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A festa de Lourdes e
a palavra do Papa, no tempo da Quaresma – final
João Carlos Pereira
O dia 11 de fevereiro,
na cidade de Lourdes, geralmente registra baixíssimas
temperaturas e o aniversário da primeira
aparição da Senhora, em 1858, tem
uma comemoração mais interna do
que externa. Nem sempre há procissão,
especialmente a dos enfermos. Já houve
anos em que a área da gruta e o imenso
jardim que a ela conduz ficaram cobertos de neve.
Mas quando o tempo está bom, Lourdes assiste
a uma romaria de pessoas enfermas, à frente
das quais segue o Santíssimo Sacramento.
São doentes de vários locais, que
buscam na terra sagrada a cura ou o conforto
espiritual, a conformação com a
situação de enfermidade. A todos,
Nossa Senhora acolhe. Quem tem o merecimento
da cura, recebe-a. Quem ainda precisa passar
pela provação, volta para casa
com certeza do amparo de Maria Santíssima.
Das vezes em que estive em Lourdes, apenas em
uma tive a graça de assistir à comovente
procissão. Eram centenas, milhares, talvez,
de crianças, jovens, adultos e idosos
- muitos idosos - em macas, cadeiras de roda
(alguns iam até com o soro na veia) ou
apoiados em muletas - gente de muita fé,
em busca do auxílio que, de uma certa
forma, a medicina não podia oferecer.
Não falo dos pobres desamparados, de criaturas
que, no Brasil, são humilhadas pelo sistema
público de saúde, que funciona
mal e trata quem mais precisa de uma forma, às
vezes, desumana. Falo de gente que vive na Europa,
onde as pessoas são tratadas com dignidade
e recebem do Estado tratamento eficiente. Eles
estão lá, pedindo à Nossa
Senhora de Lourdes a luz da esperança.
Os relatos de curas são intermináveis
e impressionam. Todos reforçados pela
confirmação da medicina que, reconhecendo
sua incapacidade de salvar, entrega os pontos
e atribui ao milagre a recuperação
do doente. Em sua mensagem da Quaresma, nosso
bom João Paulo II alerta para a necessidade
de se acolher os idosos. Destaca a importância
da comunidade e da família para a vida
dos mais velhos, dizendo: “Como é importante
este recíproco enriquecimento entre as
diversas gerações! A Quaresma,
com o seu forte convite à conversão
e à solidariedade, leva-nos, este ano,
a focalizar estas importantes temáticas
que dizem respeito a todos. Que aconteceria se
o Povo de Deus cedesse a uma certa mentalidade
corrente, que considera quase inúteis
estes nossos irmãos e irmãs, quando
são limitados nas suas capacidades pelas
dificuldades da idade ou pela doença?
Ao contrário, como será diferente
a comunidade, começando pela família,
se procurar manter-se sempre aberta e acolhedora
em relação a eles!” Solidário
com os que sofrem e que vêem o sol da vida
se pôr, o Papa propõe uma reflexão
sobre uma morte e pede a todos, mas sempre destacando
os idosos, que aprofundem o conhecimento do Cristo
e que confiem nEle. A parte final de sua mensagem,
ao contrário do que se poderia pensar,
após uma leitura apressada, não
está envolvida na tristeza da morte, mas
em sua realidade, como parte essencial da vida.
O fim da jornada é, para o cristão,
o início da verdadeira alegria. Assim
escreve o pontífice: “Caríssimos
Irmãos e Irmãs, durante a Quaresma,
ajudados pela Palavra de Deus, reflitamos sobre
a importância de que cada Comunidade acompanhe
com uma compreensão amorosa todos os que
envelhecem. Além disso, é necessário
habituar-se a pensar com confiança no
mistério da morte, para que o encontro
definitivo com Deus se realize num clima de paz
interior, conscientes de que quem nos acolhe é Aquele
que nos teceu no seio materno” (cf. Sl
139, 13b) e nos quis “à Sua imagem
e semelhança” (cf. Gn 1, 26). Maria,
nossa guia no itinerário quaresmal, faça
com que todos os crentes, especialmente os anciãos,
cheguem a um conhecimento cada vez mais profundo
de Cristo morto e ressuscitado, que é a
razão derradeira da nossa existência.
Que ela, a fiel serva do seu Filho divino, juntamente
com os Santos Ana e Joaquim, interceda por todos
nós “agora e na hora da nossa morte”.
Com essas palavras, João Paulo II leva
o povo de Deus a refletir e concede sua bênção
a todos. Humildemente, de joelhos, recebo a bênção
do Papa e indico o “site” do Vaticano,
onde a mensagem da Quaresma e outros tantos documentos
pontifícios podem ser encontrados: www.vatican.va
Boa viagem (virtual) ao Vaticano.
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