Para o missionário, o ponto central da vida cristã é a vivência comunitária

Simplicidade é o lema de vida de padre Catel

     O jubileu de coral (35º aniversário) de vida sacerdotal de Paolo Catel foi celebrado com simplicidade, a mesma que marca a personalidade deste missionário italiano. Ele conta que na data, dia 17 de maio, os barnabitas adidos à comunidade religiosa da Basílica de Nazaré participaram de um almoço “um pouco, mas nem muito, diferente”.
Mesmo afirmando-se incapaz de avaliar os anos de vida sacerdotal - pois seria uma auto-avaliação - padre Catel revela que foi “no interior” onde mais aprendeu. “Aquilo que aprendi no interior me serve aqui na cidade, pois lá se encontra uma fé mais autêntica. Na cidade se encontram algumas pessoas com essa fé, mas são raríssimas, pois aqui há uma série de distrações e o pessoal não tem tempo para Deus”, observa.
O “interior” a que padre Catel se refere são as localidades onde passou a maior parte da sua vida sacerdotal: o trecho da rodovia Pará-Maranhão entre os Km 14 a 127, Bragança, Capitão Poço e São Miguel do Guamá. Após os anos de apostolado em pequenas cidades, padre Catel foi enviado a metrópoles: São Paulo, Brasília e Belém, onde reside há três anos.
De especialista em radiodifusão e telefonia a Clérigo Regular de São Paulo. Assim se resume a história de uma “vocação adulta”, pois foi aos 29 anos que Paulo Catel decidiu ser padre, ingressando na congregação fundada por Santo Antônio Maria Zaccaria. Antes de se tornar religioso, padre Catel foi integrante do movimento católico Juventude Estudantil e Trabalhadora. Nas periferias de Milão, o grupo tentava encontrar maneiras para catequizar o ambiente público, construindo a comunidade-Igreja.
Aos 28 anos, o então leigo engajado Paolo Catel estava prestes a viajar para Macapá para ser técnico da rádio católica desta cidade. Seu diretor espiritual, que era padre barnabita, percebeu características de aptidão à vida sacerdotal e sugeriu que ele, ao invés de se tornar missionário leigo, procurasse um seminário. Ele escolheu os barnabitas, pensando em cuidar da manutenção técnica da Rádio Educadora de Bragança, como de fato aconteceu até 1988.
Decidido em ser missionário, padre Catel pediu ao visitador-geral dos barnabitas que a sua formação acontecesse já na América Latina. Foi atendido, e por isso estudou maior parte do curso de Teologia no Chile.
“ Para mim, o ponto central da vida cristã é a vivência comunitária, que vejo muito desprezada em Belém. Não vejo um espírito comunitário verdadeiro, mas grupinhos”, diz padre Catel. “È uma coisa contra a qual se está efetivamente lutando. Estou tentando fazer alguma coisa para se criar mais esse espírito de comunhão”. Em outubro, padre Paolo Catel vai completar 70 anos de idade. Atualmente, é o sacerdote que acompanha os trabalhos do Departamento Catequético da Paróquia de Nazaré.





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