Foto 01 - Frei Angelino viaja pelo País ensinando a Oração que Liberta e
pede que as pessoas aprendam com o silêncio
Foto 02 - Católicos se preparam com oração, jejum e penitência para festejar a Páscoa

Quaresma é tempo de penitência, conversão, solidariedade e silêncio

    Católicos de todo o mundo entraram no último dia 9 em um novo tempo litúrgico com a celebração da Quarta-Feira de Cinzas, dando início à Quaresma. Fiéis receberam as cinzas sobre suas cabeças em sinal de penitência. O período de 40 dias que antecedem a Páscoa, quando, no Brasil, também se promove a Campanha da Fraternidade, deve ser de silêncio, conversão e solidariedade, segundo explica o Arcebispo de Belém Dom Orani João Tempesta, que presidiu missa às 19h, na Catedral Metropolitana. “Quaresma é um tempo que a Igreja nos concede para nos convertermos, para fazermos nosso ‘deserto’, renovando nossa vida de cristão. É um momento de preparação para o batismo das pessoas na Páscoa e, para nós batizados, é um tempo de renovar nosso compromisso de cristãos para chegarmos à Páscoa com o coração renovado”, ensina. A Quaresma é rica em simbolismos para que o cristão sinta-se motivado a desprender-se dos valores mundanos e pessoais e entrar em um profundo clima de conversão e silêncio, diz o Arcebispo. De acordo com a Liturgia Romana, durante o período quaresmal os católicos devem exercitar de maneira especial o jejum, a esmola e a oração. Nesse tempo, a Igreja omite o canto do Glória e do Aleluia na Eucaristia, orienta à abstinência da carne às sextas-feiras e utiliza a cor roxa nos paramentos litúrgicos, assim como no Advento do Natal, simbolizando a preparação e a espera de um novo tempo, a Páscoa, que este ano será no dia 27 de março. “Portanto é um tempo em que somos chamados a olhar para nossas vidas e refletir sobre o que podemos mudar, como corresponder à graça de Deus. Por isso a Igreja se despoja de toda solenidade, dos sinais externos para se concentrar no que realmente é essencial para uma vida de conversão”, afirma Dom Orani. O Arcebispo explica ainda que a Quaresma deve ser vivida, além de um tempo de silêncio, de reflexão da Palavra de Deus, de participação da comunidade, da prática da penitência, das esmolas e do jejum, e celebração das vias-sacras, também com um aprofundado estudo da Campanha da Fraternidade. “Toda Campanha da Fraternidade nos ajuda a ver um dos aspectos a qual somos chamados a viver no tempo da Quaresma. Devemos examinar a nossa falha e procurar ser mais solidários”, diz. Este ano, afirma Dom Orani, a CF evidencia a necessidade das pessoas tornarem-se construtores da paz. “Vivemos em mundo tão conturbado, tão violento que existe dificuldades de relacionamento entre as pessoas. Mas é possível que os cristãos encontrem uma resposta através da própria vida”, completa. Penitências - Segundo o pároco de Jesus Bom Samaritano, no Cordeiro de Farias, padre José Antônio Tejada, o tempo quaresmal somente tem valor se houver renúncias por parte dos cristãos. Ele diz os fiéis devem se preparar espiritualmente para a maior festa do cristianismo, a Ressurreição do Senhor. “A prática do jejum, da esmola e da partilha são essencial nesse período. Não é necessário fazer grandes penitências e sacrifícios se não houver uma verdadeira disponibilidade em restabelecer-se na graça de Deus”, ensina. Padre Tejada também fala da importância do sacramento da Confissão, ou Reconciliação, durante a Quaresma. “Muitas pessoas e, infelizmente, alguns católicos, habituam-se em ‘se confessar diretamente com Deus’. Isso é uma mentalidade protestante e que se dispersou na sociedade, que caiu no comodismo”, afirma o pároco, explicando que a confissão é um ato de humildade e arrependimento diante de um homem que representa Cristo na Terra. “Somente Deus perdoa os pecados, mas aos sacerdotes foi confiada a autoridade de reconciliar os pecadores com a Igreja”, diz, referindo-se a Mateus 16,19. De acordo com o pároco de Nossa Senhora de Fátima, em Icoaraci, padre Alberto Maíta, o importante na Quaresma, além da oração, esmola e jejum, é a renúncia dos “pequenos vícios”. Ele diz que o egoísmo, por exemplo, impede que a sociedade cresça no amor cristão. “Devemos repudiar tudo o que atrapalha a prática da justiça, da paz e da fraternidade”, resume. E para o vigário paroquial de São Francisco Xavier, no Marco, padre Bruno Marchetti, a partilha deve ser o principal gesto praticado no período quaresmal. “Muitas pessoas se abstêm da carne, mas consomem peixes caros e preparam pratos finos e acham que estão fazendo jejum. Isso não é espírito de conversão. É preciso solidarizar-se com o pobre, transformar a vida dessas pessoas através do amor concreto, da Palavra de Deus que salva”, arremata.

Simbologia do número 40 marca o período cronológico

A Quaresma é o período litúrgico de 40 dias que a Igreja celebra em preparação para a Páscoa. Inicia na Quarta-Feira de Cinzas até a liturgia vespertina de Quinta-Feira Santa. Surgiu por volta do século IV com base na rica simbologia bíblica (os quarenta dias dos hebreus no deserto, os quarenta dias de Jesus no deserto, a pregação de Jonas aos ninivitas), o período quaresmal logo se caracterizou como tempo de preparação dos catecúmenos para o batismo da Páscoa, como tempo penitencial de preparação dos penitentes para a solene reconciliação de Quinta-Feira Santa e como tempo para uma prática cristã mais intensa estendida a todos os fiéis. O jejum é prática habitual da primitiva celebração cristã da Páscoa. O tempo desse jejum variava de uma comunidade para outra. Depois do século IV, entretanto, por motivos de uniformidade cronológica com o exemplo de Jesus, começou-se a estendê-lo por quarenta dias consecutivos antes da Páscoa. O diferente cômputo dos dias de jejum quaresmal deu origem também a uma pré-quaresma, ou seja, a uma antecipação de uma, duas ou três semanas. A reforma do concílio Vaticano II julgou inútil, porque anacrônica, a pré-quaresma e retornou ao antigo uso da celebração da quaresma de quarenta dias, insistindo sobre a disposição dos fiéis para a celebração do mistério pascal por meio da escuta mais freqüente da Palavra de Deus, da oração mais assídua, da lembrança ou da preparação para o batismo e da penitência. Os sinais distintivos da atual celebração quaresmal são o jejum na quarta-feira que antecede a quaresma (Quarta-Feira de Cinzas) e nas sextas-feiras seguintes, a omissão do Glória e do Aleluia na missa, a presença de formulários próprios e renovados na liturgia de cada dia, a suspensão da missa na sexta-feira e no sábado santos no rito romano e em todas as sextas-feiras no rito ambrosiano.



 

 


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