Qual
a avaliação do trabalho realizado
pelas paróquias, através das
suas diversas pastorais sociais, em prol
dos necessitados no ano passado?
Nossa avaliação é que
este ano houve um avanço em termos
da articulação que se procura
para que este trabalho das pastorais
sociais possam contar com o envolvimento
de todas as paróquias, a medida
que se vai organizando nas paróquias
o funcionamento do Conselho Pastoral
Paroquial (CPP) e do Núcleo de
Pastoral Social, esta articulação
vai ficando reforçada
Um dos projetos foi
a implantação de banco de
alimentos nas paróquias. Quantas
já iniciaram este trabalho e que
resultados podem ser vistos?
Antes de tudo é bom
falar um pouco sobre o projeto Fome
de Viver, do qual o banco de alimentos
faz parte como uma das atividades de
curto prazo, sendo uma das coisas que
podem ser feitas imediatamente dependendo
apenas da vontade e da sensibilidade
da comunidade, e que não exige
grandes recursos. O banco de alimentos
já está efetivamente
implantado em oito paróquias
da Arquidiocese de Belém. Existem
outras paróquias que tem trabalhos
voltados para a formação
do banco de alimentos, neste Natal
de 2004, todos trabalharam com a semente
do banco de alimentos e se espera que
a partir deste ano pastoral, assim
que as paróquias voltarem às
suas atividades normais, este esforço
do Natal continue para que se tenha
mais paróquias envolvidas com
a formação do banco de
alimentos que consiste basicamente
em se ter uma relação
de pessoas, de empresas, forças
vivas da comunidade, que podem contribuir
com o banco de alimentos e uma atualização
permanente dos necessitados da comunidade
através dos diversos movimentos
e pastorais, serviços e ministérios
que já desenvolvem o seu trabalho,
de pegar o cadastro que está pulverizado
em cada um desses membros da comunidade
e unificar para que não se tenha
duplicação de atendimento.
Os resultados deste trabalho, principalmente
naquelas paróquias que já têm
Centro Social instalado, já há uma
troca de comunicação
para a conferência de cadastros
nas paróquias vizinhas, mesmo
naquelas que são um pouco distantes
para evitar que tenham pessoas fazendo
peregrinação nas paróquias
e sendo beneficiadas, às vezes,
a mesma pessoa cerca de cinco vezes.
Então este é um avanço
neste sentido do controle de cadastro.
Quais as maiores dificuldades
do trabalho neste ano que passou, e quais
as metas e prioridades pastorais para 2005?
Tivemos dificuldades internas de compreensão, com relação à Igreja,
que aqui a gente coloca como os padres, religiosos, leigos e diáconos,
de que esse trabalho de pastoral social não é mais apenas
um núcleo ou grupo de pastoral a mais. Mas é um espaço
de trabalho em que todas as pastorais, movimentos e serviços devem
participar mantendo as suas características e peculiaridades de
cada trabalho, mas contribuindo para que se tenha um trabalho em comunidade. É evidente
que para isso é preciso a existência de um grupo que pense,
mas não necessariamente que seja mais um grupo pastoral. A outra
dificuldade é fazer com que percebam que o trabalho da pastoral
social não é apenas aquele que é chamado ainda de
assistencialismo. Esta é a primeira coisa a ser mudada, para que
saiamos daí para o segundo e terceiro passo que implicam em criar
estruturas na comunidade para aproveitar as que já existem para
que a comunidade se auto sustente gerando cursos, treinamento para preparação
de mão obra, organização de pequenos cooperativismos,
e aproveitando as parcerias os três setores: governamental, comercial
e das próprias organizações não governamentais
(ONG’s). E também realizar o terceiro passo que é chegar
na participação efetiva do leigo cristão cidadão
nas políticas
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públicas,
seja através dos conselhos, das
associações de bairros,
da participação nos sindicatos
como também na vida política.São
estes os grandes eixos de trabalho da Pastoral
Social, todos eles com base numa espiritualidade
que mantém o seu fundamento principal
que é a pastoral, portanto, uma
ação evangelizadora
Qual
sua avaliação do trabalho dos
voluntários que ajudaram na realização
da campanha, coletando alimentos, preparando
e distribuindo as cestas?
