
A cidade é rica em prédios e logradouros
de rara beleza e linhas Arquitetônicas
Beleza que encanta nativos
e estrangeiros
Impossível conhecer Belém
e ficar indiferente. A cidade cativa, apaixona quem
a vê pela primeira vez. Os filhos da terra se
orgulham de sua paisagem, dos inúmeros cartões-postais
como os túneis feitos por mangueiras, de seus
cheiros e até da indefectível chuva.
Belém é pura poesia, merece ser cantada
e muito bem tratada.
BELÉM
DO PARÁ
Bembelelém
Viva Belém!
Belém do Pará porto moderno integrado na equatorial
Beleza eterna da paisagem
Bembelelém
Viva Belém!
Cidade pomar
(Obrigou
a policia a classificar um tipo novo de delinqüente O apedrejador de mangueiras)
Bembelelém Viva Belém!
Belém do Pará onde as avenidas
se chamam Estradas:
Estrada de São Jerônimo
Estrada de Nazaré
Onde
a banal Avenida Marechal Deodoro da Fonseca de todas as cidades do Brasil
Se
chama liricamente
Brasileiramente
Estrada do Generalíssimo Deodoro
Bembelelém
Viva Belém!
Nortista gostosa
Eu te quero bem.
Terra da castanha
Terra
da borracha
Terra de biribá bacuri sapoti
Terra de fala cheia de nome
indígena
Que a gente não sabe se é de fruta pé de
pau ou ave de plumagem bonita.
Nortista gostosa
Eu te quero bem.
Me obrigarás
a novas saudades
Nunca mais me esquecerei do teu Largo da Sé
Com a fé maciça
das duas maravilhosas igrejas barrocas
E o renque ajoelhado de sobradinhos coloniais
tão bonitinhos
Nunca mais me esquecerei
Das velas encarnadas
Verdes
Azuis
Da doca de Ver-o-Pêso
Nunca mais
E foi pra me consolar mais tarde
Que inventei
esta cantiga:
Bembelelém
Viva Belém!
Nortista gostosa
Eu te quero
bem.
(Belém, 1928)
Manuel Bandeira
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