O centenário templo da Sé é freqüentado por
quem faz e fez a história da cidade


Igreja Católica ajuda a escrever a história e faz parte da paisagem da cidade
    

     A Cidade das Mangueiras é um forte centro do catolicismo na Amazônia por conta de suas igrejas, sejam antigas como a Catedral Metropolitana ou a Igreja do Carmo, ou as mais modernas, a exemplo da Basílica de Nazaré e do Santuário de Fátima. São mais de 300 templos, entre igrejas históricas, capelas, igrejas matrizes de paróquias e comunitárias na Grande Belém. A história do povo paraense é fortemente ligada às construções dos templos católicos. Foi no entorno deles que a vida social, religiosa e militar da antiga Belém se consolidou. As igrejas mais tradicionais da cidade saíram dos traços, ou receberam melhoramentos do arquiteto Antônio Giuseppe Landi, que chegou à Amazônia em 1753. Esses sacros monumentos constituem autênticas preciosidades do estilo barroco. Para o Arcebispo Metropolitano de Belém Dom Orani João Tempesta, Belém é uma cidade histórica e abençoada, tanto pelos 389 anos de fundação, quanto pela sua arquitetura. “A Igreja, em todos os tempos, sempre primou pela religiosidade e evangelização. Mas também propicia uma catequese forte por meio das pinturas, das imagens e da arquitetura, que demonstram tanto o tempo da história, quanto também a fé de um povo”, diz. Dom Orani acredita que para a Igreja “poder contemplar a fé de um povo retratada na arquitetura dos templos” é preciso que valorize cada vez mais a cultura religiosa e regional de um lugar. “É uma responsabilidade para a nossa fé. Somos responsáveis em conservar os prédios, junto com o poder público e, na medida do possível, restaurar essas arquiteturas que são memórias de um povo”, comenta. “Preservar a cultura religiosa nos leva a descobrir cada vez mais a nossa missão”, completa. A arquiteta, com especialização em História, Jussara Derenji diz que as construções das igrejas aconteceram junto com a fundação de Belém. Elas, diz, influenciaram o crescimento da cidade. “A primeira igreja, a ermida (igreja feita de palhoça) foi construída dentro do Forte do Presépio. Depois veio a construção da Igreja da Sé (1753). Em seguida o Convento Santo Antônio, onde hoje é o bairro do Comércio, assim como a atual Igreja do Carmo (1766) deu origem à Cidade Velha”, conta Jussara. A arquiteta explica que era necessário construir vias para que as pessoas pudessem se locomover entre os espaços que surgiam em Belém. “As pessoas iam ficando nos arredores dos espaços que surgiam em torno das igrejas, onde se desenvolve toda a vida social, religiosa e militar. Essa dinâmica de crescimento é típica da sociedade portuguesa, diferentemente do que acontece na Espanha, que têm seus espaços abertos a partir das praças de armas”, diz Jussara.
Principais igrejas de Belém - w Basílica de Nazaré - construída em 1774, como capela, foi a partir de 1909 que começou a construção da Basílica, sendo concluída em 1923. O seu interior, todo em mármore, segue o modelo da Basílica de São Paulo, em Roma. w Catedral Metropolitana de Belém - Conhecida como Igreja da Sé, começou a ser construída em 1753, pelo arquiteto Antônio Landi, em estilo barroco-colonial e neoclássico. Nela destacam-se os painéis pintados e ricamente emoldurados nos altares, substituindo as imagens tradicionais. w Igreja de Santo Alexandre - construída no século XVII, é considerada a mais barroca de nossas igrejas. Ela faz parte de um conjunto arquitetônico que inclui o antigo Convento dos Jesuítas. w Igreja do Carmo - Erguida no século XVII, foi reconstruída em 1716. Foi abrigo das tropas legalistas na revolta dos cabanos, fuzilados pelo povo no seu átrio. w Igreja das Mercês - faz parte de um conjunto arquitetônico que inclui o Convento dos Mercedários e a antiga Alfândega. O seu traçado original é do século XVII, mas a restauração de Landi fez substanciais alterações. w Igreja de Santana - Outro projeto de Landi em estilo renascentista , cujo o seu corpo foi enterrado em sua nave. A construção inicou-se em 1761. Segundo a descrição da época, feita pelo historiador Antônio Baena, a igreja tinha forma de cruz grega. Em 1839, foi sofreu uma grande reforma. w Capela de São João Batista - Outro projeto do arquiteto Landi no final do século XVIII, foi considerado pelo antigo diretor do Museu do Louvre, Germain Bazin, como uma jóia de arquitetura barroca.


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