Desenvolvimento do sentimento comunitário. No primeiro tópico temos a liberdade de usar os nossos poderes sem o impedimento interno, fruto da angústias que têm a sua origem na infância: enfim, a aceitação positiva dos próprios limites. No segundo, temos a capacidade de reagir e de vencer os episódios que produzem angústia, e de não sermos invadidos pelo pânico que nos joga em uma prejudicial dissociação moral diante dos contatos sadios com o próprio ambiente. Finalmente, no terceiro tópico, temos o comportamento progressivo de confiar de todo o coração em autênticos relacionamentos humanos e no trabalho construtivo, ou seja, assistimos a uma diminuição dos medos de ficar comprometido, dominado, sufocado ou pisoteado nos relacionamentos com os outros. São esses medos que levam muitas pessoas a lutarem para conseguir uma falsa independência, isolando-se em um modo de vida indefinido, não rejeitando nem aceitando relacionamentos estreitos com os próprios semelhantes.

          Tudo o que foi dito acima pode significar que um grande número de pessoas vive apenas uma vida pela metade, bem abaixo das suas reais capacidades de criação, satisfação e realização.

          A saúde mental, entendida como capacidade de amar, sofrer e se socializar, é a capacidade de viver plenamente de uma forma que nos permita realizar as nossa potencialidades naturais e que nos una em lugar de nos dividir de todos os outros seres humanos.

          Mas quais são estas potencialidades naturais? Primeiramente uma percepção correta da realidade, no sentido de ver a natureza humana assim como ela é, e não como gostaríamos que fosse. Isso porque as pessoas mentalmente sadias possuem olhos que vêem, não se limitando ao olhar: vêem o que está diante deles sem as deformações devidas a ?óculos? de vários tipos que alteram a forma ou a cor da realidade. Percebem, portanto, as coisas como estão e não os próprios pensamentos, desejos, esperanças, expectativas, anseios, idéias.

          Além de uma percepção correta da realidade, as outras potencialidades da pessoa madura são: bom senso, espontaneidade, simplicidade, naturalidade nos relacionamentos, autonomia e independência em relação às influências negativas da cultura e do ambiente, capacidade de fazer avaliações sempre novas, capacidades de acolher os problemas dos outros, capacidade de criar relacionamentos interpessoais mais profundos do que a média das pessoas, caráter dócil e aberto, humorismo filosófico, natural tendência aos valores e clareza sobre o sentido da vida.

          Para concluir, nas pessoas maduras a velha oposição entre coração e mente, entre razão e instinto, desaparece, ou melhor, estes dualismos, ao invés de serem antagonistas, tornam-se sinérgicos e os conflitos desaparecem. Em suma, nessas pessoas mentalmente sadias os desejos estão em perfeito acordo com a razão. A fórmula de Santo Agostinho: ?Ama e faze o que queres? pode ser assim traduzida em nível psicológico: ?Sê sadio e poderás confiar nos teus impulsos?.


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