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José Ratzinger, eleito Papa Bento XVI na terça-feira
passada, saúda o rebanho
que vai guiar da sacada
do palácio espiscopal logo após a eleição
cardinalícia
Cardeal Joseph
Ratzinger é o
Papa Bento XVI
Vaticano
O cardeal alemão Joseph
Ratzinger, que completou 78 anos no último sábado,
foi escolhido o novo chefe da Igreja Católica
Apostólica Romana em substituição
a João Paulo 2º. Ratzinger usará o
nome de Bento XVI. O decano dos cardeais foi considerado
o “braço direito” de João
Paulo 2º nas questões doutrinárias
e deve dar continuidade aos trabalhos de internacionalização
e rigidez moral do pontificado anterior.
Durante os últimos anos de João Paulo
2º, Ratzinger cuidou de muitas das funções
do Sumo Pontífice como líder da Igreja
Católica. Ele e João Paulo II foram chamados
de “colegas intelectuais” - Ratzinger,
a exemplo do Papa, tem pontos de vista conservadores
sobre temas como o controle da natalidade, diálogo
entre as religiões, casamento gay e feminismo.
O cardeal alemão começou a ganhar atenção
ao chegar a Roma, em 1962, como teólogo conselheiro
do cardeal Joseph Frings (de Colônia, Alemanha)
no Segundo Concílio do Vaticano. Aos 35 anos
se converte em uma espécie de “estrela” da
teologia.
Depois da morte de João Paulo 2º, no dia
2 de abril, Ratzinger deixou sua função
como encarregado da Congregação para
a Doutrina da Fé. O alemão se comunica
em dez línguas e recebeu sete doutorados honorários. É considerado
um excelente pianista, e tem preferência por
obras de Beethoven (1770-1827). Ratzinger é o
oitavo Sumo Pontífice alemão do Vaticano.
Sábado de Aleluia - O cardeal nasceu em um Sábado
de Aleluia em Marktl am Inn, na Baviera, em 16 de abril
de 1927, e foi batizado no mesmo dia. Filho de um policial,
Ratzinger viajou por muitas cidades devido às
intermináveis transferências de local
de trabalho impostas a seu pai.
Em dezembro de 1932, devido às críticas
abertas do pai de Ratzinger contra os nazistas, sua
família foi obrigada a se mudar para Auschau
am Inn, nos alpes da Baviera. Cinco anos mais tarde,
com a aposentadoria de seu pai, a família de
Ratzinger se mudou para Hufschlag, nos arredores da
cidade de Traunstein (Baviera), onde Ratzinger passou
a maior parte de sua adolescência.
Ratzinger começou a estudar latim e grego ainda
no ginásio. Em 1939, aos 12 anos, dá o
primeiro passo para sua carreira eclesiástica
e entra para o pequeno seminário de Traunstein.
Quatro anos mais tarde Ratzinger e seus colegas de
seminário foram convocados para o Flak (corporação
antiaérea), responsável pela proteção
de uma fábrica da BMW em Munique, durante a
Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Ainda assim, continua
freqüentando as aulas no Maximilians-Gymnasium
(Munique) três vezes por semana. Prisioneiro
de guerra - Na primavera de 1945 (final de abril),
com a aproximação das forças aliadas,
Ratzinger desertou do Exército e se dirigiu
para sua casa em Traunstein. Quando os americanos finalmente
chegaram a seu vilarejo, eles resolveram estabelecer
um quartel-general na casa de Ratzinger —que
foi identificado como um soldado alemão e preso
num campo para prisioneiros de guerra.
Em junho do mesmo ano foi libertado e voltou mais
uma vez para sua casa em Traunstein, seguido por
seu irmão
Georg, em julho. Em novembro, finalmente, Ratzinger
e seu irmão retornaram ao seminário.
Em 1947, Ratzinger entrou no Herzogliches Georgianum,
um instituto teológico associado à Universidade
de Munique. Paralelamente, estudou filosofia e teologia
na universidade de Munique e na Escola Superior de
Freising.
No dia 29 de junho de 1951, Ratzinger e seu irmão
foram ordenados padres pelo cardeal Faulhaber de Munique
na Catedral de Freising, durante a festa de São
Pedro e São Paulo.
“É um dia muito feliz
para a Igreja”, diz Arcebispo de Belém
Na tarde de terça-feira, após
a apresentação pública do Papa
Bento XVI, o Arcebispo Metropolitano de Belém,
Dom Orani João Tempesta, falou à imprensa
belenense na Cúria Metropolitana. “É um
dia muito feliz para a Igreja”, explicou Dom
Orani, que também notou que este foi um dos
conclaves mais curtos na história da Igreja.
Em apenas quatro escrutínios, um candidato alcançou
dois terços dos votos. “Temos muita confiança
do que Deus fará através dele na Igreja
e na sociedade”. Dom Orani recordou que na homilia
da missa de abertura do conclave, Bento XVI já se
mostrava preocupado com o avanço da evangelização
no mundo. A respeito da idade do novo Sumo Pontífice,
o Arcebispo recorda que o bem-aventurado João
XXIII também foi eleito Papa aos 78 anos, o
que não o impediu de realizar um pontificado
marcante para a história da Igreja (foi João
XXIII quem conclamou o Concílio Vaticano II). “Não é a
sua idade, nem a sua biografia, mas a ação
do Espírito Santo é o que realmente importa”.
