Educação e saúde deficitárias
     


     A falta de vagas nas escolas da rede pública e a inexistência de atendimento médico de qualidade são alguns dos constantes problemas que fazem parte da vida de belenenses. Segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 1999, na região metropolitana de Belém a taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade é um total de 4,8%, dos quais 3,9% são homens e 5,5%, mulheres. Em 2003, o IBGE contabilizou 222.058 matrículas no ensino fundamental e 99.470 no ensino médio. Existem na capital paraense, 681 instituições de ensino. Deste total, 465 são instituições da rede pública. Nayara Costa, 6, não conseguiu vaga para cursar a alfabetização na rede pública. Segundo Nazaré Serrão, 39, mãe de Nayara, o alegado pela diretoria do colégio que procurou é que a instituição só aceitava alunos a partir de 7 anos. “Procurei outras escolas. Ainda estava no início do ano, mas não consegui vaga para minha filha”, lamenta a mãe. Nazaré que trabalha como doméstica contou que, devido às exigências dos patrões, teve que mandar a filha para morar em Curralinho, interior do Marajó, com os avós. “Minhas despesas aumentaram porque eu pagava uma professora para ensinar a minha filha. Não queria que ela ficasse atrasada em relação às outras crianças”. Domingos Alves, 18, também perdeu um ano. O aluno concluiu o ensino fundamental na rede pública, mas não conseguiu vaga para o 1º ano do ensino médio na mesma instituição. Maria Rodrigues, 52, dona-de-casa, mãe de Domingos, contou que o jovem, que mora na Terra-Firme, só teve acesso a uma instituição no bairro de São Brás. “Meu filho não teve condições de ir estudar todos os dias por causa do dinheiro de ônibus. Ele não conseguiu passar de ano”, justifica. “Aqui no meu bairro conheço muitas crianças na mesma situação. Várias ficam sem estudar por falta de vaga e quando conseguem vaga, o colégio é longe do endereço onde moram”, critica. Os estudantes também sofrem com a má conservação dos colégios e com a baixa qualidade do ensino nas instituições da rede pública. Dona Maria Rodrigues que tem seis filhos, conta que, este ano, as crianças não tiveram férias, porque uma greve de professores atrasou o ano letivo. “O colégio ficou parado por mais de um mês e agora eles vão estudar até dia 20 de janeiro de 2005. Eles vão para escola, mas, às vezes, nem adianta porque não tem professores”, revela. Na opinião de dona Maria, é comum acontecer de crianças não passarem de ano quando estudam em escolas públicas. “Não sei se é por causa da falta de interessa, se é por causa da incompetência dos professores ou por causa da vida difícil que agente leva”, questiona. Saúde - Milene Medeiros, 21, também filha de dona Maria Rodrigues, sofreu com outro tipo de problema. A jovem teve infecção urinária e anemia em novembro de 2004. “Ela passou muito mal e a levei no posto de saúde da Terra Firme”, contou a mãe. No posto de saúde, encaminharam a jovem para internação em um hospital no bairro do Marco. A paciente foi recusada por falta de leito. Milene teve de voltar para casa passando muito mal. “Ela ficou mais de uma semana em casa esperando vaga de leito no hospital. A saúde dela piorou”, revelou Maria. De acordo com o IBGE, Belém conta com um total de 330 estabelecimentos de saúde, dos quais 138 são prestadores de serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS). No total, estão disponíveis na área metropolitana da capital paraense 4.226 leitos hospitalares, 2.539 leitos deste total são destinados a atendimentos do SUS.


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