Dezenas de crianças ainda vivem em
situação de risco nas ruas

Pastoral ajuda a combater a exclusão social investindo na educação do menor
    

     A Pastoral do Menor da Igreja Católica oferece às comunidades projetos de resgate social. Na Arquidiocese de Belém, essa pastoral atende crianças e adolescentes entre 7 e 17 anos e tem como um dos principais projetos o reforço escolar que visa diminuir os altos índices de baixo nível de escolaridade entre os menores paraenses. Conforme explica a coordenadora da Pastoral do Menor Creuza Silva, “a atuação da Pastoral não visa reverter o quadro, o que seria impossível, mas prevenir o analfabetismo e a evasão escolar”. Na opinião de Creuza, a educação é uma das principais carências da criança e do jovem paraense. “O analfabetismo resulta, mais tarde, em outros problemas mais graves, como por exemplo, o desemprego, porque o mercado de trabalho está cada vez mais exigente”, afirma. “Com isso, o nosso trabalho de formiguinha tem um objetivo maior: combater a exclusão social”, completa. Além das aulas de reforço escolar, ministradas em comunidades de periferia, a pastoral também promove encontros, seminários, cursos semiprofissionalizantes e oficinas. Os bairros que abrangem a área de atuação da Pastoral do Menor são o Panorama XXI, o Telégrafo, o Bengui, Águas Lindas e a Comunidade Nossa Senhora das Graças em Ananindeua. Em cada um desses setores, estrutura-se uma sala de aula para atender crianças e adolescentes que apresentam dificuldades na escola ou menores que sequer estão inseridos na rede de ensino. Aulas de leitura, matemática e outras disciplinas envolvem os menores, distribuídos nas classes conforme faixa etária, em uma forma divertida de aprender. As turmas têm entre 25 a 30 alunos cada. As aulas acontecem em dois turnos: manhã e tarde. Os instrutores são agentes da Pastoral do Menor, moradores da própria comunidade, que passam por cursos de capacitação oferecidos pela pastoral. Alguns são professores diplomados, outros têm apenas o espírito solidário e a vontade de ajudar o próximo. Ao todo a pastoral conta com 85 voluntários. Na Grande Belém, a Pastoral do Menor atende 1.530 crianças e adolescentes: um número mínimo perto da enormidade de menores que estão nessa situação, a margem da sociedade. Na intenção de combater o desemprego, também são oferecidos cursos semi-profissionalizantes e oficinas para confecção de bijuterias, bonecas e artesanato. Para Creuza Silva, a Igreja assume esse papel porque o projeto de Deus é ver o homem não como objeto, mas como a pessoa humana que é. “Nós, cristãos, não devemos concordar com a desigualdade social. Através da pastoral, a Igreja e nós fazemos o máximo para combatê-la”, afirma. “Diferentemente da ajuda prestada pelo Estado, nesse sentido, a Igreja não oferece um assistencialismo amadorista, mas um trabalho que demonstra um verdadeiro envolvimento e compromisso com o bem do próximo”, completa.

 

 


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