CNBB defende vida em abundância para todos

Abaixo, publicamos na íntegra, nota oficial divulgada pelo Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sobre a campanha que vem sendo articulada no País pedindo a legalização do aborto no Brasil. “Marcam o presente período de nossa história a violência urbana e rural, as situações de fome e miséria, atentados, agressões e crescente número de assassinatos de inocentes. As recentes articulações para a revisão da legislação sobre o aborto nos colocam diante do grave problema do respeito à vida e dignidade humana. É dever de todos os cidadãos e cidadãs afirmar o direito à vida, contribuindo para a promoção do bem comum, na solidariedade e paz. A questão do aborto traz para o centro do debate os direitos da mulher e, em especial, da gestante. A busca e a afirmação dos direitos específicos da mulher são um verdadeiro progresso da sociedade atual. Respeitar, defender e promover os direitos da mulher é um dever de todos os que afirmam a dignidade inviolável dos seres humanos. Nesse sentido, permanecemos abertos a um diálogo construtivo com as mulheres e suas respectivas organizações, em especial sobre os seus direitos. Com a mesma convicção defendemos e apoiamos os direitos do nascituro. Sabemos, por testemunho de credenciados cientistas, que o ser humano, desde a sua concepção, possui o seu próprio patrimônio genético e o seu sistema imunológico. Trata-se de um outro ser humano gerado, de modo que mãe e embrião constituem seres humanos distintos. A própria Constituição Federal, em seu Artigo 5º protege o direito de todos à vida e o Código Civil em seu Artigo 4º explicita: “A lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro”. Acrescente-se que o Brasil é signatário do Pacto de S. José da Costa Rica, que em seu Artigo 4º estabelece: “Toda pessoa tem o direito a que se respeite sua vida. Este direito está protegido pela lei e em geral, a partir do momento da concepção”. Por outro lado, reconhecemos que no âmbito dos direitos da mulher e do nascituro, ocorre um grave problema social de saúde pública. Trata-se do drama da gravidez indesejada e da prática de abortos clandestinos. Esse quadro desolador impõe que se estabeleçam políticas públicas com programas adequados de orientação, assistência e saúde. Contudo, não se pode sanar um mal com um mal maior. Por isso a Igreja reafirma e defende o direito inalienável do nascituro à vida, desde a sua concepção. Este tem seus direitos próprios. Toda concepção envolve homem e mulher. No entanto, facilmente o homem esquece a sua responsabilidade quando envolvido na problemática aqui configurada. Nesse processo de discussão, a Igreja reconhece e respeita a laicidade do Estado. Esta, porém, não pode impedir que qualquer cidadão, cidadã ou grupos, manifestem as suas convicções e as proponham como diretrizes ou leis, seguindo os trâmites democráticos e parlamentares. Por essa razão, como cidadãos e cristãos, queremos participar no processo das decisões a serem tomadas em matéria tão relevante. Nossa luta em defesa da vida se baseia na ética e no direito e se confirma e se eleva pelos ensinamentos do Evangelho de Jesus Cristo.

Cardeal Geraldo Majella Agnelo, arcebispo de Salvador e presidente da CNBB
Dom Odilo Pedro Scherer, bispo auxiliar de São Paulo e secretário-geral da CNBB.

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 



Clique aqui para imprimir esta notícia...

 



Página inicial.