Dom Pedro Conti assume Macapá
Bispo de Macapá confia nos planos de Deus

     Dom Pedro Conte toma posse de Macapá no próximo dia 20. Italiano de Brescia, missionário e bispo de Conceição do Araguaia, Dom Conte mostra-se confiante nos planos de Deus. Os projetos para a diocese virão aos poucos, pois a meta para os primeiros dias é familiarizar-se com o clero e com o Povo de Deus. Na tarde de quarta-feira, dia 26, o bispo visitou a Fundação Nazaré de Comunicação e foi entrevistado pela Voz de Nazaré.

      Como estão os preparativos para a sua posse em Macapá?
     Olha, eu não estou sabendo muito (disso). Esta noite (dia 26) eu vou (para Macapá) com Dom Carlos. Ele ainda é o administrador de lá. O que eu sei é que vou chegar por volta de 13h do domingo dia 13. Haverá uma pequena acolhida, falaram-me de uma pequena carreata do aeroporto até a casa do Bispo. Depois, a posse será no dia 20 com uma caminhada que sai da casa do Bispo até a Catedral por volta de 7h. Às 8h haverei de começar a missa da posse, não sei se dentro ou fora da Catedral. Estão falando que (a missa) vai ser transmitida ao vivo pela TV Nazaré.

      A posse vai contar com a presença do Núncio Apostólico, que esteve presente na posse do Arcebispo de Belém?
      Olha, eu não estou sabendo disso não. Eu acho que não precisa isso. Não sou tão importante assim, não.

     O senhor foi Bispo de Conceição do Araguaia por quanto tempo?
      São praticamente nove anos.

     Já houve substituição para Conceição do Araguaia?
      Por enquanto, não se sabe ainda não. Vamos rezar e torcer para que não demore muito, porque uma diocese sem Bispo sempre é uma dificuldade, sempre tem que se ter paciência, algumas decisões não são tomadas. Sempre tem um pouquinho de dificuldade para uma diocese sem Bispo.

     Mas até hoje o senhor ainda é o Bispo de lá?
      Não, segundo o Direito Canônico, sou o administrador apostólico até a posse da nova diocese. Quando eu tomar posse, os padres e o conselho dos consultores têm oito dias de tempo para eleger o administrador diocesano.

     O senhor pertenceu ao mesmo seminário de Dom Carlos, e foi seu contemporâneo em Brescia?
     Isso. Nós fomos da mesma turma de ordenação presbiteral em 1976 e também fomos sagrados bispos no mesmo ano. Eu lá em fevereiro em Conceição e ele aqui, em julho, na Catedral de Belém.

      O senhor fazia parte do grupo de oração pelas missões do seminário? Conte essa experiência.
      Essa foi uma experiência interessante. Nós tínhamos um grupo que chamávamos, justamente, de “grupo missionário”. Quer dizer, eram pessoas que tentavam acompanhar o que se passava nas missões (estrangeiras) e sonhavam, um dia, de ir às missões. E praticamente quase todos conseguimos alcançar esse sonho. Alguns foram às missões, voltaram à diocese, como “fidei donus” que são emprestados e depois voltam, e alguns ficaram, que somos nós (Dom Conti e Dom Carlos) e outros pelo mundo. Também tem mais um Bispo na ativa no Equador, da nossa diocese. E o bonito é que quando passavam os missionários que vinham de férias, sempre nós os chamávamos ao seminário. Foi esse debate, estas perguntas, essas reflexões, estas curiosidades que alimentaram o nosso sonho missionário. Mas temos que reconhecer que o Bispo sempre apoiou esta incentivava. Isso é bonito porque uma diocese deve saber olhar para fora, nem que seja dar da sua pobreza, como justamente se diz. Mas é bonito isso. Não só ficar cuidando de si, da sua estrutura, da sua organização, mas lembrar que o Povo de Deus em outras regiões do mundo que não tem tantas possibilidades, sobretudo de padres. Eu venho de uma diocese (Conceição do Araguaia) que se não fossem os padres emprestados passaria por mais dificuldades do que está passando. Graças a Deus, a diocese de Brescia tem lá cinco padres.

       O senhor concorda com o termo “terra de missão” em referência a determinado local ou, para o senhor, toda terra é terra de missão?
     É claro. Hoje todo mundo entende isso. Agora, eu acredito que se tem que fazer sempre algumas distinções. Tem lugares onde é terra de missão pela insensibilidade e afastamento do povo, e tem outros que é terra missão no sentido ainda da primeira evangelização. Às vezes nós achamos que o povo foi evangelizado, mas na verdade não foi. Cada um veja na sua realidade se é uma primeira evangelização ou se é a recuperação de uma evangelização que já teve mas que não está mais dando seus frutos. Por isso, todo lugar é terra de missão, com estas diferenças de caminhos,de opções, de atividades, de animação, também conforme a cultura do povo, a história, a caminhada. Claro que tem que saber adaptar tudo. Claro que todo mundo é missionário e tudo mundo pelo batismo deveria ser testemunha vivente, ativa, positiva, do batismo que recebeu. Por isso, o chamado a ser missionário é para todos.

     Macapá estaria em que caso?
     Olha, eu não sei (risos). Mas com certeza já teve tantos bispos que lá trabalharam, tantos padres, tantos religiosos e religiosas. É uma Igreja que caminha.

     É todo o território de Amapá mesmo?
     É todo território.

     É uma das maiores dioceses do mundo?
      Bem, eu ainda não conferi isso. Pelo jeito... mas tem outras maiores. Ninguém vai disputar o tamanho, não. Vamos disputar, no caso, o trabalho de evangelização, de animação, da fé para todos.

      O senhor tem projeto para lá?
      Evidentemente não tenho. Vou para servir. Agora, conforme o que os padres vão pedir, o povo, a gente vai trabalhar. O que acho interessante é que o dever do bispo é servir. Ele não vai mandar, vai para servir. Por isso a gente se coloca a disposição daquilo que estão fazendo e deve dar valor para aquilo que estão fazendo. Deve ter coisas maravilhosas que o povo está fazendo pela evangelização. (O bispo) Não vai para atrapalhar, vai somar forças. Isso é fundamental.

      Como o senhor deixa o povo de Conceição do Araguaia?
      Pelo jeito, fica triste (risos). Eles estão chorando pela incerteza do futuro - não é só por mim, é claro. É justamente essa incerteza do futuro que sempre cria dificuldades, dúvidas. Mas com certeza o Espírito Santo tem os seus planos e o projeto de Deus vai continuar. O que foi semeado, será colhido.O que foi plantado, outros colherão.

      A última pergunta. A sua vocação foi tardia?
      Uma vocação tardia relativamente. Eu devia entrar no seminário aos dez anos, como era costume, acabado uma parte do primeiro grau, vamos dizer, a quinta série. Mas meus pais eram pobres e, por isso, eles tinham dificuldade de pagar a mensalidade do seminário.

      Não tinha seminário menor gratuito?
      Não tinha não. O seminário menor era pago, e é pago ainda hoje. É claro que hoje as famílias, talvez, possam pagar. No meu tempo, meu pai era operário, minha mãe trabalhava em casa, por isso não tinham condição. Aí eu adiei, adiei, adiei, até 21 anos. Aí já estava na universidade e tudo, mas fui para o seminário. Concluí o grau de engenheiro eletrônico na Politécnica de Milão, na Itália.

 

 

 


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