Precisamos melhorar várias coisas, entre elas já tem havido
um esforço muito grande da Arquidiocese dentro do seu Plano de
Pastoral, de formação dos leigos e este esforço
pode ser concretamente observado no Centro de Cultura e Formação
Cristã da Arquidiocese, com diversos cursos que estão sendo
colocados e disponibilizados para que os leigos possam se atualizar,
aperfeiçoar o conhecimento da doutrina, aprofundar a fé,
e é bom evidenciar que não é por falta de dinheiro
que alguém deixará de fazer os cursos que estão
disponíveis no Centro. A outra necessidade que temos, que decorre
da formação, mas nem sempre está acontecendo, é a
consciência de que as coisas de Deus têm que ser melhor planejadas
que as coisas do mundo. Então precisamos ainda, nas nossas paróquias,
avançar no planejamento pastoral. Já há paróquias
se reunindo para a realização das suas assembléias
pastorais, fazendo planejamento, mas ainda há dificuldade na hora
da execução, de tirar as coisas do papel e executar na
prática. Também é preciso levar a comunidade a perceber
que humanização é evangelização. Na
medida em que se trabalha o resgate da pessoa, a dignidade do ser humano,
nós já estamos evangelizando.
Por falar neste aspecto
da capacitação destes líderes
e voluntários, o que está previsto
para a formação destes agentes
de pastorais, e de novos voluntários?
Que dimensões serão priorizadas?
Em termos específicos
de pastoral já há toda
a programação do Centro
de Cultura e Formação Cristã.
Agora mais especificamente para a coordenação
de pastoral tem cursos que já fazem
parte do calendário da Pastoral
da Criança, por exemplo, atividade
de formação dentro da Pastoral
do Menor. Com relação a
Pastoral Carcerária tem a formação
de agentes para esta pastoral, que se
trata de uma necessidade urgente de aumentar
o número de pessoas que se dediquem
a esta pastoral. Há também
projeto de realinhamento da Pastoral
da Saúde, em função
das orientações e diretrizes
da Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil (CNBB), e das orientações
do nosso Arcebispo Dom Orani Tempesta;
a realização da IV Semana
de Estudos Sociais, cujo tema ainda será definido,
mas que deverá ocorrer no próximo
mês de setembro.
Falando em Pastoral
da Saúde, que parece estar um pouco
esquecida, como ela será reestruturada
este ano?
Estamos ainda
esperando as orientações
do nosso Arcebispo, Dom Orani, para
ver em que sentido vamos dinamizar
o trabalho da Pastoral da Saúde,
que já desenvolve trabalhos
com orientações na área
de medicina preventiva, mas que precisa
avançar em outros pontos. A
atual coordenadora é irmã Hélia,
e o atendimento funciona fora do Centro
de Pastoral (Cúria Arquidiocesana),
e isso faz com que muitas vezes não
se perceba a existência dela.
A sociedade está mais
consciente para ajudar a minimizar as carências
do próximo? Existe uma consciência
maior?
Hoje nós já percebemos isso. O que talvez a gente esteja
sentindo é que a consciência não está acompanhada
de um ato concreto. Talvez até mesmo por toda uma cultura, uma
realidade social desfavorável que faz com que grande parte da
população esteja inserida na faixa de dificuldades econômicas,
são poucos aqueles que no momento estão gozando de uma
situação financeira que possibilite uma outra forma de
se expressar. Por outro lado, sabemos que enquanto Igreja não é exatamente
o dinheiro a única forma de a sociedade contribuir. É exatamente
o que se busca quando se pretende que cada cidadão seja um cristão
voluntário, e que perceba que às vezes, até uma
visita para um irmão necessitado dá mais resultado prático,
sendo um ato muito maior do que simplesmente a entrega de um valor financeiro,
seja ele qual for, ou uma cesta básica.
