Mais de 13 mil pessoas se beneficiaram da solidariedade dos católicos sensibilizados
com a situação de irmãos carentes. Banco de alimentos já é realidade.

Pastoral Social avalia e planeja atividades

     A Pastoral da Social da Arquidiocese de Belém reúne, na próxima semana, nos dias 18, 19 e 20, todos os coordenadores de pastorais, movimentos e serviços para uma avaliação dos trabalhos e planejamento das metas pastorais para 2005.
    Ainda sem os números oficiais de quantas pessoas foram beneficiadas, somente no ano passado, com as atividades realizadas nas paróquias e comunidades, a Pastoral estima que a meta de 13 mil pessoas tenha sido superada. Um dos últimos trabalhos em 2004 foi a realização da Campanha “De Belém para Belém - Um Natal sem Fome”, dentro do Projeto “Fome de Viver”, que envolveu as 85 paróquias da capital e do interior.      Coordenador da Pastoral Social da Arquidiocese há três anos, Jamesson Nascimento explica que a campanha foi realizada em parceria nacional com a empresa Nestlé através do Movimento dos Vicentinos.
     Ele disse que 2004 foi um ano de conquistas para as pastorais sociais e que uma das metas para 2005 será conseguir maior participação efetiva do leigo cristão nas políticas públicas, seja através dos conselhos, das associações de bairros, da participação nos sindicatos como também na vida política.
     “ A outra necessidade que temos, que decorre da formação, mas nem sempre está acontecendo, é a consciência de que as coisas de Deus têm que ser melhor planejadas que as coisas do mundo. Então precisamos ainda, nas nossas paróquias, avançar no planejamento pastoral”, destaca. Jamesson também faz uma avaliação do trabalho conjunto com o clero de Belém, anuncia mudanças na Pastoral da Saúde, e fala das expectativas com a criação da nova Diocese de Castanhal

Qual a avaliação do trabalho realizado pelas paróquias, através das suas diversas pastorais sociais, em prol dos necessitados no ano passado?
Nossa avaliação é que este ano houve um avanço em termos da articulação que se procura para que este trabalho das pastorais sociais possam contar com o envolvimento de todas as paróquias, a medida que se vai organizando nas paróquias o funcionamento do Conselho Pastoral Paroquial (CPP) e do Núcleo de Pastoral Social, esta articulação vai ficando reforçada

Um dos projetos foi a implantação de banco de alimentos nas paróquias. Quantas já iniciaram este trabalho e que resultados podem ser vistos?
Antes de tudo é bom falar um pouco sobre o projeto Fome de Viver, do qual o banco de alimentos faz parte como uma das atividades de curto prazo, sendo uma das coisas que podem ser feitas imediatamente dependendo apenas da vontade e da sensibilidade da comunidade, e que não exige grandes recursos. O banco de alimentos já está efetivamente implantado em oito paróquias da Arquidiocese de Belém. Existem outras paróquias que tem trabalhos voltados para a formação do banco de alimentos, neste Natal de 2004, todos trabalharam com a semente do banco de alimentos e se espera que a partir deste ano pastoral, assim que as paróquias voltarem às suas atividades normais, este esforço do Natal continue para que se tenha mais paróquias envolvidas com a formação do banco de alimentos que consiste basicamente em se ter uma relação de pessoas, de empresas, forças vivas da comunidade, que podem contribuir com o banco de alimentos e uma atualização permanente dos necessitados da comunidade através dos diversos movimentos e pastorais, serviços e ministérios que já desenvolvem o seu trabalho, de pegar o cadastro que está pulverizado em cada um desses membros da comunidade e unificar para que não se tenha duplicação de atendimento. Os resultados deste trabalho, principalmente naquelas paróquias que já têm Centro Social instalado, já há uma troca de comunicação para a conferência de cadastros nas paróquias vizinhas, mesmo naquelas que são um pouco distantes para evitar que tenham pessoas fazendo peregrinação nas paróquias e sendo beneficiadas, às vezes, a mesma pessoa cerca de cinco vezes. Então este é um avanço neste sentido do controle de cadastro.

