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Culinária
regional atrai e cativa pelo “sabor selvagem”
Belém é conhecida também
por seus sabores. Sabores que vêm dos seus peixes,
do açaí, maniçoba, tucupi, tacacá,
cupuaçu, bacuri, e da mandioca que é considerada
pelo chefe de cozinha, Ofir Nobre de Oliveira, como
o produto ícone da culinária paraense.
A mandioca é originária da América
do Sul e constitui um dos principais alimentos energéticos
para cerca de 500 milhões de pessoas. Mais de
80 países produzem mandioca, sendo que o Brasil
participa com mais de 15% da produção
mundial. “Ela (mandioca) é o ícone
da nossa culinária justamente porque, a partir
dela, é que vem a nossa macaxeira, o tucupi,
a farinha. Por isso costumo dizer que é um ingrediente”,
diz Ofir sem desmerecer as frutas regionais como o
bacuri e o cupuaçu, que já foram muito
utilizadas na composição de receitas
agridoces como “Pato com Bacuri” e “Frango
com Cupuaçu”. Receitas que conquistaram
o público oriental. “Eu sou fã da
culinária chinesa. Eles têm pratos muito
saborosos também nesta mistura agridoce, mas
o resultado do frango com cupuaçu não
poderia ser melhor. Não há nada igual”,
comemora Ofir. O chefe Ofir é conhecido pelo
seu trabalho descobrindo as cores, o cheiro e a diversidade
dos sabores paraenses desde 1985. Até agora
ele não encontra outra definição
para a culinária paraense do que “sabor
selvagem”. “Acho que esta é a melhor
proposta para definir, justamente com este conceito
de selva, que remete aos indígenas também”.
Este sabor selvagem já foi levado para diversos
lugares fora do Brasil. A experiência na França,
quando levou os pratos típicos do Pará para
os franceses foi ímpar. “A imprensa francesa
através da Revista Cosmopolita, anunciou que
a nossa culinária é maravilhosa. Devemos
reconhecer que a imprensa é fundamental, e na
França fomos tidos como os donos da melhor culinária”.
Não foi somente a França que recebeu
bem a culinária paraense. Na Suíça
e até na China os sabores paraenses tiveram
uma ótima receptividade. De acordo com Ofir
Nobre, todo este trabalho de valorização
e divulgação da culinária paraense
não poderia passar sem um preocupação
ecológica. “Não se pode apenas
ressaltar o valor da culinária, mas é preciso
resgatar o lado ecológico. Como o projeto Restaurante
Escola”, diz Ofir. Ele explica que o projeto
está em desenvolvimento, com o apoio do Programa
de Articulação pela Cidadania (PAC).
Trata-se de um trabalho na área Canarinho, bairro
do Tapanã, onde crianças carentes do
local conhecem um pouco sobre a culinária paraense,
e noções de plantio e cultivo de produtos
como a mandioca e açaí.
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