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Santa
Bernadete
Ivens
Coimbra Brandão
Na cidade de Lourdes,
situada no sopé dos Pirineus franceses,
em uma quinta-feira, 11 de fevereiro de 1858,
a jovem Bernadete, com apenas 14 anos, saiu a
recolher lenha, para com a venda, suprir as necessidades
da família, pois seu pai estava desempregado.
Estava acompanhada da irmã Toinette e
da amiga Joana. Nas cercanias da cidade, diante
da gruta de Massabielle, suas acompanhantes atravessaram
um pequeno riacho, enquanto Bernadete hesitava,
ao ter que molhar os pés na água
fria, podendo assim comprometer sua saúde,
pois sofria de asma. Vencida a indecisão
inicial de atravessar o riacho, Bernadete começou
a retirar uma das meias, quando sentiu uma estranha
rajada de vento. Levantando a cabeça em
direção à planície,
viu que os arbustos não se mexiam. Continuou
a descalçar-se, quando nova rajada levou
seu olhar para a gruta. Ali sim, uma roseira
nativa se mexia, e uma cavidade, espécie
de nicho, se iluminou, emoldurando a figura de
uma jovem senhora que, sorrindo, faz sinal para
Bernadete se aproximar um pouco mais. Outras
aparições se sucederam, mas foi
na quarta vez, no dia 25 de março do mesmo
ano, ao lhe ser perguntado quem era, respondeu,
não no francês oficial, mas na língua
gascão, que Bernadete entendia: “Sou
a Imaculada Conceição”. Bernadete
nasceu em Lourdes, no dia 7 de janeiro de 1844,
que na metade do século XIX tinha cerca
de quatro mil habitantes, sendo uma das principais
atividades a moagem do trigo colhido nas redondezas.
Foi a primeira filha do casal François
Soubirous e Louise Castérot. O pai trabalhava
em um moinho da cidade, e tudo parecia correr
normalmente, até que começaram
a surgir as máquinas a vapor, fazendo
forte concorrência aos moinhos artesanais.
Tudo foi ficando mais difícil, tendo a
família que deixar o moinho, passando
François a trabalhar fazendo biscates.
Como se não bastassem as dificuldades
financeiras, a cidade foi abalada por uma epidemia
de cólera, vitimando Bernadete, deixando-lhe
asmática como seqüela. Perdidos todos
os bens, a família foi morar, de favor,
em um calabouço abandonado, uma espécie
de porão. Mas a oração sustentava
a unidade daquela família. No dia 25 de
fevereiro, Bernadete se dirige a Massabielle,
subindo de joelhos o aclive que a leva ao fundo
da gruta, curvando-se para beijar o solo, durante
todo o trajeto. Naquele dia, na presença
de cerca de 500 pessoas disse que assim procedia,
a pedido da Virgem Maria, como penitência
pela conversão dos pecadores. Chegando
a um canto da gruta, riscou o chão com
os próprios dedos, vendo brotar uma água
lamacenta, dela bebendo e lavando o rosto como
penitência. Começou então
a jorrar uma água cada vez mais límpida,
ali surgindo uma fonte. No dia 1º de março,
Catherine Latapie, que sofria de paralisia em
uma das mãos, ao mergulhá-la na
fonte, recuperou a mobilidade. Bernadete, que
se deixou fazer instrumento para que a água
jorrasse da terra, como que materializou a ação
do Espírito, que permitiu Nossa Senhora
abrir uma fresta no calabouço onde aquela
jovem morava para dali surgir uma vida nova,
como a água cristalina daquela fonte,
a testemunhar o Amor de Deus. Se para qualquer
cristão é difícil perseverar
na fé, para os escolhidos a uma missão
especial, como a de Bernadete, enormes são
os desafios. Quando a notícia das aparições
correu a cidade, Bernadete foi interpelada várias
vezes, sendo ameaçada de prisão.
O primeiro interrogatório foi do comissário
Jacomet, um policial hábil e temido, enquanto
Bernadete era analfabeta. Seguiram-se interpelações
feitas pelo procurador imperial, e pelo juiz
Ribes. Foi também interrogada por Dom
Laurence, bispo de Tarbes. Ao final do depoimento
de Bernadete, duas lágrimas rolam no rosto
do velho e imperturbável bispo. Treze
meses após, Dom Laurence promulga a seguinte
conclusão: “A Imaculada Mãe
de Deus apareceu de fato a Bernadete.” (Laurentin,
René - Bernadete, A Santa de Lourdes -
Paulinas, 4ª Ed. 2003, S.P.). Depois das
aparições, e o tempo de testemunho,
Bernadete deixou Lourdes, chegando a Nevers no
dia 7 de julho de 1866, sendo acolhida pelas
Irmãs da Caridade. Junto com mais 44 noviças,
fez sua profissão no dia 30 de outubro
de 1867. Dispondo de pouca escolaridade, ficou
servindo na “casa-mãe”, com
tarefas na enfermaria. Acometida por tuberculose,
seu estado agravou-se em 1873, vindo a falecer
em 16 de abril de 1879, aos 35 anos. Com várias
escaras nas costas, após sua morte seu
corpo como que “refloresce”, permanecendo
intacto, conforme o verificado em três
exumações. Milhares de pessoas
já visitaram a gruta em Lourdes, havendo
cerca de 2.000 curas inexplicáveis, sendo
57 reconhecidas pelo “Consultório
Médico de Lourdes”. Bernadete foi
canonizada pelo Papa Pio XI em 8 de dezembro
de 1933. De parte do articulista, elaborar o
presente resumo fez-lhe avivar sinais marianos
em sua família, pelo menos no nome das
duas filhas e quatro netas, todas marcadas no
batismo com o nome de Maria. Quanto à esposa,
já a recebeu com o nome de Maria... de
Lourdes.
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