O prédio moderno e confortável é o espaço onde as atividades serão desenvolvidas

Projeto Nacional de Evangelização guiam atividades do CCFC

     Com base no Projeto Nacional de Evangelização 2004-2007 “Queremos ver Jesus: Caminho, Verdade e Vida”, da CNBB, o Centro de Cultura e Formação Cristã propõe uma ação evangelizadora à luz das novas Diretrizes Gerais da Igreja, que tem o desafio de gerar a comunhão da sociedade, alimentada pela Palavra de Deus, pela oração e pelos sacramentos, tendo em vista a superação do individualismo, do enfraquecimento da família e da vida comunitária. Assim a Igreja cumpre sua missão de confrontar os diferentes segmentos da sociedade com os valores do Evangelho, para garantir orientações éticas que tornem possível um mundo justo e solidário.
     De acordo com o documento 72 da conferência episcopal brasileira, é hora de um verdadeiro despertar para o entusiasmo missionário, que decorre da fé e do amor em Jesus Cristo. “É importante que a comunidade eclesial se defina e se fortaleça pela experiência da fé e encontre as razões de sua ação pastoral. Há muito a fazer, tanto entre os participantes da Igreja como entre aqueles que estão distantes ou são indiferentes. Mas muitas vezes usamos uma linguagem que não atinge as pessoas, ou falhamos no acolhimento. As pessoas precisam ser acompanhadas nas diversas fases da vida, num clima de solidariedade fraterna, de companheirismo, com um relacionamento que seja o próprio retrato da atenção que Jesus dava às pessoas”, diz o documento.
     Para a CNBB é preciso compreender e definir profeticamente a necessidade de uma participação política efetiva dos cristãos, como exigência da fé, atentos aos apelos de Jesus Cristo. Deste modo, a ação evangelizadora da Igreja leva em consideração as necessidades que interpelam a sensibilidade cristã, com o dever de colaborar para a superação das contradições do crescimento econômico, cultural e tecnológico, contra a miséria, a fome e a exclusão.
     Segundo o Papa João Paulo II: “é necessário partir de Cristo”. “Isso não depende só de transmissão de idéias. É preciso cultivar um ambiente onde a fé, a esperança e a caridade atraiam as pessoas, pela coerência de atitudes e pela ternura que faz de cada discípulo um sinal do amor de Deus. É preciso também levar a sério os questionamentos existenciais de cada um e contribuir para que cada pessoa possa descobrir, na Igreja, a espiritualidade que a ajude a crescer na intimidade com o Senhor”, diz o projeto “Queremos ver Jesus...”.
     O diretor de cursos centro cultural arquidiocesano padre Fabrizio Meroni acredita que o Projeto Nacional de Evangelização vai promover, com mais empenho, o itinerário da fé, como apresentado nos Atos dos Apóstolos: comunidade missionária, anúncio querigmático, conversão, crescimento da Igreja e transformação da sociedade.

 


Chave para abrir possibilidades

     Padre Fabrizio Meroni acredita que uma das maiores dificuldades do homem é a quebra de paradigmas, ou seja, do modelo que o mundo tem, do modo como se faz as coisas. Ele afirma que uma “chave para abrir possibilidades” para o conhecimento e inovação é a cultura, a arte, transformando o homem sem perspectivas, o “zé ninguém”, em alguém que pode escolher, que é sujeito participante de sua reflexão e de sua história, assumindo as responsabilidades de seus atos e de sua criação.
     “ Cultura é uma construção histórica, é produto das nossas relações com a natureza, tanto em conteúdo como em relevância, quanto em percepção. A arte como expressão da beleza e abertura ao Infinito determina a qualidade própria da natureza cultural de cada povo e nação”, diz o diretor de cursos do CCFC.
     Para sustentar sua opinião, ele cita o Papa João Paulo II, que em 1999, escreveu aos artistas do mundo inteiro: “De fato, a sociedade tem necessidade de artistas, da mesma forma que precisa de cientistas, técnicos, trabalhadores, especialistas, testemunhas da fé, professores, pais e mães, que garantam o crescimento da pessoa e o progresso da comunidade, através daquela forma sublime de arte que é a ‘arte de educar’”. Continua o Sumo Pontífice: “No vasto panorama cultural de cada nação, os artistas têm o seu lugar específico. Precisamente enquanto obedecem ao seu gênio artístico na realização de obras verdadeiramente válidas e belas, não só enriquecem o patrimônio cultural da nação e da humanidade, mas prestam também um serviço social qualificado ao bem comum”.
     Padre Fabrizio diz que a vocação diferente de cada artista, ao mesmo tempo em que determina o âmbito do seu serviço, indica também as tarefas que deve assumir, o trabalho duro a que tem de se sujeitar, a responsabilidade que deve enfrentar. Para o sacerdote, um artista, consciente de seu papel na sociedade, sabe que também deve atuar sem deixar-se dominar pela busca de uma glória efêmera ou pela ânsia de uma popularidade fácil, e menos ainda pelo cálculo do possível ganho pessoal. “Há, portanto, uma ética, ou melhor, uma ‘espiritualidade’ do serviço artístico, que a seu modo contribui para a vida e o renascimento do povo. A isto mesmo parece querer aludir o poeta polaco Cyprian Norwid quando afirma: ‘A beleza é para dar entusiasmo ao trabalho, o trabalho para ressurgir’”, afirma o diretor do CCFC, referindo-se à Carta aos Artistas, do Santo Padre.
     O sacerdote lembra ainda o educador Paulo Freire que afirmava que “cultura não é uma coisa, mas uma relação”. “A cultura é criada pelo homem em busca do sentido da realidade, assim como o homem é formado, ou deformado, por ela. Romper com este círculo vicioso da cultura barata de comercialização contemporânea, propiciando a construção da personalidade e cidadania, é ação transformadora e quebra de paradigmas a partir de uma visão ético-política”, opina.
     Padre Fabrizio acredita que esta comercialização cultural é resultado do ritmo acelerado de produção e consumo que leva a uma comunicação rápida e generalizada. “Consideremos, ainda, que a indústria cultural é uma atividade econômica esmagadora a serviço de uma ordem opressora e não-cidadã, visto que a identidade, seja individual, seja coletiva, a visão crítica, a possibilidade de reflexão são abandonadas no redemoinho da padronização de comportamentos, da maneira de ser, existir e agir”, arremata.

 

 


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