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Perdoar é preciso
Mons.
Aderson Neder - Sacerdote Diocesano
Perdoar é preciso.
Sempre, em qualquer momento, em qualquer circunstância.
Reter o perdão é maltratar a própria
alma. É fazê-la sofrer. O espinho produzido
pela falta de perdão dói mais no ofendido
do que no ofensor. Uma dor dolorida demais, que tira
a alegria comum do viver. Não adianta dizer
que se perdoa se o outro der o primeiro passo. Jesus
não ensinou assim. Ao contrário, ele
mandou que o seu discípulo fosse atrás
de quem o ofendeu, com o perdão já dado
e sinceramente oferecido. Só assim alguém
pode se aproximar do altar para reentrar novamente
em comunhão com a Igreja, mesmo que o outro,
o ofensor, não esteja fazendo parte dessa comunhão.
Perdoar na dor ainda vale mais. Perdoar quando a ofensa
foi muito violenta, que feriu a alma de um modo sumamente
cruel. Violência que não teve, por parte
do ofensor, a mínima piedade de poupar o outro
e de diminuir-lhe a humilhação. Pior
ainda quando a ofensa em si foi totalmente injusta
e não teve a mínima justificativa, mas
simplesmente foi ditada pela mais vil vingança
contra algo que nem sequer existiu. Perdoar é preciso.
Mesmo se o outro não aceita o perdão,
porque seu orgulho está exacerbado que o faz
até odiar. O perdão, dado com toda a
generosidade amorosa do coração, se não
chega ao ofensor, é recolhido pelo coração
de Deus. É guardado com cuidado e vai ser contado
como mérito de salvação por quem
o deu no seu amor cristão, que conseguiu superar
as barreiras, porque diante do Evangelho nenhuma delas
subsiste. Todas caem na maior derrocada. O cristianismo é essencialmente
amor. Quando alguém ama de um modo realmente
cristão, nada resiste ao seu amor. É igual
ao Senhor Jesus. Nada houve que o fizesse odiar, que
lhe retesse o perdão mais generoso, que lhe
provocasse a mínima vindima. Para Ele perdoar é amar,
até mesmo os inimigos, os que nos fazem mal,
os que nos caluniam. Nem mais nem menos. Nisso tudo
não há meias medidas, porque a perfeição,
também no amor, deve ser a mesma do Pai. Nossa
meta, nesse sentido, é simplesmente infinita,
porque é o próprio Deus. No entanto,
a situação de quem não perdoa é a
pior possível. Fica privado simplesmente de
toda e qualquer comunhão. E tem mais, se a ofensa
foi injusta, como a calúnia, ela não
pode ser simplesmente perdoada por uma confissão
sacramental. Esta se torna nula, ocasionando um pecado
a mais por quem a recebe sem as necessárias
condições. Calúnia é roubo.
Tem o mesmo peso que tirar algo de material do próximo.
Ainda mais, tem um certo agravante quando se trata
de um bem espiritual, que a pessoa se esforça
por conservar e que de repente é roubado por
uma mentira, a mais deslavada. Há necessidade
de restituir, antes de querer entrar em qualquer comunhão,
inclusive a Eucarística. Em se tratando de ofensa
grave, que foi ocasionada pela calúnia ou mesmo
pela difamação, comungar do Corpo e do
Sangue de Cristo, sem antes fazer uma total revelação
da verdade, é um grande sacrilégio, que
ocasiona um pecado ainda maior. É necessário
restituir, com a maior veracidade, a fama roubada.
Casos como esses são motivos de sofrimento até para
o confessor, que quando solicitado para dar o perdão,
tem que negá-lo absolutamente. É caso
de justiça que não pode ser deixada de
lado. Assim como é caso de invalidade do próprio
perdão se for dado sem as devidas condições.
Perdoar é preciso. Antes de procurar o perdão
de Deus, de uma ofensa que se faz, é preciso
fazer uma autêntica reconciliação.
Não só perdoar para ser perdoado, mas
no caso de qual-quer injustiça, mesmo a moral,
o perdão só vale quando há a justa
restituição. A verdade tem que ser restaurada,
integralmente refeita. No entanto, no coração
do verdadeiro cristão, perdoar é preciso,
mesmo quando o ofensor não merece e não
oferece condições de ratificar esse perdão
por parte de Deus. Perdoar, mesmo sabendo que o Senhor
vai continuar retendo o perdão salvador para
o ofensor empedernido. Para quem perdoa, além
da alegria própria do gesto de amor, a Paz vai
se manifestar abundantemente. E ela é o próprio
Senhor!
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