| |
Os
momentos não voltam
Ivens Coimbra Brandão
Certamente que muitos assistiram
no cinema ou mesmo na televisão, o filme do super-homem,
aquele que mostra desde a chegada do menino superdotado,
até as façanhas mais arrojadas do já adulto
justiceiro. Em um dos momentos mais fortes da história,
quando a namorada do personagem principal morre soterrada
ao dirigir seu automóvel, o super-homem de tudo
faz para trazê-la de volta à vida. Não
conseguindo, utiliza-se de sua extraordinária
força, dando várias voltas no sentido contrário à rotação
da Terra, de tal modo a paralisar o movimento, levando
mesmo ao retrocesso, o suficiente para que tudo voltasse
aos momentos anteriores ao acidente que havia vitimado
sua namorada, podendo assim salvá-la da morte.
Muito interessante, mas tudo ficção...
Mas vale para refletir sobre a realidade que se vive:
quanta vez não se lamenta a oportunidade desperdiçada,
o tempo que não volta mais.
De fato, os momentos
não voltam, o que retrata também uma realidade
física, na medida em que se toma consciência
que a cada momento ocupa-se determinado ponto “novo” no
espaço, que jamais se repetirá. Assim conclui-se,
considerados os vários movimentos do planeta Terra,
como os de rotação em torno do próprio
eixo, o de translação, que tem o Sol como
centro, e que se completa a cada ano, e o deslocamento
que acompanha a expansão do Universo. Segundo
as últimas conclusões da ciência,
tudo começou há 15 bilhões de anos
com o Big Bang, quando surgiu o tempo.
Diante de tanta
grandeza, quando tempo e espaço se harmonizam
para traçar os caminhos que levam a vislumbrar
o Universo, aí está o homem, encarnando
o “dom maior de Deus” que é a vida,
exclusividade do planeta Terra, isto no âmbito
do sistema solar, conforme o que se sabe. Assim o homem,
que parece ser pequeno, toma dimensão infinita
porque é a “obra prima”, imagem e
semelhança do Criador. Frei Beto, em artigo publicado
na revista Caros Amigos nº 56, assim exorta a vida: “...
ela é, em si, um fenômeno maravilhosamente
indescritível, cientificamente inexplicável
e tecnicamente irreproduzível, malgrado os clones
futuros, pois as condições ambientais de
um ser vivo jamais coincidem”. Não é preciso “posar” de
super-homem, com grandes feitos, empenhando-se no compromisso
com o sucesso. O que vale é participar ativamente
em todos os momentos, não deixando passar as oportunidades.
Sobre os feitos, assim afirma D. Paulo Evaristo Arns: “Acredito
só nas coisas pequenas. Tudo depende delas, até mesmo
as grandes”.
O tempo de uma vida é curto
para o tanto que precisa ser feito. Vale registrar o
entendimento de um homem já octogenário,
porém pleno de suas faculdades: na limitação
de sua condição de analfabeto, mas com
a sabedoria dos simples, dizia que dormia poucas horas
para viver mais, isto porque entendia que enquanto dormia
nada realizava, não “vivia”... O homem é um
ser inacabado, precisando submeter-se permanentemente
a um processo de aperfeiçoamento. Assim, não
deve perder tempo, nenhum precioso momento que a vida
lhe concede. A caminhada do homem (da mulher), em busca
da felicidade, tem como traçado a linha do sentido
da vida, que se delineia na medida em que são
vivificados os pontos percorridos no espaço, os
momentos efetivamente vividos. Quando se olha para trás
na busca da origem com a pergunta “de onde vim”,
descobrem-se os fatores genéticos que modelaram
o presente, sem, no entanto, repetir o passado. Dispondo
do livre arbítrio, e de consciência crítica,
cabe ao homem construir o presente e planejar o futuro. É ainda
Frei Beto quem afirma: “Nós, seres humanos,
somos decorrência de uma história que evolui
do mais simples ao mais complexo, do menos consciente
ao mais consciente, intrigando os cientistas que, ainda
hoje, insistem em ignorar que a evolução
parte da energia para se condensar em matéria
e, desta, para atingir sua plenitude na espiritualização
informada pela dinâmica do amor”.
No dia
31.12 p.p., o planeta Terra completou mais uma volta
em sua trajetória que tem o Sol como centro. Dia
em que o ano se completou 24 vezes, na medida em que
o fuso horário correspondente registrou zero hora
(meia noite). Considerada a vasta extensão territorial
do País, os brasileiros saúdam o novo ano
segundo os quatro fusos horários que passam pelo
território nacional, desde o extremo leste em
Fernando de Noronha; o que contém Brasília,
Belém e outras cidades; um terceiro que passa
na região oeste do Pará; e o mais ocidental,
no Estado do Acre. Acrescente-se o “horário
de verão”, ora adotado no Distrito Federal,
e mais dez Estados brasileiros.
Que a chegada do ano
novo, uma realidade física que reflete a harmonia
do Universo, venha motivar o entendimento entre nações,
e os sinos do Natal que ainda ecoam no coração
dos cristãos, sejam sinal do Amor de Deus para
todos os homens de boa vontade. Feliz Ano Novo!
Nota: O texto ora oferecido foi atualizado, tendo sido publicado
pela primeira vez em “O Liberal”, edição
de 2.1.2, como um dos Artigos do Dia. Também integra
a coletânea “Cento e vinte encontros”,
de autoria do articulista.
Fone: 223-8484;
ivenscb@amazon.com.br
|