Cantores de destaque nacional encenam trabalho “cheio de lirismo”

Obra de Puccini vai fechar a programação de festival de óperas

A terceira e última récita da ópera Madame Butterfly, do italiano Giacomo Puccini, totalmente produzida em Belém, será encenada neste sábado, 13, às 20 horas, no Theatro da Paz. A apresentação da estréia foi na última terça-feira, 9, e marcou a abertura oficial do Festival de Ópera do Theatro da Paz 2005, promovido pela Secretaria Executiva de Cultura (Secult) e produzido pela São Paulo ImagemData. A estréia de Madame Butterfly em Belém coincidiu com data em que o mundo relembrou os 60 anos do lançamento da bomba atômica sobre a cidade de Nagasaki, em 9 de agosto de 1945. A história de Butterfly se passa nesta montanhosa cidade japonesa, por volta de 1900, e tem como protagonistas a jovem gueixa Cio-Cio-San, interpretada pela soprano japonesa radicada no Brasil, Eiko Senda, e o oficial da Marinha americana Benjamin Franklin Pinkerton, personagem do tenor Marcelo Vannucci, que revive o papel após cinco anos. Madame Butterfly é encenada em três atos, por cantores de destaque nos circuitos nacional e internacional de música erudita, além de quase 60 músicos da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (OSTP), regida pelo maestro Mateus Araújo, e 36 integrantes do Coro Marina Monarcha, que tem na regência Vanildo Monteiro. Para fazer Suzuki, a sempre fiel serva de Butterfly, foi escalada a mezzo-soprano Denise de Freitas, enquanto a soprano paraense Alfa de Oliveira dá vida à americana Kate, esposa americana de Pinkerton. Para a direção cênica de Madame Butterfly foi convidado o argentino Alberto Félix Alberto, referência em montagens de óperas na América do Sul, Estados Unidos e Europa. A direção musical coube ao regente da OSTP, Mateus Araujo, que já tocou Madame Butterfly quatro vezes como violinista, em São Paulo. Ele garante que se trata da “partitura mais difícil que esta orquestra já enfrentou, pela quantidade de detalhes e pela exigência a todos os instrumentos”. O regente destaca que Puccini se empenhou nada menos que quatro anos na composição, cheia de referências minuciosas para todos os naipes e demandas técnicas. “O resultado é que são muitas cores, é como se fosse uma palheta orquestral, Puccini é muito detalhista. Isso faz essa obra ainda mais especial”, disse Araújo. Lirismo - A obra representa o auge do lirismo de Puccini, tem libreto de Luigi Illica e Giuseppe Giacosa, baseado na peça de David Belasco, a quem Puccini, de tão emocionado, literalmente pendurou-se ao pescoço do dramaturgo quando pedia autorização para transformá-la no gênero operístico. Desde o fracasso da estréia de Madame Butterfly, em 17 de fevereiro de 1904, no Scala de Milão, diversas montagens levaram aos palcos de vários países esta tragédia romântica. Hoje, é uma das óperas mais apreciadas e populares do mundo. O tenor Marcello Vannucci, que interpreta Pinkerton, diz que adora cantar Butterfly. Esta é a segunda vez que ele interpreta o oficial da marinha americana que abandona Cio-Cio-San. Na primeira experiência, foram oito récitas em São Paulo e quatro em Brasília, nos anos de 1999 e 2000.

No palco, um drama tirado da vida real

O drama de Cio-Cio-San é baseado em fatos reais. Na época em que se desenvolve a história, o Japão e os Estados Unidos viviam o auge de uma relação diplomática iniciada em 1870, quando o presidente americano enviou uma expedição de reconhecimento ao Imperador do Japão, com o objetivo de estreitar laços de cooperação e amizade com este país do Oriente. Nesse contexto, muitos oficiais da marinha americana contraíram casamentos temporários com japonesas. O diretor musical de Madame Butterfly, maestro Mateus Araujo, diz que, como Puccini tinha a característica de ser antenado com a modernidade, ficou atento ao interesse do Ocidente pela cultura oriental, facilitada pela abertura dos portos do Japão. “Foi o tempo das exposições internacionais em Paris, com coisas da China, do Japão, de Bali, de todos os cantos, e logo aconteceram os primeiros choques entre as culturas”. Até que foram registrados cerca de 10 mil casamentos entre soldados americanos e japonesas, e veio a proibição. “Isso porque aconteceram muitas deserções e tragédias, como é o caso contado nessa ópera”, diz Mateus Araujo. Para o regente da OSTP, Puccini utilizou 12 melodias japonesas não apenas para torná-la exótica, mas para exprimir a profundidade da cultura japonesa, tanto que o compositor introduz trechos dos hinos do Japão e da marinha americana, que em 1934 passou a ser o hino dos Estados Unidos.


 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 



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