Duciomar: enxugar máquina e pagar dívidas da administração passada

Duciomar Costa promete “humanizar” Belém
    

     O prefeito de Belém Duciomar Costa, 49, tem um grande desafio nos próximos quatro anos: resolver graves e crônicos problemas de uma metrópole que abriga mais de 1,5 milhão de pessoas. Uma população que reclama da deficiente estrutura de atendimento médico, da falta de saneamento básico, dos transportes urbanos, do aumento da violência, da falta de vagas nas escolas públicas... As queixas são muitas, mas Duciomar decidiu que é a pessoas talhada para enfrentar esta situação e ganhou a eleição com 420.280 votos, ou o correspondente a 58,3% dos votos válidos. Empossado, Duciomar promete “fazer de Belém uma cidade melhor”. “É na administração municipal que a gente se sente mais próximo da população”, discursou no dia de sua posse. Em entrevista exclusiva à Voz de Nazaré, concedida no aniversário de Belém, o novo prefeito fala de seus projetos e iniciativas para cumprir sua promessa.

     Hoje Belém comemora 389 anos de fundação. Que presente o senhor daria à cidade?
      Por enquanto estamos oferecendo, eu e minha equipe, a nossa vontade de trabalhar para fazer de Belém uma cidade mais humana e mais justa para se viver. Mas temos grandes projetos para Belém ao longo de nosso governo, na área da saúde, da educação, da geração de emprego e renda e do turismo, entre outras.

      Em que condições se encontra a Prefeitura Municipal que o senhor recebeu?
     A administração passada deixou a prefeitura municipal com muitas dívidas. Uma das principais encontradas até agora é a situação da dívida com o INSS (Instituto Nacional de Seguro Social), onde a Prefeitura deixou de repassar as contribuições de servidores em praticamente todas as secretarias. Além da dívida, que chega a R$ 25 milhões, a prefeitura foi multada pelo INSS no apagar das luzes, em um valor de R$ 27 milhões. Além de tudo, vários setores da Prefeitura sofreram saques, principalmente de informações, com o sumiço de HD’s (local onde armazenam arquivos e programas) dos computadores, entre outras situações encontradas.

      Haverá demissão dos cargos municipais passados?
      Alguns cargos são estratégicos e de confiança, mas o nosso objetivo é enxugar a folha de pagamento se causar grandes transtornos à administração pública.

      E quanto aos déficits da Prefeitura? O que o senhor pretende fazer?
      Pretendemos negociar com os fornecedores, mas há casos em que se necessitará recorrer a justiça para que a administração passada venha a arcar com os débitos deixados.


      O belenense se queixa da deficiência dos transportes urbanos, as passagens são caras em relação ao serviço prestado...
     É. O transporte público de Belém é um caos, e nos últimos oito anos não houve diálogo com os prefeitos da Região Metropolitana de Belém para se resolver conjuntamente os problemas do trânsito, e ninguém faz nada isolado.Vamos reverter essa postura e realizar obras que venham a fazer parte do conjunto do projeto Via Metrópole, que pretendemos implementar para desafogar o tráfego na cidade.

      E quanto ao saneamento básico?
      Nós ainda temos na nossa cidade muita gente morando praticamente na lama, sem esgotos sanitários e em situação que geram e agravam os problemas de saúde, por isso já começamos a buscar recursos para as obras de saneamento, como a macrodrenagem da bacia da Estrada Nova, que já está em negociação com o Banco Interamericano de Desenvolvimento. Além disso vamos cuidar da cidade, fazer a manutenção das valas, esgotos e dos canais para que no período de chuvas a população não venha a sofrer.

      A gestão passada deixa uma série de obras inacabadas como o Complexo do Entroncamento, sem falar nas praças e ruas que não foram inauguradas. Aliás, existe uma rua no bairro do Tapanã com mais de 2 km de extensão, que deveria ser pavimentada, o que não aconteceu. O que será feito diante destas situações?
      Temos projetos para terminar essas obras, que são importantes para Belém, mas também vamos fazer um grande mutirão pela pavimentação e limpeza de vias e praças da cidade, e certamente o bairro do Tapanã será incluído, assim como os demais, dentro do nosso cronograma de trabalho.

      Outro grande problema de Belém é quanto ao funcionamento do Pronto-Socorro Municipal, na Travessa 14 de Março, o qual o senhor visitou há alguns dias. Qual será a iniciativa da prefeitura em relação à saúde pública?
      Nós já colocamos em funcionamento o serviço de urgência e emergência em 14 unidades básicas de saúde de bairros estratégicos, que não tinham atendimento à noite. Esse serviço já atendeu em dez dias 8 mil pacientes com problemas como pequenos ferimentos e lesões de pequenos acidentes e outros problemas que puderam ser resolvidos nos próprios bairros, ou seja, foram mais de oito mil atendimentos que deixaram de chegar ao HPSM da 14 de Março, que, com isso, já sofreu uma redução média nos atendimentos, que chegavam a 450 por dia, e agora somam uma média diária de 230. E isso é apenas o início, queremos ampliar esses serviços para todas as unidades, porque a doença não tem hora para chegar.

      Belém também não tem uma estrutura adequada para a comodidade dos portadores de necessidades especiais, além da falta de banheiros públicos...
      Essa questão do urbanismo é muito séria, mas nós vamos desenvolver projetos de valorização e apoio para que os portadores de necessidades especiais possam se locomover com facilidade pelas ruas de Belém, inclusive nos ônibus, onde não há qualquer serviço de atenção a esse público.

      O senhor vai construir mais escolas? E quanto a questão da merenda escolar?
      Não vamos construir muitas escolas, mas com certeza vamos equipar as já existentes, para que os professores e os estudantes tenham melhores condições de desenvolver suas atividades. Também vamos criar programas de valorização dos professores, e vamos procurar regionalizar a merenda escolar, para valorizar nossos produtos e ampliar a geração de emprego e renda.

      O povo terá participação nas decisões municipais?
      Sim. O povo, através do conselhos distritais e demais agentes do controle social terão plena participação em nosso governo. Nós não estamos no governo do povo, estamos com o povo no governo.

      O que o senhor pretende fazer em relação à onda de violência na cidade?
      A violência é uma questão muito grave, e a prefeitura, em parceria com o governo do estado, vai atuar com firmeza para garantir a segurança do cidadão belenense. Vamos começar a ampliar e capacitar o efetivo da Guarda Municipal para inibir a atuação de gangues nas ruas, praças e demais logradouros públicos e, entre outras ações, vamos iluminar melhor a cidade, que ainda é muito escura, o que facilita a violência.



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