Quais as maiores dificuldades do trabalho neste ano que passou, e quais as metas e prioridades pastorais para 2005?
Tivemos dificuldades internas de compreensão, com relação à Igreja, que aqui a gente coloca como os padres, religiosos, leigos e diáconos, de que esse trabalho de pastoral social não é mais apenas um núcleo ou grupo de pastoral a mais. Mas é um espaço de trabalho em que todas as pastorais, movimentos e serviços devem participar mantendo as suas características e peculiaridades de cada trabalho, mas contribuindo para que se tenha um trabalho em comunidade. É evidente que para isso é preciso a existência de um grupo que pense, mas não necessariamente que seja mais um grupo pastoral. A outra dificuldade é fazer com que percebam que o trabalho da pastoral social não é apenas aquele que é chamado ainda de assistencialismo. Esta é a primeira coisa a ser mudada, para que saiamos daí para o segundo e terceiro passo que implicam em criar estruturas na comunidade para aproveitar as que já existem para que a comunidade se auto sustente gerando cursos, treinamento para preparação de mão obra, organização de pequenos cooperativismos, e aproveitando as parcerias os três setores: governamental, comercial e das próprias organizações não governamentais (ONG’s). E também realizar o terceiro passo que é chegar na participação efetiva do leigo cristão cidadão nas políticas

públicas, seja através dos conselhos, das associações de bairros, da participação nos sindicatos como também na vida política.São estes os grandes eixos de trabalho da Pastoral Social, todos eles com base numa espiritualidade que mantém o seu fundamento principal que é a pastoral, portanto, uma ação evangelizadora
Qual sua avaliação do trabalho dos voluntários que ajudaram na realização da campanha, coletando alimentos, preparando e distribuindo as cestas?

Precisamos melhorar várias coisas, entre elas já tem havido um esforço muito grande da Arquidiocese dentro do seu Plano de Pastoral, de formação dos leigos e este esforço pode ser concretamente observado no Centro de Cultura e Formação Cristã da Arquidiocese, com diversos cursos que estão sendo colocados e disponibilizados para que os leigos possam se atualizar, aperfeiçoar o conhecimento da doutrina, aprofundar a fé, e é bom evidenciar que não é por falta de dinheiro que alguém deixará de fazer os cursos que estão disponíveis no Centro. A outra necessidade que temos, que decorre da formação, mas nem sempre está acontecendo, é a consciência de que as coisas de Deus têm que ser melhor planejadas que as coisas do mundo. Então precisamos ainda, nas nossas paróquias, avançar no planejamento pastoral. Já há paróquias se reunindo para a realização das suas assembléias pastorais, fazendo planejamento, mas ainda há dificuldade na hora da execução, de tirar as coisas do papel e executar na prática. Também é preciso levar a comunidade a perceber que humanização é evangelização. Na medida em que se trabalha o resgate da pessoa, a dignidade do ser humano, nós já estamos evangelizando.

Por falar neste aspecto da capacitação destes líderes e voluntários, o que está previsto para a formação destes agentes de pastorais, e de novos voluntários? Que dimensões serão priorizadas?
Em termos específicos de pastoral já há toda a programação do Centro de Cultura e Formação Cristã. Agora mais especificamente para a coordenação de pastoral tem cursos que já fazem parte do calendário da Pastoral da Criança, por exemplo, atividade de formação dentro da Pastoral do Menor. Com relação a Pastoral Carcerária tem a formação de agentes para esta pastoral, que se trata de uma necessidade urgente de aumentar o número de pessoas que se dediquem a esta pastoral. Há também projeto de realinhamento da Pastoral da Saúde, em função das orientações e diretrizes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e das orientações do nosso Arcebispo Dom Orani Tempesta; a realização da IV Semana de Estudos Sociais, cujo tema ainda será definido, mas que deverá ocorrer no próximo mês de setembro.

Falando em Pastoral da Saúde, que parece estar um pouco esquecida, como ela será reestruturada este ano?
Estamos ainda esperando as orientações do nosso Arcebispo, Dom Orani, para ver em que sentido vamos dinamizar o trabalho da Pastoral da Saúde, que já desenvolve trabalhos com orientações na área de medicina preventiva, mas que precisa avançar em outros pontos. A atual coordenadora é irmã Hélia, e o atendimento funciona fora do Centro de Pastoral (Cúria Arquidiocesana), e isso faz com que muitas vezes não se perceba a existência dela.

