Liturgia das Horas

      Seminarista Ednaldo Ferreira  

    No ano de 1911, foi publicado no novo Breviário (Livro das Orações das Horas). Restabelecendo a prática de recitar os 150 salmos, distribuídos em quatro semanas, segundo a nova versão da Neovulgata da Bíblia. Também o Ofício do domingo foi elevada sua importância e mais valorizado. O Concílio Vaticano II tratou de modo particular a Liturgia das Horas, de forma ampla e minuciosa, sobretudo do ponto de vista espiritual. Nada semelhante encontra-se em toda a história da Igreja. A Oração das Horas, sendo oração do povo de Deus, foi preparada de tal modo a possibilitar a participação do clero, de religiosos e inclusive de leigos. A oração pode ser celebrada pelas várias comunidades, de acordo com sua condição e vocação. Sendo a Liturgia das Horas uma santificação do dia, foi renovada a ordem da mesma, de forma que as Horas canônicas possam ser adaptadas às várias horas do dia. Por esta razão, foi retirada a Hora Prima (hora primeira). Foi atribuída maior importância às Laudes e Vésperas, que são as partes principais de toda Liturgia das Horas. Seguindo as orientações do Vaticano II, para aumentar a riqueza espiritual, foi acrescentada nas Laudes outros cânticos, tirados do Antigo Testamento, enquanto alguns cânticos do Novo Testamento, como tesouros, foram introduzidos nas Vésperas. Nas Laudes foram incluídas as preces, para consagrar o dia, e invocações para o início do trabalho diário. E nas Vésperas, faz-se uma oração de súplica, estruturada como a oração universal. Renovada a oração da santa Igreja, em conformidade com a Tradição, mas levando em conta as necessidades do nosso tempo, para que ela penetre a oração do cristão e torne-se expressão da oração e alimento eficaz para a vida espiritual do Povo de Deus. Jesus, o nosso Redentor, quis que a vida iniciada no seu Corpo mortal com suas orações e seu sacrifício continuasse durante os séculos no seu Corpo Místico, que é a Igreja. Desse modo, a oração da Igreja, é a oração que Cristo, unido ao seu Corpo, eleva ao Pai. Devemos cultivar em nossas orações o amor pela Sagrada Escritura, que emana da Liturgia das Horas, e assim a Sagrada Escritura se torne realmente a fonte principal de toda a oração cristã. De modo particular os Salmos, que acompanha e proclama a ação de Deus na História da Salvação, deve ser conhecida pelo povo de Deus com ardoroso amor. Uma leitura maior da Sagrada Escritura, na Liturgia das Horas, possibilitará que a História da Salvação seja continuamente comemorada, e sua continuação na vida dos homens seja vivamente anunciada. Uma vez que a vida de Cristo no seu Corpo Místico eleva e aperfeiçoa a vida da própria pessoa de forma individual da cada fiel, devemos rejeitar as oposições entre oração da Igreja e oração individual, pois ao contrário, devemos incrementar as relações entre uma e outra. A oração da mente encontra alimento contínuo nas leituras, salmos e nas demais partes da Liturgia das Horas. A recitação mesma da Oração das Horas precisa ser adaptada, sempre que possível, às necessidades de uma oração viva e pessoal, pelo fato previsto nas orientações sobre a Liturgia das Horas, que devem ser escolhidos as formas e modos de celebrá-la, sempre em concordância com as situações espirituais de quem reza. No momento em que a oração da Liturgia das Horas torna-se verdadeira oração pessoal, então se manifestam melhor os laços que fazem a unidade entre a Liturgia e a vida cristã. No decorrer de cada hora do dia ou da noite, a vida inteira dos fiéis forma uma liturgia diante da qual eles oferecem-se ao serviço de amor a Deus e aos homens, aderindo à ação de Cristo, o qual fez da sua vida uma oferta de si próprio, santificando a vida de todos os homens. As orações das Horas são apresentadas aos fiéis em geral, de forma igual aos que são obrigados por lei ou regra de vida a recitá-las. Todos os que receberam da Igreja a incumbência de celebrar a Liturgia das Horas, devem cumprir todos os dias de modo rigoroso, a recitação integral, fazendo coincidir, sempre que possível com o verdadeiro momento de cada uma das Horas. Dando sempre a devida importância às Laudes e Vésperas. Contudo, através do novo Livro da Liturgia das Horas, deve possibilitar o ressoar de modo mais esplêndido e belo o louvor divino na Igreja do nosso tempo. Unindo-se ao que os Santos e Anjos cantam nas moradas celestes, e crescendo em perfeição no decorrer dos dias de exílio terrestre, aproxime-se cada vez mais daquele louvor pleno, sempre tributado “Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro” (Ap 5,13). Estaremos divulgando nas próximas edições, um esquema de cada uma das principais orações, de forma didática e esclarecedora, para que possibilite todos os fiéis a iniciar o desejo de começar a recitação da Liturgia das Horas. Esse mesmo esquema, será composto por um quadro informativo com todas as partes de cada uma das orações e também um auxílio para a recitação da Oração das Horas através da própria Sagrada Escritura.

 

 

 

 


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