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Aos domingos, leigos podem participar da celebração
litúrgica na Capela da Ordem.
As orações
são rotina individual ou coletiva no claustro.
Carmelitas dedicam suas vidas
a Cristo
Dezessete monjas de clausura papal passam seus dias
orando e contemplando
A
Ordem Religiosa das Irmãs Carmelitas Descalças é uma
das mais peculiares da Igreja Católica. Um
carisma que se baseia na extrema solidão,
silêncio, pobreza, austeridade e penitência,
destingui essa família das outras congregações
e a torna motivo de curiosidade para muitos cristãos.
Em Belém, o convento da Bem-Aventurada Virgem
Maria do Monte Carmelo fica em um lugar tranqüilo,
em meio a uma paisagem bucólica, no município
de Benevides. Ao todo, são 17 carmelitas que
dedicam inteiramente suas vidas à oração
e contemplação dos mistérios
de Cristo, seguindo os conselhos do Evangelho segundo
a Regra Primitiva, criada por Santo Alberto de Jerusalém,
em 1240. “Somos monjas de clausura papal. Nos
dedicamos à contemplação e a
nossa principal atividade apostólica é a
oração”, explicou a madre Maria
de Cristo, atual priora da ordem. A religiosa também
contou que o Carmelo de Benevides tem suas origens
no Carmelo de Fátima de Portugal que, por
sua vez, fundou um Carmelo em Moçambique e
depois, a convite de Dom Alberto Ramos, vieram fundar
no Pará, em 1977. Segundo irmã Maria
de Cristo, primeiramente existiram apenas os padres
carmelitas. Depois, o Beato João Soreth, no
século XV, fundou a congregação
feminina, reformada por Santa Teresa de Jesus em
1562. “A intenção de nossa fundadora
era que as mulheres também pudessem ser monjas,
levando uma vida de recolhimento, voltando às
origens e tomando como exemplos Elias e os primeiros
ermitães, que, escondidos com Cristo em Deus,
oravam pela salvação do mundo e edificação
da Igreja”, afirma. Para irmã Maria
de Cristo a esperança de Santa Teresa era
seguir o Evangelho com toda a perfeição
para inspirar à humanidade uma vida santa.
A religiosa também contou que as famílias
carmelitas só podem ter, no máximo,
21 integrantes. “O motivo pelo qual vivemos
em pequenos grupos é devido o objetivo da
nossa Santa Madre em alcançar a convivência
fraterna como Jesus e os seus doze apóstolos”,
explica. Em Benevides, moram 17 monjas. A maioria
delas são idosas com mais de 60 anos. Três
jovens são postulantes, ou seja, vivem o postulado,
tempo de exercício e provações
espirituais que antecede o noviciado nas comunidades
religiosas. Irmã Maria de Cristo revelou que,
brevemente, a família carmelita de Belém
pode chegar a 20 integrantes. “Mais três
jovens estão fazendo os primeiros contatos
conosco, chamadas pela vocação”,
diz. De acordo com a priora da ordem, o convento
não é procurado com grande freqüência
pelas vocacionadas devido à rigidez do carisma. “São
poucas religiosas que se sentem inspiradas a levar
uma vida contemplativa. É por isso que dizemos
que a nossa vocação não depende
de uma escolha, mas de um chamado do próprio
Deus. Foi Deus quem escolheu essa vida para nós,
ou nos escolheu para ela”, conta. A vida das
irmãs carmelitas é diferente das irmãs
de ordens chamadas “ativas”. “O
nosso carisma exige a renúncia às coisas
mundanas para que haja dedicação única
e exclusiva ao ‘Corpo Místico de Cristo’”,
afirma a madre. “As ordens contemplativas são
o coração da Igreja e Santa Teresa
disse: ‘No coração da Igreja,
Eu serei o Amor’, então a nossa função é começar
na Terra o que todos faremos um dia no céu:
viver somente para Deus”, completa.
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