A maior expressão de religiosidade popular, o Círio de
Nossa Senhora de Nazaré reúne quase 2 milhões de devotos


Em outubro, o povo paraense mostra o seu fervor religioso nas ruas da cidade
    

     A religiosidade dos belenenses e conhecida no Brasil todo. O Círio de Nazaré, realizado todo segundo domingo que outubro é uma comprovação pública da fé dos paraenses, como observa o pároco de Nossa Senhora da Conceição, Cônego David Larêdo. “Sem se preocupar com a hora, o povo sai às ruas para caminhar com Nossa Senhora”, diz, lembrando que a caminhada de todo segundo domingo de outubro é um sinal da fé dos belenenses. Natural de Cametá, o sacerdote mora na cidade desde 1954, quando veio para o seminário da Arquidiocese. Tem 69 anos de idade, 37 anos de sacerdócio e 30 como pároco da Conceição. Tempo suficiente para conhecer bem a Festa de Nazaré a ponto de considerá-la como a maior expressão de religiosidade popular. A grande participação de fiéis nas celebrações da Semana Santa também é destacada pelo sacerdote. A participação não se limita às procissões e via-sacras, mas também diz respeito, sobretudo, às cerimônias litúrgicas. As igrejas ficam lotadas em todas as paróquias e a celebração dos Santos Óleos, na Quinta-feira Santa de manhã, leva milhares à Catedral de Belém. “Até mesmo as pessoas que saem para balneários procuram participar das celebrações onde quer que se encontrem”, observa o sacerdote Mariana - A devoção a “Aquela que pariu Deus” (título que, em latim, está eternizado no frontal da Basílica de Nazaré), começou na fundação da cidade, que foi consagrada a Santa Maria de Belém. A dedicação da Catedral a Nossa Senhora da Graças e boa parte das paróquias a diversos títulos de Nossa Senhora expressa a constante veneração dos habitantes. O arcebispo emérito de Belém, nas homilias das festas de Nossa Senhora, gostava de citar a “ladainha” dos títulos marianos em Belém. Numa região como a Amazônia, onde há carência de sacerdotes, o rebanho de católicos belenense sempre contou com bons pastores. A presença de religiosas também é marcante na cidade. Os leigos cresceram na fé, graças à formação proporcionada pelo Instituto Pastoral Regional (Ipar), pelo Centro de Cultura e Formação Cristã e por cursos nas paróquias. “Você não pode negar que, se alguns deixaram a Igreja Católica (para seguir denominações religiosas diversas), outros já voltaram para a Igreja”, atesta cônego Larêdo. “Belém cresceu muito na orientação e preparação dos leigos. Celebrei missas de Natal, bem organizadas, em muitas vilas, alamedas e prédios. O leigo está preparando e ajudando o sacerdote”, analisa.


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