Mudança de época

      D. Orani João Tempesta  

      Uma das afirmações que me tem feito refletir ultimamente é a de que “não estamos apenas em uma época de mudanças, mas em uma mudança de época”! As transformações, hoje, sucedem-se em um ritmo desnorteante! O progresso é tão grande e rápido que nem deu tempo de passar os novos conhecimentos para grande parte da população. Basta ver com que propriedade os netos ensinam seus avós (e até pais) a “navegar na internet” ou fazer algum trabalho com o computador. Os novos aprendem a nova linguagem, enquanto que para nós, “os antigos”, só nos resta ficar tentando nos colocarmos dentro da nova perspectiva de vida. Sabemos que esta nova linguagem traduz também uma nova mentalidade e uma nova situação da pessoa humana diante da sociedade hodierna. O nosso grande desafio é como estar presente nesse tipo de comunicação, que não só atinge a juventude, como faz acontecer uma nova mentalidade, uma nova cultura. No mundo da comunicação em geral, mas também no progresso das ciências, na consciência da dignidade da pessoa humana, da responsabilidade ecológica, com relação ao nosso planeta, temos visto as várias necessidades que vão brotando de nossos corações e mentes. Existem necessidades atuais que se no passado não existissem não fariam nenhuma falta. Por outro lado, nós nos impusemos necessidades que, sem as quais nos sentimos como que faltando um membro do corpo. Conta-se que um antigo superior geral dos jesuítas gostava de ir ao “Centro de Compras” para ver quanta coisa ele não necessitava para ser feliz”. Na atual conjuntura, onde a rejeição de paradigmas pautam as notícias e os posicionamentos de muitos, preocupa-nos as dificuldades em respeitar a vida desde a sua concepção até a morte natural, os vários problemas que vive a família hoje tanto em sua unidade como para a educação dos filhos, o respeito pelo diferente (quanta intolerância religiosa, social, econômica!) não só “agüentando”, mas vendo no próximo uma riqueza a ser partilhada! As pessoas têm rejeitado muitos valores como se isso só fosse importante para as pessoas de fé católica e não como algo intrínseco à vida e à dignidade. Seria muito importante que víssemos também as conseqüências das atitudes que tomamos em nossa caminhada. Será que a violência, desemprego, miséria, insatisfação com a própria vida não seriam frutos de nossas opções diárias? A Igreja não é contra um sadio desenvolvimento e nem contra a verdadeira ciência, muito pelo contrário, até os incentiva! Porém, ela tem consciência de sua vocação e da necessidade de ajudar a pessoa humana a estar no caminho de sua realização, no caminho da santidade. Eu recordo as palavras do Senhor quando foi para o povo entrar na Terra Prometida: diante de ti está a vida e a morte, a bênção e a maldição - tu deves escolher a vida! Mais do que nunca, nesta mudança cultural que vivem os homens e mulheres de boa vontade, os que acreditam em Deus e os que são Cristãos, temos todos uma grave responsabilidade de contribuir com a experiência de termos encontrado, em Jesus Cristo, a vida nova, e somos chamados a ser testemunhas da vida e da esperança no mudo novo criado segundo Deus. A nossa grande alegria estará em contribuir para que este nosso único lar - o planeta Terra - esteja sempre mais habitado pelos seres humanos, inteligentes, que fazem história e que se sentem responsáveis pelo hoje e pelo amanhã. Nessa mudança de época que vivemos, temos a alegria de poder propor a experiência cristã como uma oportunidade de caminhar na unidade e com os olhos e os corações voltados para o testemunho cristão.

 

 

 

 


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