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A
Arquidiocese de Belém vem trabalhando
em parceria com o Governo do Estado, principalmente
através do Programa de Articulação
da Cidadania (PAC), há algum projeto
neste sentido para este ano?
Pretendemos inaugurar
este ano uma agenda com alguns eventos
junto com esta parceria do PAC e, quem
sabe, em conjunto com ONG’s. A
primeira intenção é que
aqueles eventos mais fortes do ano e
que tenham a ver com a sociedade em geral,
não apenas especificamente com
a Igreja Católica, mas aproveitando
a motivação social até mesmo
da própria Campanha da Fraternidade,
que mais uma vez este ano tem um tema
de interesse de todos nós, portanto,
um tema ecumênico, que é: “Solidariedade
e paz”. Teremos uma reunião
nos próximos dias 18, 19 e 20
de janeiro, com agentes diferenciados.
No dia 18, com a coordenação
da Pastoral Social; dia 19, com a coordenação
dos movimentos, em que estarei presente
enquanto coordenador, e no dia 20 haverá reunião
com os coordenadores de pastorais sociais
das paróquias. Após estas
reuniões será agendada
uma reunião com a gerência
do PAC, para tratar deste calendário.
Cabe ao Arcebispo
a orientação de todos os
projetos das pastorais sociais dentro de
uma Arquidiocese. Como está este
diálogo com Dom Orani, que completou
apenas um mês na administração
arquidocesana?
Nosso Arcebispo,
que é um presente de Deus para
nós, já é conhecido
no Brasil todo como um bispo voltado
não apenas para a questão
da comunicação, mas também
para as questões sociais. Isso,
evidentemente, cria uma expectativa favorável
e com certeza avançaremos em alguns
campos. Por outro lado, o fato de se
ter uma nova Diocese, que abrange os
municípios do interior, a partir
de Castanhal, deverá dar oportunidade
para que os esforços que antes
eram feitos para a alcançar, efetivamente,
uma região geograficamente maior,
hoje ele ficará de certo modo,
um pouco mais numa região geográfica
menor, isso deverá trazer alguns
resultados concretos, marcando a presença
efetiva da Igreja em locais onde hoje
ainda anda pouco difusa.
E com o clero de Belém?
Como os padres ajudam ou podem ajudar mais
no desenvolvimento do trabalho das pastorais?
Entendemos que
não há dificuldades de
diálogo. A dificuldade dos padres
de implementação de algumas
atividades em função daquilo
que já é bíblico: ‘a
messe é grande, mas são
poucos os operários’. Então,
na medida em que existe nas paróquias
apenas um padre e que ele precisa ter
tempo para desenvolver a sua atividade
de pastoreio do rebanho, da presença
do pastor, e se aumenta o volume de trabalho
e de atividade paroquial, isso cria dificuldades
para que ele tenha mais controle e esteja
presente. É preciso um esforço
de formação e engajamento
de leigos, não apenas com boa
vontade, mas com capacidade, e presença
de leigos que amem a Igreja, para que
possam ser aqueles assessores que levem
o padre a ter uma abertura maior, e ver
que pode contar com pessoas, leigas ou
religiosas, que possam ajudar no trabalho.
E como ficará a
coordenação de pastoral na
nova Diocese. A coordenação
da Arquidiocese de Belém vai ajudar
a nova Diocese em algum sentido?
Existe já a disponibilidade de se colocar a serviço da
Igreja, e desde que a nova Diocese sinta assim, estamos disponíveis,
pois todos nós somos igreja, em qualquer local. O fato de ter
esta divisão geográfica serve apenas como referencial administrativo.
LEGENDA: Mais de 13 mil pessoas se beneficiaram da solidariedade dos
católicos sensibilizados o a situação de irmãos
carentes. Banco de alimentos já é realidade
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