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Parabéns à cidade de santa Maria de Belém 
João
Carlos Pereira
A história dos nomes que Belém já teve
quase todo mundo conhece. Primeiro havia uma alusão
ao Presépio, que imagino tenha sido feita por
causa da proximidade da data de fundação
com o Natal. De Forte do Presépio passou a ser
Forte do Castelo. Depois, foi rebatizada como Santa
Maria de Belém do Grão-Pará. Com
a proclamação da República e a
separação Estado-Igreja, os republicanos
houveram por bem sair cortando toda referência
aos nomes de santos que houvesse. Por isso Santa Maria
de Belém ficou reduzida a Belém; o Theatro
de Nossa Senhora da Paz perdeu o “Nossa Senhora”.
A cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro é apenas
Rio de Janeiro e por aí vai. Na semana do aniversário
de Belém, acho importante fazer o registro e,
ao mesmo tempo, observar que, quem imaginou que, tirando
a referência à Nossa Senhora do nome da
cidade estaria nos afastando da Mãe de Deus,
sequer mereceu memória. E embora nos documentos
se registre apenas Belém, não há quem
não saiba, digamos assim, o nome completo da
capital do Pará.
Difícil imaginar esta Santa Maria de Belém
apartada de sua maior paixão, que é Maria
de Nazaré. Uma vez, comecei a fazer um levantamento
de quantas referências a Ela existem por aqui.
A maior de todas é a denominação
da cidade. Depois surgem vários bairros: Nazaré,
Fátima e Campina, que um dia se chamou Nossa
Senhora do Rosário da campina dos homens negros.
Em seguida aparecem nomes de ruas, vilas, passagens,
praças, estabelecimentos comerciais, escolas,
fábricas, lojas, dezenas, centenas, talvez milhares
de homenagens à Senhora do Céu. Belém é,
inegavelmente, a terra de Maria.
Não há exagero em se dizer que o coração
de Belém pertence à Nossa Senhora. Afinal,
quem mais tem servido ao povo de Deus, nesses tantos
séculos? A devoção - digo mais:
a confiança - das pessoas na ação
de Maria de Nazaré chega a impressionar. Ou
melhor: a comover. Fico assim, pasmo, de como a fé permite
que muita gente, milhares, centenas de milhares, se
entreguem aos cuidados da Mãe de Jesus e nem
se preocupem. O nome disso é fé. Entregar
um problemão nas mãos de Nossa Senhora
e esquecer-se dele, certo de que Ela, a Senhora, cuidará do
assunto, significa confiar. E confiar, no plano da
esperança, tem uma dimensão muito maior
do que acreditar. Acreditar, assim eu entendo, é pobre
caricatura de confiar. Por isso que muita gente se
espanta, quando eu digo que não acredito em
Deus. Acreditar? Eu mesmo que não. Acreditar é muito
pouco. Eu não acredito - eu confio na ação
do Criador. Confio e me esqueço de mim mesmo.
Há algum tempo, uma pessoa, que nem me lembro
quem foi, disse que, quando é preciso resolver
alguma situação complicada, ninguém
deve ficar se desgastando com expectativas. Basta pedir
- confiando - a Nossa Senhora que passe na frente e
faça a bondade de solucionar a questão.
Já tenho feito, por diversas ocasiões,
aquilo que seria, digamos, a “prova” e,
se alguma vez não deu certo, quero ficar sem
abrir um livro por, pelo menos, cinco anos. Pior castigo
do que esse só me proibir de ir à missa.
Não brinco com coisa séria e estou dando
real testemunho de uma prática extremamente
particular. Nossa Senhora tem sido, com o necessário
respeito, uma espécie de abre-portas, que jamais
falhou.
Todas as vezes que começo a refletir sobre o
amor das pessoas por Nossa Senhora, lembro da história
da filha de um Pastor protestante que, tendo caído
em desgraça na igreja a qual era ligado, por
aceitar Maria de Nazaré como mãe de Jesus
e verdadeira intercessora, conheceu o declínio
financeiro. A filha mais nova do já-quase-ex-pastor,
habituada à boa mesa, viu-se, de uma hora para
outra, na mais absoluta miséria. Um dia, sem
saber o que estava dizendo, pediu ao pai uma latinha
de marrom glacê. O pai, coitadinho, não
podia gastar o pouco dinheiro que possuía, com
essa espécie de luxo de criança. A menina
ficou possessa e disse que só acreditaria naquela ‘tal’ de
Nossa Senhora, se Ela lhe mandasse uma latinha de marrom
glacê. Nossa Senhora não precisa desse
tipo de exibição, mas era chegada a hora
de ganhar mais um coração para a Igreja
de Deus. No dia seguinte, sem ter mais nada na dispensa,
o ex-pastor recebeu a visita de vizinhos que, solidários,
conseguiram formar uma boa cesta básica. Uma
pessoa, vendo a alegria da família, puxou da
sacola uma lata de marrom glacê, que havia comprado
para sua própria família, e a entregou à menina,
dizendo: “pegue esta latinha, minha filha. Foi
Nossa Senhora quem mandou para você”. A
menina caiu em pranto e abraçou-se ao pai. Mais
uma alma encontrava a verdade.
Na semana do aniversário de Belém, gostaria
de pedir à Nossa Senhora de Nazaré, que
também atende pelo nome de Nossa Senhora de
Lourdes, e que é a mesma Santa Maria de Belém,
que abençoe a nova administração
municipal, para que a casa de Maria esteja sempre bonita.
E mais uma coisinha: se for possível, Senhor
Prefeito, ajeite o nome de nossa cidade. Belém
do Pará é, e sempre será, a terra
de Santa Maria. O povo que acompanha o Círio
- 2 milhões de votos, pelo menos - e eu sabemos
disso.
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