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Vaticano diz
que milagre salvou rio-pretense
Monise Centurion São José do
Rio Preto - A Congregação das Causas
dos Santos, no Vaticano, reconheceu ser milagrosa a
cura do garoto rio-pretense João Paulo Poloto,
hoje com 14 anos, ferido em um acidente grave em 1996,
em Barra Bonita. Este é o primeiro milagre reconhecido
pelo Vaticano que envolve uma pessoa de Rio Preto,
pois é atribuído ao padre Mariano de
la Mata Aparício, que exerceu sua função
sacerdotal no distrito de Engenheiro Schmitt. O anúncio
foi feito pelo Vaticano no dia 20 de dezembro do ano
passado e divulgado ontem (dia 3 de janeiro) pelo Bispado
de Rio Preto. Nem mesmo a família do adolescente
sabia do reconhecimento e foi informada por telefone
pela reportagem do Diário. “É a
prova da oração e da fé. A união
de todos em torno da saúde do meu filho. Ficamos
muito felizes com a notícia”, disse a
mãe, Eliana Poloto, 46 anos. A cura atribuída
ao padre, morto em 1983, foi investigada pelo Tribunal
Eclesiástico Diocesano, instalado no dia 3 de
agosto de 1999, por determinação do então
bispo, Dom Orani João Tempesta. A investigação
reuniu 35 documentos e laudos médicos, além
de 1.840 páginas de relatórios. O processo
confirmou que a cura do garoto não pôde
ser explicada pela ciência, e a beatificação
do padre agora é automática. Ele será o
primeiro beato da história da Diocese de Rio
Preto e também da Ordem Agostiniana do Brasil.
O acidente de João Paulo Poloto aconteceu no
dia 26 de abril de 1996. O garoto, que tinha na época
6 anos, acompanhou a mãe e o irmão Pedro
Paulo numa excursão do Colégio São
José, de Rio Preto, a Barra Bonita. De acordo
com os relatos da família, o barco demorou para
chegar e os alunos esperavam, ansiosos, numa praça
em frente ao cais. No momento em que o barco chegou,
João Paulo correu para atravessar a rua e foi
atropelado por um caminhão. A roda do veículo
chegou a marcar o quadril do menino, que teve ainda
traumatismo encefálico grave, hemiplegia esquerda
(paralisia) e olho esquerdo projetado para a frente.
João Paulo deu entrada no hospital São
José, em Barra Bonira, em estado grave. Foi
quando o padre Abelardo Rica, que acompanhava as crianças
na excursão, ligou para o diretor do Colégio
São José, padre Luiz Miguel. Ele invocou
imediatamente a ajuda do padre mariano e pediu orações
aos professores, alunos e funcionários da instituição.
Posteriormente, o menino foi transferido para a Unidade
de Terapia Intensiva (UTI) de Jaú. Logo depois,
foi trazido de helicóptero ao hospital Santa
Helena, em Rio Preto. Em maio do mesmo ano, João
Paulo já estava recuperado e o acidente não
deixou seqüelas. “Os médicos diziam
que se ele sobrevivesse, teria sequelas. Mas, graças à fé,
ele não teve absolutamente nada”, afirmou
a mãe. Por causa disso, em 1997 os padres da
Ordem Agostiniana enviaram um relatório para
o Vaticano com o pedido de confirmação
do milagre. O adolescente agradeceu a todos que fizeram
orações para que ele ficasse bem e disse
estar feliz. “Espero continuar tocando a vida
normalmente.” De acordo com o superior maior
dos agostinianos do Brasil, Rafael de la Torre, o padre
era um verdadeiro homem de Deus. “Ficamos felizes
com a notícia. Padre Mariano era uma pessoa
muito bondosa, principalmente com as crianças
e os pobres”, disse. O administrador do Bispado
de Rio Preto, padre Irineu Vendrami, recebeu a notícia
com surpresa. “O fato é muito importante
para Rio Preto. Isso prova que Deus revela seu amor
pela gente através de pessoas especiais, mesmo
num mundo tão descrente”, afirmou. Em
março, será realizada uma cerimônia
oficial no Vaticano com a presença dos cardeais
e do Papa João Paulo 2º para referendar
o milagre ocorrido em Rio Preto. Padre Mariano de la
Mata Aparício é lembrado por todos que
o conheceram como um homem bondoso e que dava atenção
especial às crianças. Os bolsos de sua
batina estavam sempre cheios de balas para distribuir
a elas por onde andasse. O sacerdote da Ordem Agostiniana,
de origem espanhola, exerceu seu ofício durante
49 anos no distrito de Engenheiro Schmitt, em Rio Preto,
e, de acordo com o padre Rafael de la Torre, superior
maior dos Agostinianos do Brasil, ficou conhecido pela
profunda espiritualidade. Padre Mariano nasceu em 31
de dezembro de 1905 em Valência, na Espanha.
Ingressou no Seminário Agostiniano de Valladolid
em 10 de setembro de 1922. Em 25 de julho de 1930,
foi ordenado sacerdote. Estava pronto para iniciar
sua missão. Chegou ao Brasil em 21 de agosto
de 1931. Padre Mariano teve sua vida marcada pelo amor
aos que sofrem e levava ainda aos doentes o conforto
da sua presença e da sua palavra portadora de
esperança. Morreu em 5 de abril de 1983, em
São Paulo, por causa de um câncer. Após
a beatificação, que será realizada
em cerimônia no Vaticano em outubro, o próximo
passo é a canonização do padre.
Para isso, é necessário que mais um milagre
seja atribuído a ele. Oração:
Para pedir a glorificação do Servo de
Deus Ó Jesus, Divino Salvador e Redentor nosso,
que vos comprazeis em exaltar a humildade do coração,
dignai-vos glorificar vosso humilde servo Padre Mariano,
que tanto trabalhou para dilatar vosso Reino, entre
os pobres e humildes. Concedei-me, por sua intercessão,
a graça que ardentemente solicito Glória
ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo (3 vezes)
(Fonte: www.diariodaregiao.com.br/noticias)
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