A sociedade está mais consciente para ajudar a minimizar as carências do próximo? Existe uma consciência maior?
Hoje nós já percebemos isso. O que talvez a gente esteja sentindo é que a consciência não está acompanhada de um ato concreto. Talvez até mesmo por toda uma cultura, uma realidade social desfavorável que faz com que grande parte da população esteja inserida na faixa de dificuldades econômicas, são poucos aqueles que no momento estão gozando de uma situação financeira que possibilite uma outra forma de se expressar. Por outro lado, sabemos que enquanto Igreja não é exatamente o dinheiro a única forma de a sociedade contribuir. É exatamente o que se busca quando se pretende que cada cidadão seja um cristão voluntário, e que perceba que às vezes, até uma visita para um irmão necessitado dá mais resultado prático, sendo um ato muito maior do que simplesmente a entrega de um valor financeiro, seja ele qual for, ou uma cesta básica.

A Arquidiocese de Belém vem trabalhando em parceria com o Governo do Estado, principalmente através do Programa de Articulação da Cidadania (PAC), há algum projeto neste sentido para este ano?
Pretendemos inaugurar este ano uma agenda com alguns eventos junto com esta parceria do PAC e, quem sabe, em conjunto com ONG’s. A primeira intenção é que aqueles eventos mais fortes do ano e que tenham a ver com a sociedade em geral, não apenas especificamente com a Igreja Católica, mas aproveitando a motivação social até mesmo da própria Campanha da Fraternidade, que mais uma vez este ano tem um tema de interesse de todos nós, portanto, um tema ecumênico, que é: “Solidariedade e paz”. Teremos uma reunião nos próximos dias 18, 19 e 20 de janeiro, com agentes diferenciados. No dia 18, com a coordenação da Pastoral Social; dia 19, com a coordenação dos movimentos, em que estarei presente enquanto coordenador, e no dia 20 haverá reunião com os coordenadores de pastorais sociais das paróquias. Após estas reuniões será agendada uma reunião com a gerência do PAC, para tratar deste calendário.

Cabe ao Arcebispo a orientação de todos os projetos das pastorais sociais dentro de uma Arquidiocese. Como está este diálogo com Dom Orani, que completou apenas um mês na administração arquidocesana?
Nosso Arcebispo, que é um presente de Deus para nós, já é conhecido no Brasil todo como um bispo voltado não apenas para a questão da comunicação, mas também para as questões sociais. Isso, evidentemente, cria uma expectativa favorável e com certeza avançaremos em alguns campos. Por outro lado, o fato de se ter uma nova Diocese, que abrange os municípios do interior, a partir de Castanhal, deverá dar oportunidade para que os esforços que antes eram feitos para a alcançar, efetivamente, uma região geograficamente maior, hoje ele ficará de certo modo, um pouco mais numa região geográfica menor, isso deverá trazer alguns resultados concretos, marcando a presença efetiva da Igreja em locais onde hoje ainda anda pouco difusa.

E com o clero de Belém? Como os padres ajudam ou podem ajudar mais no desenvolvimento do trabalho das pastorais?
Entendemos que não há dificuldades de diálogo. A dificuldade dos padres de implementação de algumas atividades em função daquilo que já é bíblico: ‘a messe é grande, mas são poucos os operários’. Então, na medida em que existe nas paróquias apenas um padre e que ele precisa ter tempo para desenvolver a sua atividade de pastoreio do rebanho, da presença do pastor, e se aumenta o volume de trabalho e de atividade paroquial, isso cria dificuldades para que ele tenha mais controle e esteja presente. É preciso um esforço de formação e engajamento de leigos, não apenas com boa vontade, mas com capacidade, e presença de leigos que amem a Igreja, para que possam ser aqueles assessores que levem o padre a ter uma abertura maior, e ver que pode contar com pessoas, leigas ou religiosas, que possam ajudar no trabalho.

E como ficará a coordenação de pastoral na nova Diocese. A coordenação da Arquidiocese de Belém vai ajudar a nova Diocese em algum sentido?
Existe já a disponibilidade de se colocar a serviço da Igreja, e desde que a nova Diocese sinta assim, estamos disponíveis, pois todos nós somos igreja, em qualquer local. O fato de ter esta divisão geográfica serve apenas como referencial administrativo.
LEGENDA: Mais de 13 mil pessoas se beneficiaram da solidariedade dos católicos sensibilizados o a situação de irmãos carentes. Banco de alimentos já é realidade

 

 

 


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