A pobreza material das crianças do Aurá comoveu
empresário o Ricardo Calçado: ele vai ajudá-las

Damas Salesianas ganham ajuda para construção de creche
    

     Em Belém, crianças da ocupação Carlos Marighela, em Ananindeua, têm recebido o carinho e a atenção do empresário carioca Ricardo Calçado, 25, que há oito anos, mora na Inglaterra. Ele esteve pela primeira vez na região pobre conhecida como Aurá em julho do ano passado, ficando hospedado com os padres salesianos. Ricardo conheceu as ações sociais desenvolvidas pelos religiosos por intermédio de atividades educativas e profissionalizantes da Escola Salesiana do Trabalho e também a iniciativa do grupo de mulheres Damas Salesianas, que atendem material e espiritualmente a população carente, e decidiu ajudar as crianças, criando a organização não-governamental “Children’s Aid”. O empresário, que desde 2000 ajuda crianças carentes de Moçambique, na África, por meio da ONG “Children’s Aid”, fundada por ele, sensibilizou-se com o drama dos pequenos moradores do Aurá que não têm moradia adequada, escolas, saúde, lazer e alimentação satisfatórios. Ricardo resolveu então unir forças e captar recursos para propiciar um pouco de cidadania àquelas crianças. “Fiquei maravilhado com os projetos dos salesianos e com a visão moderna com que trabalham, sempre buscando a auto-sustentabilidade dos seus assistidos”, diz o carioca que promove eventos e campanhas, além de convencer outros voluntários a trabalharem pela causa. “A ocupação Carlos Marighela é um dos lugares, ou o lugar mais pobre, do qual estive no Brasil. Em certas partes é comparável aos níveis de pobreza do Sudeste africano ou Sul da Ásia”. Ricardo está no Brasil desde o dia 3 e garantiu ajuda financeira às Damas Salesianas para a construção de uma creche, que vai atender mais de 300 crianças. “Estou me sentindo muito útil em auxiliar na captação de recursos. Estamos analisando diversas maneiras de fazer parcerias e com a reputação dos salesianos, junto com um pouco de criatividade, vamos mostrar a importância desse projeto”, diz. “Também queremos apoiar essa comunidade não somente a curto prazo, mas principalmente a longo prazo. Existem várias maneiras de ajudar, como a prestação de serviços e divulgação. Já acertamos uma parceria de voluntariado internacional, buscando voluntários com perfil para trabalhar na região”, informa Ricardo. As Damas Salesianas pretendem construir um centro de atendimento integral à infância e à maternidade visando a prestação de serviço materno-infantil. “O interessante disso tudo e que esta sendo um excelente aprendizado estar aqui com eles. Que Dom Bosco continue nos protegendo e iluminando”, alegra-se o benfeitor. A ocupação Carlos Marighela é um assentamento com 3.886 famílias, tendo, em média, cinco pessoas por família. A Pastoral da Criança e as Damas Salesianas atendem todos os meses 886 crianças, na faixa etária de 0 a 6 anos de idade, filhos de mães jovens, e em sua maioria sem as mínimas condições para cuidar de seus filhos. Outros voluntários já passaram pelo Brasil e se encantaram com o trabalho social desenvolvido pelos salesianos. O alemão Sebastian Alkoufer, 19, e o japonês Tetsuya Nakao, 36, foram voluntários durante dois anos na Escola Salesiana. Há quatro meses, o alemão Daniel Mast, 19, está fazendo serviço voluntário na instituição. Ele foi passar as festas de fim-de-ano no Rio de Janeiro.

 


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