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O rio perde suas águas, definha e pode morrer.
O desmatamento é o culpado.
Assoreamento do rio preocupa
as lideranças comunitárias
Além da organização
da festividade do Menino Deus a coordenação
local está preocupada com a situação
de assoreamento do Rio Maú, principal atrativo
da Vila. De acordo com o professor Edson dos Santos
Neves, o Rio Maú tem uma extensão de
30km, nascendo no município de Terra Alta. A
profundidade original era de aproximadamente dois metros.
Há 40 anos era utilizado pelos moradores para
escoamento da produção de farinha. Canoas
com cerca de 200 sacos do produto navegavam sem problemas
pelas águas. Hoje, desde a sua nascente até 8km,
o Maú está em processo de assoreamento.
A situação pôde ser percebida durante
a realização do Círio fluvial
do padroeiro da Vila, quando os moradores tiveram que
seguir a pé, dentro do Rio, orientando as canoas
para não encalhar. Edson dos Santos explica
que vários fatores vem contribuindo para o assoreamento.
Muitos fazendeiros compram lotes de terra e vão
desmatando as margens para a criação
de gado; os próprios moradores desmatam a mata
ciliar (vegetação da beira do Rio que
evita a erosão do solo e melhora a quantidade
e qualidade das águas), para irrigar suas plantações,
além dos visitantes que jogam lixo no Rio. O
coordenador Cláudio Chagas lembra que há três
anos a população já vem sendo
alertada para a necessidade de preservação
do Rio Maú. “Estamos realizando um trabalho
de conscientização, e esperamos que os
moradores e visitantes que sempre estão conosco
aos finais de semana, ou no período de festividade
e de férias, possam ter um olhar solidário
para nos ajudar nas políticas de interferência,
para revitalizar o Rio Maú. Esta é uma
grande preocupação, pois sem o rio, Maú vai
se apagar”, avalia Cláudio. Ele afirma
que alguns moradores já realizam um trabalho
de preservação através da conscientização
da população para limpeza do Rio. “Queremos
agora trazer pessoas com conhecimento para ministrar
palestras e encabeçar campanhas educativas com
distribuição de material explicativo
sobre a necessidade de preservação, e
as conseqüências sociais e econômicas
caso o rio seque totalmente”. Ele lembra que
o principal problema é o fato dos moradores
não disporem de sistemas de irrigação
para as plantações. Eles tentam driblar
esta carência desmatando as margens do rio na
tentativa de fazer com que a água chegue às
suas culturas. Até o sacerdote que esteve presente
na festividade, padre Manoel Antão, alertou
a população para esta questão
ambiental. “A festa do Menino Deus já é tradição,
e eu gostaria que o povo não esquecesse de ligar
esta festividade à sua realidade, a este Rio
onde eles ganham o pão, que é o Rio Maú.
Ele está morrendo e é preciso que a população
se preocupe com este recurso que estimula o próprio
turismo local”, observou padre Manoel.
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