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Ana, Felipe e Ida: crescimento espiritual e ajuda
aos irmãos brasileiros
Enfermeira italiana
veio ajudar trabalho da Pastoral da Criança Católicos
italianos estão em Belém para viver
experiência de vida comunitária e crescimento
espiritual. Anna Maria Giannella (47 anos), Ida Ruella
(50) e Fillipo Bechis (31) estão compartilhando
o dia-a-dia da missão dos Reconstrutores na
Oração, que mantém na cidade
uma comunidade religiosa formada por dois padres
italianos (Santo Papalardo e Virgílio Agostinelli,
que realizam apostolado na Paróquia de São
Pedro e São Paulo, no Guamá), duas
religiosas (a romena Ângela Tuttas e a italiana
Letícia Mereu) e o missionário leigo
italiano Dario Pentenero e sua esposa, Gianna Pezzini.
A professora de letras Anna Maria Gianella vive em
Roma. “Da minha casa, vejo a cúpula
maior da Basílica de São Pedro”,
diz. Ela está à espera do marido, que
chega ao Brasil ainda no mês de agosto, para
juntar-se ao grupo de voluntários. Anna Maria
Gianella conta que decidiu usar o período
de férias para “dar uma mão em
casa e no trabalho que eles (os Reconstrutores da
Oração) fazem aqui”. “Dar
a mão” quer dizer, entre outras coisas,
trabalhar na reforma do “pequeno mosteiro” dos
Reconstrutores em Belém, localizado no bairro
da Pedreira, e ajudar na preparação
das refeições. Em anos anteriores,
ela usou as férias para colaborar em comunidades
dos Reconstrutores na Itália. Mãe de
dois filhos, Anna revela com entusiasmo que um tio
e um tio-avô foram missionários no Brasil.
O primeiro foi religioso da Companhia dos Servos
dos Pobres (congregação fundada por
São Jerônimo Emiliani); o segundo, padre
jesuíta. Sobre os tios-sacerdotes, Ettore
e Giuseppe Gianella (já falecidos), Ana Maria
está em busca de informações.
Durante sua passagem por Belém, Anna Maria
Giannella pretende promover uma palestra sobre Dante
Alighieri e sua obra mais famosa, A Divina Comédia. “Dante,
quando fala de uma viagem para o além, está realmente
ensinando como entrar, já nesta vida, em contato
com toda essa realidade espiritual. Por essa razão,
a obra não é só uma invenção,
mas é um guia para a nossa espiritualidade:
rezar e entrar em contato com os seres espirituais,
rumo ao infinito”. Ida Ruella é professora
de matemática na cidade de Alba. Esta é sua
primeira experiência de vida comunitária
fora da Itália. Ficará em Belém
até o dia 31 de agosto. Com o desejo de colaborar
com o apostolado dos Reconstrutores da Oração,
no começo deste ano o arqueólogo Fillipo
Bechis, morador de Turim, foi ao encontro do fundador
dos Reconstrutores da Oração, o jesuíta
Gianvittorio Cappelletto, para saber onde poderia
ser útil à congregação
em um período de voluntariado. A resposta
foi Toscana, onde os Reconstrutores mantêm
um centro. Um mês depois, foi-lhe apontado
o Brasil. O período de voluntariado, que começou
em 24 de maio e termina em 24 de setembro, é um
tempo de prova, quando o italiano vai se decidir
se quer continuar como leigo colaborador ou de fato
inserir-se na vida comunitária como leigo
consagrado, irmão religioso ou padre. Além
de Belém, Fillipo visitou o Marajó,
conhecendo comunidades de Ponta de Pedras e Cachoeira
do Arari. “Foi incrível a acolhida,
o espírito gentil e acolhedor do povo, em
particular os pobres, que tem muito pouco mas para
quem é importante dar muito”, testemunha.
Além de ajudar no trabalho, os voluntários
compartilham a vida de oração dos Reconstrutores
da Oração, realizando quatro meditações
por dia, de meia hora cada.
Serviço - Pessoas interessadas
em participar da palestra sobre Dante Alighieri com
a professora Anna Maria Giannella ou saber mais sobre
os Reconstrutores da Oração podem entrar
em contato pelo telefone 3264-7535.
Enfermeira
italiana veio ajudar trabalho da Pastoral da
Criança
A enfermeira e assistente social
psiquiátrica Tiziana Sciarra, 43 anos, trocou
Gênova, cidade localizada na região
de Ligúria, no noroeste da Itália,
pela Vila de Jenipapo e Santa Cruz do Arari, no arquipélago
do Marajó. Durante quatro semanas, ela viveu
uma experiência como voluntária na Pastoral
da Criança. Em trânsito por Belém,
ela se prepara para recomeçar o voluntariado
em Santa Cruz do Arari. O trabalho deve se estender
até o final de setembro, quando retornará para
a Itália. A enfermeira chegou ao Pará no
dia 25 de maio. Após um período de
adaptação em Belém, passou uma
semana na sede municipal de Santa Cruz do Arari e
três em Vila de Jenipapo (que pertence ao município).
A vinda ao Pará foi possível graças à colaboração
dos Reconstrutores da Oração, que viabilizou
a comunicação entre a enfermeira e
a Pastoral da Criança da Diocese de Pontas
de Pedras. A Vila de Jenipapo fica localizada às
margens do lago Arari. É constituída
basicamente por palafitas (casas construídas
sobre a água). “Em Jenipapo, falta tudo: água
potável, remédios, multimistura (que é um
suplemento vitamínico para crianças
desnutridas), médicos. Tem posto de saúde,
mas sem médicos e nem medicamentos. Faltam
também fossas biológicas e poços
artesianos. As pessoas jogam lixo nas águas
do lago pelas janela e isso gera contaminação,
epidemias e poluição. O lago Arari,
pela grande poluição, está com
as espécies de peixe em extinção”,
relata a enfermeira. Em Santa Cruz do Arari, cidade
localizada na “boca” do lago, a situação
de carência é semelhante, diferenciando-se
apenas de Vila de Jenipapo por localizar-se em terra
firme. Por todas essas dificuldades, Tiziana Sciarra
confessa que se deparou com um quadro de precariedade
pior do que imaginava encontrar quando pensou em
vir para o Brasil. Como enfermeira, Tiziana realizou
atendimento de primeiros socorros, utilizando alguns
medicamentos de uso comum e urgente que ela trouxe
da Itália (antiinflamatórios, remédios
contra diarréia, gazes, pomadas, antibióticos
etc.). A necessidade foi tanta que o estoque acabou
rapidamente. Trabalhando com líderes da Pastoral
da Criança, Tiziana Sciarra visitou as famílias
para acompanhamento do peso de crianças de
zero a seis anos. Ela notou que pela falta de vegetação
nas localidades, as crianças quase não
se alimentam de verduras e frutas. “Elas precisariam
muito de suplementos vitamínicos, porque estão
desnutridos, com verme, e sem as vitaminas das frutas
e verduras”. Quando a enfermeira contou a sua
família que viria ao Brasil como voluntária,
foi travada “uma guerra”. “Meu
pai e minha mãe não aceitaram, principalmente
porque eu parei completamente de pagar os tributos
de aposentadoria para realizar um trabalho sem retribuição
financeira. Racionalmente, isso é uma loucura,
mas eu preciso fazer essa experiência de ajudar.
O meu trabalho na Itália (como enfermeira
e assistente social) permite que eu ajude as pessoas,
mas eu também queria ajudar em outro país
pobre”, diz.
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