Conversa com o meu Povo

      Dom Orani João Tempesta,
      O. Cist. Arcebispo Metropolitano de Belém

     

      Estamos iniciando, com a Quarta-feira de Cinzas, a Quaresma e a Campanha da Fraternidade de 2005. Com as cinzas colocadas sobre as nossas cabeças, estamos sinalizando que aceitamos viver com a Igreja os próximos 40 dias, na procura de corresponder ao chamado de Deus para uma vida de sincera conversão, a fim de que cheguemos com muita alegria e vida nova à Páscoa da Ressurreição, quando renovaremos as nossas promessas batismais. Este é um tempo riquíssimo de simbolismos e de apelos, assim como o tempo propício para uma boa celebração de reconciliação unida à esmola, penitência e jejum. Eis o tempo favorável, eis o dia da Salvação! Aproveitemos desse tempo. Para nos ajudar a vivenciarmos a Quaresma, desde 1964 a Igreja Católica promove a Campanha da Fraternidade, ocasião em que um tema é apresentado como motivação para a fraternidade e, conseqüentemente, para a nossa conversão diante da situação apresentada. Estamos neste ano de 2005 iniciando a 41ª Campanha da Fraternidade. Ela se tornou um marco para a reflexão das questões sociais para o nosso país, pois não se dirige apenas aos católicos, mas a todas as pessoas de boa vontade que querem refletir sobre as situações angustiantes de nosso tempo. Por causa dessa abertura da Campanha da Fraternidade, iniciamos no ano 2000 uma nova experiência: a CNBB entrega a organização do evento para o Conic (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs). Estamos agora, neste ano de 2005, na segunda Campanha da Fraternidade organizada de maneira ecumênica. Aqui em Belém, temos o Conselho Amazônico de Igrejas Cristãs (Caic) que, de uma certa forma, organiza esse evento em nosso regional. Neste ano, estaremos abordando o tema “Solidariedade e Paz”, que nos coloca no foco principal dos problemas atuais (violência, guerras, fome, miséria, desunião familiar, mortes, abusos etc.) e nos consola dizendo que vale a pena trabalhar nesta direção, porque são “Felizes os que promovem a paz” (lema da CF 2005). Ao mesmo tempo em que examinamos as diversas faces da violência hodierna em todos os sentidos (a repressiva, a estrutural, as escondidas, a social e aquelas que mais aparecem na mídia em geral), olhamos com esperança de construirmos um mundo de paz, onde os diferentes se aceitem e respeitem e se sintam enriquecidos uns pelos outros. Este tema supõe um trabalho de educação em nossas Igrejas, nas escolas e em toda a sociedade. Estaremos trabalhando para apoiar o desarmamento, procurando divulgar e estudar o texto do seu estatuto, assim como a questão do menor com a respectiva divulgação e outros. Na Igreja Católica, os nossos grupos de reflexão já estão acostumados a utilizar os textos sobre o tema da Campanha da Fraternidade em suas reflexões. As celebrações litúrgicas quaresmais também são conduzidas, demonstrando que a vida de conversão supõe atitudes concretas, e, entre elas, o tema da CF será um dos caminhos para a reflexão. Mas quero propor também esta reflexão para toda a sociedade paraense, e não só para os Grupos de Reflexão. Todos os dias, nossos jornais retratam conflitos em todos os cantos de nosso Estado. Quais seriam as atitudes melhores que ajudariam o povo que aqui vive a viver em paz? Como ser solidários neste tempo de tanta concorrência e interesses? Eis uma boa reflexão para que nestes 40 dias que iniciamos nesta Quarta-feira de Cinzas se transforme em atitudes concretas.



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