Em Belém, as freiras desenvolvem intenso trabalho social e
espiritual junto às comunidades carentes da periferia

Filhas de Caridade de São Vicente de Paulo completam 70 anos de missão na Amazônia

     Uma solene celebração eucarística marcou ontem, 2, a comemoração pelos 70 anos de atuação da congregação das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo (Vicentinas) na Amazônia. A congregação foi fundada no dia 29 de novembro de 1633 por São Vicente de Paulo e Santa Luiza de Marillac.
Até o fechamento desta edição, dia primeiro de junho, véspera da comemoração, estava prevista a celebração de Santa Missa, no Dispensário São Vicente de Paulo, presidida pelo Arcebispo Emérito de Belém, Dom Vicente Zico e concelebrada pelo Diretor Provincial, padre Pedro Carlos da Silva, que também é vigário paroquial na Paróquia da Imaculada Conceição.
“ Parar e olhar uma caminhada de 70 anos de doação e serviço, ler o histórico de cada casa, faz passar em minha mente como um filme, todos os lugares onde se encontram hoje nossas irmãs, desde Pacajá, Rio Gelado, na Transamazônica. Tudo me leva a uma pergunta: diante das dificuldades, que ainda encontramos hoje, com seriam estes lugares nas décadas de 30 e 40, e então lembro, entre outras, da irmã Cristina, com 25 anos de idade, três de vocação com uma vontade imensa de viver e trabalhar pelos pobres, que morreu em Cametá (1942), quatro meses após haver chegado para a fundação do Instituto Nossa Senhora Auxiliadora, vítima de febre porque não havia hospital lá, nem meios para trazê-la a Belém”, recorda irmã Eleni Bezerra, superiora da Província da Amazônia.
“ Minha imaginação se perde tentando descobrir qual a força impulsionadora que motivava e animava este trabalho missionário. E de repente surge em minha mente uma frase de nosso querido fundador São Vicente de Paulo: ‘O amor é inventivo até o infinito. Olhando o ontem e hoje de nossa história, minha avaliação é que apesar das limitações e fraquezas, houve e há muito amor, espírito missionário, dedicação e doação aos pobres. Por isso faço uma prece: que fique para sempre gravado na história que nós fomos capazes de transmitir aos pobres a ternura de Deus para com eles, servindo-os corporal e materialmente, conforme os desejos de nossos fundadores”, completa irmã Eleni.
De acordo com ela as primeiras religiosas da congregação chegaram ao Pará, em 1935. Quatro religiosas iniciaram o trabalho em Belém: irmã Antônia Fernandes Távora, Madalena Avelar, Catarina Bayma e Luiza Rodrigues. Elas passaram a trabalhar no Dispensário São Vicente de Paulo, a primeira casa fundada em Belém. Hoje existem 13 casas da congregação espalhadas em todo o Estado. Quatro em Belém e o restante na Prelazia de Cametá. A congregação conta hoje com 29 religiosas.
Quem quiser conhecer mais sobre a história e trabalhos das Filhas da Caridade pode procurar a irmã Eleni Bezerra, ou as irmãs Selma, Tânia, Jacimara, na Rua Curuçá, 408, esquina com a Manuel Evaristo, ou ainda procurar a irmã Marluce na casa da congregação que fica localizada na Rua Manaus, Q 13, 46, em Águas Lindas. Mais informações pelo 3254-6172.
Para irmã Cecília Sá Miranda, 45, que está há 23 na congregação, a vocação pela vida religiosa não poderia ter seguido outro caminho que não fosse o das Filhas da Caridade. Natural de Parintins, desde a adolescência irmã Cecília sabia que queria mesmo servir os pobres e doentes abandonados. Daí foi um passo para participar de encontros vocacionais e optar pela congregação das Filhas da Caridade. “Eu lia muito sobre a vida de Madre Teresa de Calcutá e decidi que queria ser missionária na minha terra, e como Filha da Caridade eu poderia seguir estas duas missões: cuidar dos pobres e trabalhar na minha terra”, finaliza irmã Cecília.




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