Dom Orani marcou uma missa de ação de
graças pela eleição do Papa. A
celebração estava prevista para as 19h
de ontem, após o fechamento desta edição.
Outro sinal de comunhão de Belém com
a Igreja Universal foi o badalar dos sinos nas igrejas
da Arquidiocese após o anúncio. Na única
visita Ad Limina que fez à Santa Sé,
Dom Orani encontrou-se com Cardeal Joseph Ratzinger,
então presidente da Congregação
para a Doutrina da Fé. A tranqüilidade
que demonstrou ao responder às questões
mais espinhosas feitas pelos bispos do Regional Sul
1 chamou sua atenção. “Ele tem
cabeça aberta e é, ao mesmo tempo, é bastante
claro”. Questionado pelos jornalistas se a eleição
de Bento XVI representa a continuação
do papado anterior, Dom Orani explicou que a Igreja é sempre
uma continuidade. Por outro lado, cada Papa sempre
deixa uma contribuição específica
para a Igreja de Cristo. A contribuição
de Bento XVI está em ser uma pessoa muito atualizada
nas questões contemporâneas, como a indiferença
religiosa na Europa. Quanto à classificação
de conservador, o Arcebispo acredita quem o classifica
assim são os profissionais da imprensa. “Qualquer
pessoa que estivesse no seu lugar (na presidência
da Congregação para a Doutrina da Fé),
qualquer teólogo que fosse fidedigno à Igreja
faria a mesma coisa (que ele fez)”. O fato de
ter sido eleito em apenas quatro votações
mostra que não houve cisão entre os cardeais,
ao contrário do que especulou um dos jornalistas
presentes à coletiva na Cúria Metropolitana.
Sobre a escolha do nome, Dom Orani diz que ficou especialmente
feliz por ele ter escolhido o mesmo do patrono dos
monges do Oriente, São Bento (o Arcebispo é monge
da Ordem dos Cistercienses). Em junho, ele vai se encontrar
com o Papa, para receber o pálio, um paramento
litúrgico de lã que representa as ovelhas
que um Arcebispo carrega sobre os ombros. Para o vigário
geral da Arquidiocese, monsenhor Marcelino Ferreira,
a escolha do novo Papa é um momento de alegria,
de gratidão e de esperança.
Para o Arcebispo
Emérito, Espírito
Santo determinou a escolha
Alegre pela escolha de Bento XVI,
o Arcebispo Emérito Dom Vicente está convicto
que o Espírito Santo foi quem determinou a escolha. “Tenho
grande esperança do muito que poderá fazer”,
disse.
Nos cinco anos em que foi integrante da Comissão
Pontifícia para a América Latina, Dom
Vicente esteve próximo do Cardeal Joseph Ratzinger.
Nas visitas Ad Limina que fazia ao Santo Padre quando
Arcebispo de Belém, também costumava
ser recebido pelo Cardeal que ocupava o cargo de presidente
da Congregação para a Doutrina da Fé.
Dom Vicente também afirma que acompanhava as
intervenções de Bento XVI em reuniões
de teólogos. “Ele era de fato agradável
e notável pela serenidade no trato e ao responder às
questões mais delicadas. Era muito simpático”,
recorda.
“É
com grande alegria que vivemos este momento da história
mundial”, disse Dom Carlos Verzeletti, Bispo
da Diocese de Castanhal.
Dom Carlos revelou que se sente satisfeito com a decisão
dos cardeais e que orou muito para que eles fizessem
a escolha correta. “Aquele que é do agrado
do Senhor é também do meu agrado”,
disse. O Bispo falou que estava em uma repartição
pública quando recebeu a notícia de que
haviam soltado a fumaça branca do alto da Capela
Sistina, indicando que “Habemos Papam” (“Já temos
Papa”, em italiano).
“
Depois do belo e grande pontificado de João
Paulo II, o Cardeal Joseph Ratzinger será o
próximo a conduzir as nossas vidas nos futuros
anos”, afirmou Dom Carlos. O Bispo acredita que
Bento XVI, que durante quase 20 anos foi prefeito da
Congregação da Doutrina e da Fé,
dará continuidade ao pontificado de João
Paulo II. “Demos graças a Deus e acolhamos
com alegria o sucessor de Pedro”. Dom Carlos
também pontuou as qualidades de Bento XVI: “simplicidade,
doçura, humildade, força e fé madura”.
Para o Bispo, os que tacham Ratzinger de integralista
e conservador são pessoas de pouca fé. “Devemos
viver esse momento com os olhos da fé e com
anseios de bem”. Dom Carlos lembrou que, em homilia
proferida durante a cerimônia que precedeu o
conclave, Bento XVI teria dito “O pontificado é um
dom de Cristo aos homens” e orou para que Deus
concedesse aos católicos do mundo inteiro “um
pastor capaz de levar toda a humanidade ao conhecimento
de Cristo, ao seu amor e à verdadeira alegria”.
Na opinião do Bispo de Castanhal, Joseph Ratzinger,
ao traçar o perfil do novo Papa, estava caracterizando
a si próprio sem perceber. “Um simples
e humilde trabalhador da vinha do Senhor”, afirmou.
Dom Carlos disse ainda que não precisamos nos
preocupar porque o compromisso de Bento XVI é uma
relação com o povo baseada em uma relação
de fidelidade a Deus. “O Cardeal nos convidou
a termos uma fé clara, segundo o Credo da Igreja,
adulta e madura profundamente arraigada com os ensinamentos
de Cristo e que não se deixa levar por modismos”.
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