O rápido e desordenado crescimento
traz a modernidade e problemas.

Tudo começou com o Forte do Presépio


     
     Quando o capitão-mor Francisco Caldeira Castelo Branco fundou o pequeno vilarejo de Santa Maria da Graça de Belém do Grão-Pará, em 12 de janeiro de 1616, certamente não imaginou que o lugar se tornaria uma metrópole encravada na Amazônia, cheia de desafios sociais e de grande atrativo turístico. Designado pela Coroa Portuguesa para explorar e proteger a foz do Rio Amazonas contra os corsários estrangeiros, principalmente franceses, Castelo Branco percebeu que a nova área tinha bastante potencial econômico devido a suas riquezas naturais, como a madeira. Ele desembarcou em Belém, que era habitada pelos índios Tupinambás, com uma tropa de 150 militares, a maioria de brasileiros. O capitão português mandou construir às margens da Baía do Guajará uma fortaleza de madeira, batizada de Forte do Presépio, o marco zero da cidade, também chamado por Castelo Branco de “Feliz Lusitânia”. Os portugueses ergueram o forte para fiscalizar a entrada da região amazônica pela foz do Rio Pará, que se encontra com o Rio Amazonas. O vilarejo foi crescendo a partir do Forte do Presépio, dando origem onde hoje está localizado o bairro da Cidade Velha, à beira do Rio Guamá. Às margens da Baía do Guajará desenvolveu-se o bairro da Campina, que era separado do primeiro por um igapó e pelo igarapé do Piri, que hoje, se não tivesse sido aterrado em 1803, desembocaria no Ver-o-Peso. Belém cresceu discretamente, se afastando do litoral no século XVIII, e mais para o final do século começa a crescer sua população, em resposta à abertura do Rio Amazonas à navegação internacional e crescente importância do porto da cidade. Segundo conta o historiador José Valente o primeiro local escolhido por Castelo Branco para ocupar a nova região amazônica foi a Ponta do Cruzeiro, onde hoje se localiza o distrito de Icoaraci. Entretanto, o navegador e cosmógrafo Pedro Teixeira e o capitão e engenheiro João de Deus avaliaram as condições do Rio Maguari, que corta o local, e concluíram que ele era navegável, o que facilitaria um contra-ataque dos inimigos. “Então Castelo Branco foi seguindo viagem até chegar ao Rio Pará, onde fundou o Forte do Presépio. Lá, ele e sua tropa foram recebidos amigavelmente pelos índios Tupinambás, liderados pelo cacique Guaimiaba (Cabelo de Velha), que já haviam feito contato com o explorador francês Daniel de La Touche”, diz Valente. O historiador conta que apesar da boa acolhida dos índios, o capitão português começou a aprisioná-los e obrigá-los a trabalhar em plantações de cana-de-açúcar, onde hoje fica a Igreja do Carmo. Em 1619, os índios se revoltaram e atacaram o Forte do Presépio. Castelo Branco mandou matar o cacique Guaimiaba para controlar a guerrilha. “Nessa revolta, o capitão foi preso e deportado de Belém, porque ele também havia sido omisso quanto ao assassinato cometido por seu sobrinho, o capitão Antônio Cabral, que em uma discussão matou a facadas o comandante Álvaro Neto. Foi a partir desse episódio que a cidade começou a crescer, porque Castelo Branco era um corrupto que queria somente enriquecer às nossas custas”, opina Valente. Para ele, Belém começou a desenvolver-se a partir de 1751, quando chegou o capitão Francisco Xavier de Mendonça Furtado, que anunciou a nova nomenclatura do Estado do Maranhão e Grão-Pará, elevando o vilarejo à condição de cidade. O Estado passou então a ser denominado de “Estado do Grão Pará e Maranhão-Rio Negro”, o que causou insatisfação aos maranhenses. “Mas aqui, Furtado Mendonça fundou a Companhia de Comércio Grão Pará e Maranhão o que alavancou a economia da cidade, trazendo também 1,5 mil artesãos que incentivaram, com seu trabalho, as exportações de nossos produtos para outras cidades”, diz. José Valente fala ainda que a explosão demográfica da capital paraense aconteceu a partir de 1819. O governo de dom Pedro II incentivou a migração de retirantes para a Amazônia, devido à forte seca, que assolava o Nordeste. “Chegaram a Belém, de uma só vez, 963 flagelados e não parou mais. Essa gente propiciou uma grande miscigenação na região. Até 1816, a população era de maioria indígena. Desde lá, o povo amazônida nativo começou a entrar em extinção”, opina. Atualmente, a população estimada de Belém é de cerca de 1,5 milhão de habitantes.



Clique aqui para imprimir esta notícia...

 



Página inicial.