A força da oração

Raul Monteiro

Introdução A liturgia da missa do 20º Domingo do Tempo Comum, no dia 14 do corrente, marca o Dia dos Pais e o início da Semana Nacional da Família. O texto do Evangelho nos mostra Jesus Cristo, sendo vencido, vencido pela fé, pela paixão de uma mulher, e nós vemos nesse texto que Jesus Cristo gosta de perder por amor. Ele foi vencido pelo quebrantamento. No versículo 25 Mateus nos diz que a mulher veio e prostrou-se-lhe aos pés. A única maneira que nós temos de estar em pé como vitoriosos diante de homens e demônios é tendo um coração prostrado, quebrantado, diante de Jesus Cristo. Evangelho (Mt 15, 21-28) Naquele tempo, Jesus foi para a região de Tiro e Sidônia. Eis que uma mulher cananéia, que vinha daquela região, começou a gritar: “Senhor, Filho de Davi, tem piedade de mim! Minha filha está sendo terrivelmente atormentada por um demônio”. Mas Jesus não lhe respondia nenhuma palavra. Então os discípulos se aproximaram e lhe pediram: “Manda embora essa mulher, pois ela vem gritando atrás de nós”. Jesus respondeu: “Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel”. Mas a mulher veio, prostrou-se diante de Jesus e começou a implorar: “Senhor, socorre-me!” E ele respondeu: “Não fica bem tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos”. Ela, porém disse: “É verdade, Senhor; mas os cachorrinhos também comem das migalhas que caem da mesa de seus donos”. Diante disso, Jesus lhe disse: “Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres”. E desde esse momento sua filha ficou curada. Reflexão Quantas vezes, em nossas vidas nós buscamos a Deus em oração, por determinada situação ou luta que estamos passando naquele momento, e nada acontece? Quantas vezes em nossas vidas invade um sentimento de que o Deus Todo Poderoso parece surdo e não ouve? Quantas vezes em nossas vidas pensamos que a nossa luta nunca vai terminar? Quantas vezes passa pela nossa mente que não temos o direito das bênçãos de Deus para nossas vidas? Muitas, não? E aquela mulher, era grega, de origem siro-fenícia, não era descendente de Abrão, de Isaac e de Jacó, inimiga de Israel; mas ela era persistente, ousada, buscava pela fé naquele que verdadeiramente tinha a salvação, independentemente de onde ela vinha, e ela venceu Jesus pela sua persistência, pela sua ousadia, pela sua fé, independentemente de quem poderia querer impedi-la de buscar a solução do problema da sua filha. Desesperadamente, ela gritava e pedia clemência a Jesus. Pedia pela cura de sua filha. Aparentemente, Jesus nem sequer percebeu sua presença e seu clamor. Para livrarem-se daquele incômodo, os discípulos sugerem mandá-la embora. Jesus Cristo foi vencido pela perseverança daquela mulher; ela clamava, ela o seguia por onde quer que fosse... Pela força de sua oração ela conseguiu seu objetivo quando Jesus lhe disse: “Seja feito como tu queres”. Quem nos dera que nossas autoridades em vez de se digladiarem umas contra outras ou de se deixarem subornar por “dinares” enchendo seus bolsos com mensalões e malas com dinheiro, que dizem ser o dízimo, sujeitando-se à humilhação de enfrentar uma CPI, utilizassem esse dinheiro, pelo visto arrecadado aos montões, na mitigação da fome dos desvalidos da sorte, dos pobres que os elevaram ao poder e que sofrem a amargura do esquecimento das promessas feitas em campanhas de eleições. O importante é servirmos a um Deus que não tem um braço encolhido, é um Deus poderoso e ele nos dá graça, autoridade, persistência, coragem, fé e capacidade para enfrentar tudo com louvor e gratidão, na certeza de que aquilo que dói em nós, magoa, fere fundo, nos surpreende e assusta, nos dá o caminho da estrada em direção ao único Pai, ao único amigo e a única certeza da vitória, que é Jesus Cristo. Ele espera de nós, a mesma atitude quando passou pelo abandono, traição, escárnio, vergonha e dor, para nos redimir dos pecados e trazer vida eterna, alegria, liberdade, sofrendo calado, sem reclamar e ainda pediu ao Pai: “Perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”. É isso que ele espera que façamos, avançando para os problemas, enfrentando as situações, não fugindo, saindo para a luta, cantando um hino de louvor tendo certeza da vitória, batalhando pela felicidade, pela alegria, pela independência a que temos direito, porque a nossa justiça já foi feita por Jesus Cristo, lá na cruz no Calvário.
O autor é membro da Pastoral da Liturgia da Paróquia N. Sra. Aparecida

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 



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