A falta de uma política de preservação fez desaparecer
prédios como o do Café da Paz, na Presidente Vargas

Povo se organiza para fazer a primeira revolução nacional


     
      Um dos episódios mais marcantes da história de Belém é a revolta genuinamente popular ocorrida em 1835, denominada de “Cabanagem”. A revolução eclodiu no Pará no dia 7 de janeiro, sendo a primeira na América Latina, e única no Brasil, em que o povo realmente assumiu o poder, afirma o historiador e pesquisador Carlos Roque, falecido há cinco anos. Em sua obra “Cabanagem: epopéia de um povo”, ele explica que a maioria dos combatentes era formada por pessoas humildes, que moravam em cabanas e, por isso, foram denominados “cabanos”, Por extensão, a revolução ficou conhecida como Cabanagem. Ele diz que, entre as causas da revolução, a frustração nacionalista após a adesão do Pará à Independência do Brasil em 1823. “Embora aderindo ao império brasileiro, o paraense continuou afastado das decisões políticas, e o poder continuou concentrado em mãos dos conservadores, ou seja, daqueles que vinham explorando o Pará desde os tempos do Brasil Colônia”, diz o pesquisador. Carlos Roque afirma que a Cabanagem foi uma explosão nativista, uma espécie de frente política que congregou os insatisfeitos burgueses nacionalistas que “queriam a sua fatia do bolo econômico”, os militares que desejavam escalar postos maiores; os políticos que queriam a sua vez; os sem-terra que ansiavam por terra; os índios e mestiços, que guardavam ódio contra os dominadores desde os tempos da conquista, os negros escravos que almejavam por liberdade. “Lógico e compreensível que, após a vitória, esses grupos entrassem em choque entre si, pela heterogeneidade de classes, e de interesses”, acentua o historiador. Os líderes da Cabanagem que se destacaram foram os irmãos Antônio e Francisco Vinagre e o cônego João Batista Gonçalves Campos. De Belém, a revolta irradiou-se por todo o interior amazônico, pois naquela época toda a Amazônia era Província do Pará. A revolta terminou em 1840. Ao todo, ficou um saldo de 30 mil mortos, um quarto da população amazônica da época. “Mas deixou, como saldo positivo, a quebra do monopólio mercantil e a perda de controle político por parte dos conservadores e o desbaratamento do sistema escravagista do Pará”, afirma Carlos Roque. Massacre - O trágico episódio da morte de mais de 250 militantes de uma revolução contra o avanço das idéias nacionalistas no Pará, no porão do brigue “Palhaço”, em 1823, antes da eclosão da Cabanagem, também marcou a história de Belém. Imortalizada nos traços de Romeu Maris Filho, que pintou o quadro “A Tragédia do Brigue Palhaço”, em 1936, em exposição no Museu de Artes de Belém, a chacina foi símbolo da resistência do idealismo marajorara. Sem solução pacífica, o imperador dom Pedro I enviou a Belém o comandante inglês John Grenfell para impor o imperialismo na região. Ao chegar à Baía do Guajará, o comandante inglês arquitetou um plano para vencer os militantes, que mantinham muito armamento. Ele comunicou, então, que trazia uma poderosa esquadra capaz de bombardear e destruir grande parte capital paraense. Apesar da resistência, a notiícia dividiu opiniões entre as autoridades militares, civis e eclesiásticas. A polêmica foi resolvida numa votação fechada no Palácio do Governo, resultando na Adesão do Pará ao novo regime imperial, no dia 15 de agosto de 1823. Desmascarado o plano do comandante Grenfell, começaram as manifestações dos adversários e da própria população, contra a recém-instalada Junta Provisória, acusada de manter no poder os comerciantes e latifundiários portugueses. Diante dos conflitos, Grenfell aprisionou 256 suspeitos, por tempo indeterminado, no porão do brigue “Palhaço”, comandado pelo tenente Joaquim Lúcio Azevedo. Os prisioneiros gritavam por água limpa e espaço para respirar. Os soldados jogaram cal virgem no porão, matando 252 pessoas por asfixia. O ocorrido ficou conhecido como a “Tragédia do Brigue Palhaço”.



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