| |
Violência
cresce e assusta moradores da Grande Belém
Belém é uma metrópole
que, nos últimos anos, tem experimentado um
ritmo de crescimento urbano acelerado. Segundo dados
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), um terço dos 6,6 milhões de habitantes
do Estado do Pará estão concentrados
na região metropolitana da capital paraense.
Aliado ao crescimento urbano está um dos principais
problemas das metrópoles brasileiras: o aumento
da criminalidade e da violência. Estatísticas
referentes ao ano de 2004 demonstram que a criminalidade
aumentou na Cidade das Mangueiras, comparado aos anos
anteriores. “Ao completar 389 anos, Belém
não tem muito a comemorar diante desses índices”,
comentou o advogado e presidente do Conselho Estadual
de Política Criminal e Penitenciária
do Pará, Emanuel Vasconcelos. Ele se refere
ao número de ocorrências policiais que
foram registradas nas delegacias dos bairros considerados
os mais violentos de Belém. Esse levantamento
foi feito em conjunto com as secretarias executivas
de Defesa Social e de Justiça do Estado. De
acordo com a pesquisa, contabilizou-se 970 ocorrências
no Guamá, 794 na Marambaia, 755 no Jurunas,
726 na Campina e 608 em São Braz: os cinco bairros
mais violentos da cidade, seguidos pela Cidade Nova,
Condor, Sacramenta, Telégrafo e Paar. O Tapanã também
poderia está nesse ranking, mas não há registro
de ocorrências policias devido à inexistência
de uma delegacia nas proximidades. As denúncias
dos moradores desse bairro são feitas na delegacia
do distrito de Icoaraci. Para Emanuel os indicativos
de violência urbana e criminalidade, em Belém,
podem ser justificados por diversos fatores: “a
má distribuição de renda, a baixa
escolaridade da população, a inexistência
de políticas públicas voltadas para o
social, a ineficiência da justiça e o
modelo econômico como um todo”, enumera.
O advogado acredita que há necessidade de se
aplicar, em Belém, políticas públicas
e campanhas preventivas. “Os principais agentes
da violência, hoje, são jovens entre 20
e 35 anos. Se esses jovens tiverem acesso a orientação,
formação religiosa, a prática
de esportes e outras atividades de integração
social, a violência, em Belém, poderá ser
trabalhada e combatida”, afirma. Em relação
aos anos anteriores, Emanuel também destacou
como um diferencial o fato de que, atualmente, os jovens
que saiam da periferia para cometer crimes no centro
da cidade, os cometem na própria comunidade. “E,
devido a morosidade da justiça, as pessoas estão
praticamente punindo seus agressores com as próprias
mãos”, diz. Indagado sobre uma maneira
de mudar este quadro, afirmou: “precisamos de
políticas urgentes”. Atualmente, a população
carcerária total no sistema prisional e na polícia,
em Belém, é de 6.206 presos.
|