Uma vida em “MP3”


Ivens Coimbra Brandão

Certamente que o leitor, se não dispõe, já ouviu falar do disco CD mais moderno, o MP3, que tem capacidade para armazenar muitas informações. O articulista e esposa, por exemplo, foram presenteados com um desses discos, onde estão gravadas 179 músicas. Pois bem! O texto de hoje estará tratando de um relato compacto, o resumo de uma vida. O leitor mais atento já pinçou alguns dados biográficos do personagem que toda semana se manifesta neste espaço, hoje descrevendo fatos e circunstâncias, na ordem cronológica. Nasceu em São Luiz, Maranhão, no dia 10 de agosto de 1933. De família paraense, filho de Lauro da Silva Brandão e de Célia Coimbra Brandão, ali nasceu porque sua mãe já gestante, juntamente com seu pai, e avó materna, foram visitar os cunhados, lá residentes na época. Passado o tempo previsto do passeio, veio o insistente convite para que lá permanecessem, até que a criança nascesse. E assim aconteceu. Com cerca de três meses foi levado a passeio à cidade histórica de Alcântara, todos regressando a Belém quando ainda não havia completado quatro meses, viajando no vapor Poconé, do Lloyd Brasileiro. Mas a primeira lembrança que guarda na memória foi um fato que deve ter ocorrido quando ainda tinha quatro anos: sua família acabara de mudar de uma casa na então Avenida São Jerônimo, quando nosso personagem deu pela falta de sua bola. Voltando à casa já desocupada, levado pela sua mãe, lá estava a “preciosa” bola, junto ao rodapé da sala de visitas, já sem qualquer móvel. Seguiram-se dois anos morando em Fordlândia, depois Belterra, época em que seu pai era contratado da Companhia Ford Industrial do Brasil. Tempo de gratas lembranças, quando o menino de então dispunha de amplo e organizado espaço para suas brincadeiras. De volta a Belém, foi morar na Avenida Generalíssimo Deodoro, tendo iniciado seus estudos no Instituto Suisso Brasileiro, (escrevia-se Suisso com dois s) onde completou o curso primário. Fez os sete anos dos cursos ginasial e colegial no Colégio Moderno. No último ano do “científico”, foi convocado para o Serviço Militar, tendo cursado o então CPOR. Em 1953, conheceu uma jovem, com quem haveria de se casar. No ano seguinte ingressou na então Escola de Engenharia do Pará, e já ao final do primeiro ano começou a trabalhar, como auxiliar técnico, na Comissão Mista FAB/Spevea, no planejamento de campos de pouso na Amazônia, uma experiência das mais proveitosas para sua formação profissional. Foi graduado Engenheiro Civil no dia 8 de dezembro de 1958, tendo se casado com a jovem Maria de Lourdes Cardoso, filha de Cláudio Cardoso e Maria Theodora Cardoso, no dia 6 de junho de 1959. Foram morar em um pequeno apartamento na Avenida Governador José Malcher. Com poucos meses de casado, a esposa apresentou sinais de gravidez, tendo que observar rigoroso repouso. Foi então o casal convidado para ficar alguns dias na casa de seus pais, estada que se prolongou por 18 anos... Logo no início do casamento teve duas breves experiências de trabalho, uma delas na então Estrada de Ferro Tocantins. Veio a firmar o rumo de sua atividade profissional a partir do trabalho e incentivo recebidos no escritório de cálculo estrutural do engenheiro e professor João Maria de Lima Paes. Ingressou como engenheiro na recém-criada Universidade do Pará, em 1962, lembrado pelo simples e competente desenhista Raul Soares, seu colega de trabalho nos tempos de estudante. A indicação foi endossada pelo então diretor de Obras, engenheiro Alcyr Meira, e acolhida pelo reitor José da Silveira Neto. Logo depois surgiu uma oportunidade no magistério, atividade que exerceu ininterruptamente por 30 anos, que viria inspirar, dar sentido à sua vida profissional. Do casamento vieram quatro filhos, graças a Deus todos saudáveis: Eduardo Jorge, Mônica Maria, Maria Cristina e Fernando José. Decorria o ano de 1966, quando os dois primeiros já eram adolescentes e os outros ainda criança, o casal comprou um terreno a prestação, em Mosqueiro. Em seguida construiu, aos poucos, uma pequena vivenda, um sinal de unidade e de alegria para a família, durante muitos anos. Em 1971, ele primeiro, depois ela, participaram de um Cursilho de Cristandade, que viria dar novo sentido às suas vidas. Em 1977, com financiamento da CEF, construíram sua casa de Belém, na Travessa Rui Barbosa, onde viveram por 25 anos, de lá só saindo por questão de segurança, mas com os corações apertados... Os netos começaram a chegar desde 1986, tendo o mais novinho nascido no final de 2004. Ao todo são dez, seis meninos e quatro meninas, sendo que um deles já é anjinho, chamado com poucos dias de nascido. Ao final da sua atividade de magistério, escreveu seu primeiro livro, de conteúdo técnico. Mas foi com a aposentadoria que viria desenvolver o prazer de escrever. Resta agradecer a Deus: pela vida e pela saúde; pela esposa que lhe foi confiada, permanente companheira em 46 anos de casamento; pelos filhos e netos; e pelos irmãos em Jesus Cristo que o acompanham no seu peregrinar.
Nota: O texto acima estará encerrando uma coletânea a ser editada sob o título Memórias & História, com lançamento previsto para ainda este ano.
Fone: 3223-8484; E-mail: ivenscb@amazon.com.br

 

 


 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 



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